palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sábado, 29 de agosto de 2015
recordações...
cartas de amor amarelecidas
guardadas como preciosos metais
com doçura e o perfume de rosas
incenso que paira sobre o que não
volta mais...
quem sabe floresçam na primavera
os sonhos nelas encerrados
cartas de amor quem dera
leio agora com meus olhos cansados
já não me deixam sorrir
nelas meus sonhos quebrados
não passam de folhas de papel enegrecidas
cartas de amor amarelecidas
lágrimas a embaciar o olhar
tudo o tempo levou e teimou
em pouco ou nada deixar...
nos meus olhos uma sombra desolada
ergueu-se um muro
entre o passado e o presente
que só o coração sente.
cartas de amor. umas linhas d'amor
mitos de felicidade, da juventude o fragor
sinto o outono nos ramos mais tristes
da saudade.
natalia nuno
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
cartas d'amor...
pombas sedentas... vieram
hoje... bem de manhãzinha!
cartas de amor me trouxeram
de quem de longe me acarinha
então, aureolou-se meu sonho
meu dia, fogo-fátuo, florescente
do verde infinito o olhar risonho
mãos estendidas infantilmente
cartas... misteriosas quimeras
gotas de chuva em tarde de verão
palavras doces e tantas esperas!
semeadas de miragens ao redor
pairam no olhar como um clarão
benção do céu...as cartas d'amor
natália nuno
soneto antigo de minha autoria
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
nada é perfeito... trovas soltas
trago um cordão de ouro
foi minha mãe que mo deu
pra mim ela é um tesouro
bem guardadinho no céu
envio-te beijo pelo correio
pois de ti sempre me lembro
trago o coração d'amor cheio
desse idílio... era Setembro
tomo um café no alpendre
fico num modo tristonho
já o teu olhar me prende
se vais, a chorar me ponho
minha casa é a uma esquina
no bairro a mais sombria
no meu coração de menina
há amor ...em demasia...
eu quero o tempo inteiro
sem nunca mais acabar
eu quero se fôr primeiro
dar amor q' tenho pra dar
natalia nuno
rosaofogo
lógico que me enganei a colocar, trovas seriam no « Orvalhadas de Saudade» mas agora já está, aqui ficam, afinal um blog e outro são meus.
volta e meia...trovas soltas
tece seu curso a vida
persiste em mim saudade
também a levo tecida
no coração com verdade
já o sono me venceu
da minha história o fim
maldição a vida me deu
andou à revelia de mim
de soberba ela tão cheia
subestimando meu querer
esta vida volta e meia...
fez de mim pobre mulher
já o espelho me provoca
olho-o com provocação
se pensa que me põe louca
não vou olhá-lo mais, não!
natalia nuno
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
cegueira...
cresce erva nos meus olhos
a lamparina bruxuleia
há no meu olhar uma nesga de poeira
como que uma teia
a parar no ar
serão os olhos mal lavados?
mas pouco importa!
esta vida é um vale de lágrimas
já nascemos marcados
e a cegueira bateu-me à porta
mal vejo os trevos do jardim
como posso encontrar o de quatro
folhas? Encontra tu por mim!
Ceguei, ceguei porque tanto me olhas
ao olhares-me me apaixono todo o dia
salta minha lembrança com alegria
e descubro coisas incríveis
que me fazem enternecer
mas nascem-me ervas nos olhos
que vão chorar para esquecer...
choram de dor e de cansaço
aqui mesmo atrás da porta
a memória eu espiçaço!
e o resto pouco me importa.
natalia nuno
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
chega a mim o eco...
chora o sino da torre
na aldeia vão carpindo
despedida de quem morre
paz pra alma vão pedindo
da fonte vem o queixume
a virgem chora no altar
já não tem a quem amar
fica a vida sem perfume
e o ninho do passarinho
treme com a brisa no galho
a voz do povo no caminho
coração feito em frangalho
esperança verde na manhã
belo o rosto d'outra aldeã
que passa alegre e fogosa
orvalhada que nem rosa
choram também os laranjais
ferida aberta no peito
por aquele amor que jamais
será um amor perfeito
definha a noiva em lamento
molhando a fronte saudosa
é tão grande seu sofrimento
murcha, caída pétala de rosa
chora ela a dor sentida
dobram os sinos da torre
tão moço... perdeu a vida
a notícia p'la aldeia corre
mais uma grinalda de flor
posta ao lado do altar
soluça o perdido amor
toca o sino sem parar
natalia nuno
rosafogo
este poema tem uns anos, e resulta duma tentativa de conseguir fazê-lo em oitavas, primeiro criei-o como quadras, mas depois achei que assim não estariam mal. Agora podia dar-lhe um pequeno toque, mas não gosto de modificar, na altura sairam assim e assim ficam.
Suponho que é de 2005.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
mil sombras...
à beira do vazio uma lágrima desperta
e a solidão vai penetrando a noite
revelam-se sonhos, mil sombras no olhar
esquece-se a vida
surge uma nostalgia acrescida
quando o coração revê lembranças,
ferida a memória, enruga-se o rosto
e até as estrelas parecem soluçar
o meu desalento,
parecem querer encerrar
o meu pensamento
inscrito no rosto o cansaço
e uma ruga mais
nesta minha ânsia desolada
estou a pontos de me sentir folha
pelo vento extraviada...
natalia nuno
rosafogo
Subscrever:
Mensagens (Atom)






