terça-feira, 24 de março de 2026

registos da memória...


olho a paisagem
as ramas falam entre si
com linguagem 
que ninguém conhece
às vezes sofrem como eu
de abulia

em dias de calmaria
lenta é a visão
quando o vento aparece
estremece o coração

pálido fica o jasmim
as folhas em motim
ainda assim,
tudo vive por aqui
só a morte não nos ignora
a mim, e a ti

firme o firmamento,
nele a memória dos olhos
e ao pensamento
um doce queixume
a esperança é sentimento

e do ciclo o fim
o tempo castiga
- em profundidade!
a ti e, a mim,

e logo a saudade!


natalia nuno
imagem pinterest

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