quinta-feira, 26 de setembro de 2019

passa o tempo com pressa...



tem tanta pressa
este tempo que me persegue
que mal tive tempo de viver
e este corpo que não quer que eu sossegue
não vê que o tempo tudo lhe tirou
e entretanto a primavera acabou
agora uma pequenina luz bruxuleante
e a vida segue adiante...

passa o tempo com pressa
e uma incerteza deixa
que a vida mal nos conhece
abre-nos os olhos e os mesmos nos fecha
quem dera viver sempre adolescente
o tempo em que se sente
e se descobre o prazer de amar
o doce da entrega,
o amor feito e pronto para recordar

um dia a vida se quebra
já não se sente o que é sentir
nem o tempo que passa a correr importa
pode até sumir, nem o reflorir
de alguns pensamentos que batam à porta
nos trarão o tempo perdido
alguns sonhos teimarão em dizer-nos vivos
mas num longo olhar de eternidade,
haverá apenas um leve fumo a saudade.

natalia nuno
rosafogo



quarta-feira, 25 de setembro de 2019

sonhos fantasiosos...

neste pedaço de céu que me cabe
sou estorninho que bate a asa
ao sabor da saudade


na verdade há sonhos dentro de mim
a amadurecer,
coisas simples que às vezes gosto de escrever
a minha arma é a palavra, palavra nua
com a nudez que me impressiona tanto
ora alegre, ora triste,
não pára de me causar espanto

vou batendo asa sobre o mar,
que a terra já fica para trás,
levo estes sonhos fantasiosos
e olhos para observar
tanto faz...levo a vida a estalar
e mil ideias a soçobrar!
o acaso coloca-me um sorriso triste
e eu já nem sei se existe
palavra para falar de vida
e deixo-me a reflectir como se ela
algum dia fosse nutrida,
desvio o vento, que altera meu caminho
e coloca minhas asas em desalinho

apresso-me a chegar algures
não sei eu e nem sabe ninguém onde,
talvez, nenhures, ou mais além
onde o coração se encha de perfume a flor
e eu encontre paz no meu interior
já avisto os azuis do arco-íris
reluzem já as estrelas, e logo a lua
amanhã voltarei a escrever a palavra nua
para veres e sentires que a vida, ainda pode florescer

natália nuno
rosafogo

domingo, 15 de setembro de 2019

nada é para sempre...



nada é para sempre............sabemos mas fazemos que ignoramos assim, desta maneira simples, como se transformássemos a verdade em mentira, ignorando, como se fôssemos crianças correndo em alvoroço sobre dias iluminados recordando a vida em seu ar distante, ou como se hoje fosse o primeiro dia que nos levará à felicidade dos tempos...

natalia nuno

rosafogo

pequena prosa poética...


fico à espera que o vento me encha as velas de coragem, que retire as nuvens da tempestade, me deixe a mente tranquila e o coração corajoso, e no meu âmago uma fonte de doçura para poder navegar no meu quotidiano em paz...neste rio infinito que um dia me canta uma canção melodiosa e noutro me deixa a alma inquieta, rendida e numa situação dolorosa...fico a flutuar à tona, e quase parece que a vida me abandona... marés infinitas e eu presa nas ondas deste tempo morto, onde só o vento rumoreja e um pássaro canta uma estranha canção triste e melancólica na minha mente atulhada de pensamentos...embrenhada, esqueço a sordidez do mundo e, amanhã voltarei a renascer das cinzas...

natalia nuno

rosafogo

pequena prosa poética...



as manhãs sabem sempre a fruta e a vida vai fluindo, o dia me acolhe logo que o sol paralisa em frente à minha janela, enquanto isso, vou queimando todos os meus tempos a procurar a força que ainda me é precisa....para ser feliz recordo, dirijo o pensamento para novas distâncias para lá do horizonte, sonho como se fosse audaz primavera o tempo q' inda me resta...
levo os passos encaminhados e palavras que me bastam mesmo à medida do meu caminho, levo também tudo o que sonhei, e engendro sonhos futuros lá pelos riachos da tarde... não levo pressa, mas, o meu olhar voa com a audácia dum relâmpago antes que o tempo o feche de vez e tenha de chorar a vida...a noite não tarda envolta num silêncio macio, as quimeras fogem-me envergonhadas a vida fica submersa na solidão...e o tempo range detido nos meus olhos...

natalia nuno

pequena prosa poética...



levava laranjas nas mãos, os sóis giravam à sua volta e perguntavam-lhe: quem és tu?
- sou apenas um sonho, um leve sonho solto no esplendor da manhã, ando pela casa onde nasci, ouço um rumor de pétalas caídas das ramagens, sonâmbulas, tristes pelo chão, também sussuros de quem adormeceu para sempre, mas sua alma navega ainda por cá junto à luz sombria dos loureiros...com o vôo livre deixo-me ir até onde mora a brisa, fico despida e inconsciente entre as madressilvas, alfazemas, e a ternura das giestas... ouço ao longe os trinados de pássaros anónimos que podem ser cotovias, rouxinóis pardais ou outros mais, e eu escuto-os no espaço azul da minha memória onde se enraíza o resplendor da esperança que ainda me cabe...é árida a realidade por isso sou apenas sonho, sonho e saudade e tudo que vivi e amei, solto agora com palavras velhas estas memórias atadas, enquanto não surge o caos e a confusão e venha calar a minha mão....

natalia nuno
rosafogo

silêncio...



surjo do outro lado do silêncio
trago trémulas as palavras
que dormiam no meu sossegado esquecimento,
são agora rouxinol chilreando na memória
acometidas por louco vento,
encaminho-as com a mão
acarinho-as com o coração
e estendo o silêncio, 
velando as que sobraram.
natalianuno
(rabiscos)