outono doce, inverno amargo
escrevo poemas inúteis
falando da lonjura e da saudade
que trago
finjo esquecer o aceno triste
que a lembrança me faz
olho o céu cristalino
e fico em paz
nada pode mudar,
o tempo é incessante
recorda-se a vida
que já foi pujante
os olhos vagueiam
mesmo de pálpebras cerradas
a face, o tempo lhe trouxe impiedade
sonhos adormecidos
paixões apagadas
da íntima fogueira, só a saudade
aquilo que ainda arde
é a audaz memória
os instantes que alguma vez amei
lembro, enquanto não é tarde
mas a vida teve o seu lado generoso
hoje dele nos afasta
forja-nos num adeus teimoso
ao sol jovem, e assim nos arrasta.
procuro um pouco de claridade
sou ave ferida de saudade...
natália nuno
imagem pinterest

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