sexta-feira, 19 de novembro de 2021

lugar sem nome...solidão



estou hoje num lugar sem nome
meu coração no silêncio entrou.
já a vida se some
de tanta ansiedade, triste ficou.
o pessimismo apaga a chama do meu olhar
neste lugar sem nome, aqui
onde a harmonia podia germinar
onde cheguei e tanta vez te senti,
hoje inquietação, o que posso vislumbrar.

e pensar que tantos sonhos tive
dentro de mim a esperança sempre acesa
e ainda a criança que em mim vive
vai sonhando esquecendo a vida e sua aspereza
os sonhos são ilusões perdidas
ocultam-se na mente com amargor
e nesta terra sem nome 
eu sinto a dor
da vida que se some.

não sei onde ir buscar mais vida, emoção
agora vive em mim apenas desalento
os dias jamais florirão
cairei como eles no esquecimento.

natala nuno
rosafogo






sábado, 30 de outubro de 2021

devagar liberto o medo...



chega do mar a brisa,
e o sopro azedo do vento
e a vida precisa
de novo, o encantamento.
chega o Outono silencioso
com luz bruxuleante quase cega,
e o tempo sempre atento
me pega!
a vida é vasta ventura
é sonho não demora,
ah...esse tempo, faz tempo agora!

é hora, 
surge a morte com sua trama
o reverso de quem sonha, de quem ama,
e é tão mais triste
o poeta em mim morrendo,
vive morto a ver a saudade crescendo...

e dói!
sobe-me a dor à garganta, sufoca,
devagar liberto o medo,
liberto-me da aspereza da morte
e à sorte em segredo, 
sinto-me como ave que não sabe onde pousar,
agarro-me à vida que tem outras vidas
que procuro entrelaçar.

quero o tempo reter
enquanto puder
e depois devagarinho
seguir caminho
sem lamento, nem sofrimento,
talvez numa tarde de outono
como hoje, tocada pelo vento
e pela brisa do mar
apagar tudo do pensamento
bater asas e voar.

natalia nuno
rosafogo




terça-feira, 26 de outubro de 2021

na memória das tardes...




na memória das tardes 
há silêncio constante
e um olhar distante
repleto de saudades,
ouço o voo das abelhas
e o trinar das andorinhas
fazendo ninho nas telhas.
absorve-me o pensamento
aquele momento
em que me enlaçavas pela cintura
era eu uma folha leve levada p'lo vento.

fingia que me eras indiferente
mas quase o chão me faltava
quando sentia tua ausência
de tanto que te amava!
sonhava encostar-me ao teu peito
perdia-me na suavidade do beijo,
hoje fecho-me por dentro
para não sofrer o desejo.
já a noite tomba e eu vazia,
esqueço tudo, até de mim!
como se fosse fácil chegar ao fim
deste dia sem de ti me lembrar.

livro-me das palavras
para não cair na tentação
saudade dói, finjo não sentir
mas a dor assalta-me o coração,
deixo-me adormecer nas memórias passadas
tinjo de côr estes meus pensamentos
caminho com as feridas disfarçadas
amanhã ganharei asas e novos alentos.

natalia nuno
rosafogo


sábado, 23 de outubro de 2021

rosas brancas em atados laços...


olho as mulheres cansadas de andar,
trazem no rosto o abismo da solidão
laboriosas a vida inteira sem parar
no sorriso já não existe emoção.

não tiveram asas, todos os sonhos,
vão pedindo á vida dias melhores
basta-lhes  olhar os filhos risonhos
e assim vão esquecendo as dores.

todo o caminho é um terço rezado
de cansaços,
flores onde o aroma já não tem perfume
rosas brancas em atados laços
a quem ninguém ouve um queixume.
é inútil esperar por melhor,
e se a vida tece algum laço d'amor,
depressa o desfaz e lhe causa dor.
na palpitação das horas
o sonho anda ausente
o desgaste é ferida dolente
urdida de tédio,
a vida é assim, não tem remédio!
é o sacudir da vida que chegou,
é a vida feita em pedaços
é um terço rezado de cansaços
já foram bonitas, foram primavera
rosas brancas em atados laços,
agora, nos dias menos amargos
ainda vibra uma labareda...

natalia nuno




quarta-feira, 20 de outubro de 2021

viver é bom demais...



meço a dor e o pranto
pela mesma medida
o amor a quem quero tanto
e a vida que me vai de fugida.
um sonho belo e vago
um beijo dos teus lábios
mesmo discreto, é bom demais,
esse desejo em mim trago
ébria d`amor vou suspirando ais.

uma noite como esta, de breu
lembro tudo o que ficou para trás,
meço a dor e o pranto meu
apenas ambiciono paz!
o pensamento tem força
mas nem sempre razão
às vezes, põe cinzento o coração.

encosto o peito ao peitoril da janela
olho o céu que me cobria de felicidade,
esse céu que me entrava pelas vidraças
que saudade... da estrela do norte, só eu e ela,
ai dor da saudade, quanto me amassas!
aguardo pelas neblinas matinais
ainda espero viver, 
viver é bom demais.

natália nuno
rosafogo
este poema foi começado em Abril
de 2006, hoje criei o final.



versos soltos...



eu sonho e sou livre
tão livre como criança
que em mim vive,
mesmo se a idade avança

o vento poderá estar
contra mim
mas levarei a esperança
até ao fim...

sou um ser de paixão
não me deixo vencer
saudade trago no coração
que vive e me deixa viver

tenho alma de menina
e um rosto sem nome
trago no olhar a sina
de poesia, a sede e fome!

no grito trago Poesias
nas olheiras trago idade
do desgaste dos meus dias
onde morro de saudade.

trago uma rosa ao peito
morrer é coisa certa!
com poesia me ajeito,
a garganta já se m´ aperta.

poemas sempre existem
foi sonhando que os criei
os sonhos, persistem?!
na solidão os  amarei.

natalia nuno
rosafogo
11/1988






sexta-feira, 15 de outubro de 2021

bálsamo do tempo...



a saudade traz o bálsamo do tempo
antigo, mergulho nela sem rumo
às vezes recua delicadamente
e a vida esvai-se em fumo.
em cada poeira varrida do nosso olhar
agitam-se as flores a cada momento,
sem nenhuma murchar,
esperança mágica, que nos afaga
o pensamento.
vazia de palavras, meu corpo já se rende
vergada ao fim do dia,
a luz fluindo na memória ascende
o sol é meu confidente
tudo é a meu favor
a beleza da tarde envolvente
e o vento ainda volteia no ar,
a memória de acordes a transbordar
e mais um dia a deixar saudade
e o sonho que eu amava?
será só ingenuidade?!
nada tão doce como o primeiro ardor,
estremeço, só de pensar
- nesse tempo d'amor.

natalia nuno