sábado, 18 de maio de 2024

outono da saudade...



debaixo das folhas que caem,
o generoso instinto dum poema,
e num monte de palavras escolho
o tema..
levanto a recordação!

meu ouvido distingue
o canto da ave e, 
cansada a saudade,
- abandona-se em meu
coração.

o aroma do trevo faz-se visita
o céu é um oceano cinzento,
enfrento o desvario que em mim
grita.

nem a brisa, 
nem o esquecimento
apagam os anos, 
nem meu lamento
nem desenganos

rasgo a obscuridade
do meu rosto esvaído,
na essência deste poema
a saudade... dum tempo ído.

natalia nuno
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domingo, 12 de maio de 2024

quando me abraças...




quando me abraças
ouço o mar nos meus ouvidos
sonhos, ventos adormecidos,
milagres que me sustentam
na solidão que permanece

os meus olhos aparentam
alegria fugaz que logo esquece

fora de ti a vida dá-me medo
o que nos reserva o futuro, 
que segredo?
o tempo ficou muito longe, abolido
como uma eternidade!
toca meu ouvido, sussurra-me com saudade

e, um sopro d'água fresca
flores de cerejeira logo cerejas
aromatizam o sol da minha vida
quando me beijas.


natalia nuno
rosafogo
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sábado, 11 de maio de 2024

música distante...




pouco despois do sol nascido
um vento gostoso
vento de primavera
à volta da secura do meu desalento

ponho o ouvido sobre o mundo
ponho o ouvido no pio dos pardais
e ouço sempre o mesmo som,
profundo...
o som dos meus ais!

ponho o ouvido na música do rio
meu alento no fundo!
minha terra, meu céu perdido
meu mundo

estou mais dura de ouvido
mas ouço da solidão o ruído,
uma estrela ocultamente amanhecida
separa, o escuro da claridade
um pouco perdida
o peito se abre à saudade!

natalia nuno
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quinta-feira, 2 de maio de 2024

talvez...


cai-me uma lágrima seca
talvez sonho, talvez saudade
ou inacessível felicidade

talvez a memória confusa
passaram dias só por passar,
lentos tristes e sem esperança
a criança que fui, eu a lembrar.
no tumulto da longevidade
talvez, a provocar-me a saudade!

talvez que a fé inda me salve
neste tempo que tenho de viver
e nem que me olhe a tristeza,
ainda vou querer!
o desejo de começar amanhã,
com optimismo e leveza.

natalia nuno
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sexta-feira, 26 de abril de 2024

a lei tensa de cada hora




ainda respiro e escrevo
olho o fluir da minha mão
às vezes já não sei se devo ou não devo
quando a noite habita em meu coração

inspiração só de quando em quando
basta-me o prazer dum verso
vou buscando, memórias distantes
e as estrofes, acariciam-me os dedos
por instantes

preencho buracos do meu vazio
neste peito estremecido de mulher
ouço o canto dos grilos na margem do rio
e deixo-me nos rasgos dum outono qualquer

o silêncio é como uma procissão
que privilégio olhar a tela do céu
cada estrela transcende o pulsar do coração
- ali, em qualquer lugar da memória
meu terço e meu véu

os versos que escrevo sustentam-me
de felicidade, mesmo
nas horas de trevas e de saudade.

natala nuno
rosafogo
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quinta-feira, 25 de abril de 2024

palavras desafiam meu dia...



instantes banais
uns ficam outros vão
mas, há aqueles que não esquecem mais
permanecem na memória e no coração

quando a memória ficar endurecida
nem uns nem outros vou lembrar
então, que resta da vida
se a saudade em mim não morar?!

ouço a chuva que em lágrimas cai
abre-se a porta ao inverno e, num ai
surgem minhas recordações,
um ou outro sonho desfeito
amargor por tantas desilusões,
que ainda doem no peito.

são remotas minhas lembranças
e algumas trazem espinhos,
minha vida feita de esperanças
a mesma que me trocou os caminhos

a vida é um remoinho de vazios
arco- íres, de amizades e abraços
a aventura de nossos passos
inquietudes e alentos,
sonhos, paraíso dos pensamentos.

a vida é bola de cristal
tantas vezes nos deixa às avessas
outras vezes é um céu, de ilusórias 
promessas.

natalia nuno
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sábado, 20 de abril de 2024

dilema...

 amanheceu e o sol, veio ter comigo,
que fazemos hoje? 
passeamos pelo campo?
ou escrevemos um poema?
- meu coração
que tanto me foge, ficou neste dilema

como se fosse noite de tempestade
- com folhas caindo, 
morrendo de saudade!

infinitamente parada,
na mente trago lembranças de outono
ecos de sonhos ao abandono,
tardios os passos, 
entra então a nostalgia
algo me aprisiona, quase me perco
dum persistente labirinto me cerco
- saio, quando sinto 
o sol a bater-me nas janelas

das palavras que me restam
escrevo um poema com elas!

solto um suspiro enclausurado
e as folhas de tons ferrugem e ouro
caem no remoinho d' águas,
espelham do m' coração as mágoas
que não consegue calar.

amanheceu trouxe o sol, 
e meu amargo despertar!

natalia nuno
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