palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
chega a mim o eco...
chora o sino da torre
na aldeia vão carpindo
despedida de quem morre
paz pra alma vão pedindo
da fonte vem o queixume
a virgem chora no altar
já não tem a quem amar
fica a vida sem perfume
e o ninho do passarinho
treme com a brisa no galho
a voz do povo no caminho
coração feito em frangalho
esperança verde na manhã
belo o rosto d'outra aldeã
que passa alegre e fogosa
orvalhada que nem rosa
choram também os laranjais
ferida aberta no peito
por aquele amor que jamais
será um amor perfeito
definha a noiva em lamento
molhando a fronte saudosa
é tão grande seu sofrimento
murcha, caída pétala de rosa
chora ela a dor sentida
dobram os sinos da torre
tão moço... perdeu a vida
a notícia p'la aldeia corre
mais uma grinalda de flor
posta ao lado do altar
soluça o perdido amor
toca o sino sem parar
natalia nuno
rosafogo
este poema tem uns anos, e resulta duma tentativa de conseguir fazê-lo em oitavas, primeiro criei-o como quadras, mas depois achei que assim não estariam mal. Agora podia dar-lhe um pequeno toque, mas não gosto de modificar, na altura sairam assim e assim ficam.
Suponho que é de 2005.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
mil sombras...
à beira do vazio uma lágrima desperta
e a solidão vai penetrando a noite
revelam-se sonhos, mil sombras no olhar
esquece-se a vida
surge uma nostalgia acrescida
quando o coração revê lembranças,
ferida a memória, enruga-se o rosto
e até as estrelas parecem soluçar
o meu desalento,
parecem querer encerrar
o meu pensamento
inscrito no rosto o cansaço
e uma ruga mais
nesta minha ânsia desolada
estou a pontos de me sentir folha
pelo vento extraviada...
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 22 de julho de 2015
tu as ouves cair...
apaguei as palavras
disse não à minha inquietude
quero de mim o valor que me resta
quero ainda semear sonhos
voar com plumagem ardente
sem temores nem ansiedades
quero ainda ser gente
trazendo na alma a chuva das saudades
quero gritar, levantar o silêncio do medo
viver sem paredes azedas da tristeza
quero que o amor seja o segredo, a certeza
que brota e me incendeia
quero morrer na sua teia,
devagar... como o gotejar duma fonte
como a luz duma tarde de estio
em sossegado horizonte.
apaguei as palavras
aboli o tempo que abre fuga à vida
quero um oceano de sonho
ao amor deixar-me rendida, aprisionada
entre o prazer e a avidez do teu olhar
celebrar o viver
como se fosse uma rosa, deixar pulsar
o aroma até morrer até ficarem caídas as pétalas
uma a uma, perto do sonho que vive junto ao teu
e em sussurros balbuciarmos
rosa minha...cravo meu!
natalia nuno
sábado, 18 de julho de 2015
promessas d'amor

a tarde empanturrou-se duma luz doce
luz que nos enche o peito de ternura
e aos ouvidos me embebedas
com juras e promessas d'amor
que me adoçam o coração...
o sol ainda brinca nas folhas do limoeiro
é rápida a paixão da tua procura
no fim do delírio, e da emoção
esquece-se o mundo inteiro
os corpos despojados de prazer
ficam num total abandono
até chegar o sono,..
fechar os olhos é como renascer
na avidez do tempo
cada vez mais depressa a vida
e a cruel verdade
de que já tudo é só saudade
o tempo nos vai apagando,
com um ar cansado
me abraças sobressaltado
já só estamos sonhando...
rompe a manhã que será diferente
recomeçaremos tudo novamente
com a firmeza de seguir
até que sonhos sempre regressem
e o amor não extinguir.
natália nuno
rosafogo
sexta-feira, 3 de julho de 2015
versos ao meu redor...
infiltra-se a luz pelas cortinas
corridas, ninguém me responde
já ninguém me ouve, fica o eco
da minha voz, e a saudade de nós
do amor resta solidão, medo
a vida se esconde,
num labirinto sem saídas
murmúrios e sombras perdidas,
sabores amargos de solidão
risos e choros, cantos em coros
e gentes deixando pégadas p'lo chão
pés nus, amargo o pranto,
e como dói...
a vida é uma cruz!
na minha mente, versos tristes
raios que em mim entram
e minhas mãos violentam,
uma lágrima revela-se
e desce lacrimosa e bela
gota de orvalho na flor
e ao redor
a saudade...se faz anunciar
enquanto a morte, chega devagar
numa tarde assim,
não dói morrer
neste verso que não deixa a dor
transparecer.
ninguém me ouve, ninguém me reponde
é a vida que já se esconde...
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 2 de julho de 2015
loucos?
pequena prosa
está dito que não é coisa fácil, Poesia é coisa séria, desista qualquer escritor de tentar criá-la, não é por saber muito, nem muito bem saber escrever, poeta pode ser até analfabeto, porque a poesia lhe vem da alma, lhe nasce dum dom que possui dado por Deus, do qual nada nem ninguém o fará desistir por mais que tente... Poeta se afeiçoa à Poesia, ela vem da grandeza dos seus sentimentos, e ainda que os outros lhe apontem defeitos ele a acha uma obra superior...entristece se lhe fecham as portas, se o excluem, alegra-o o poder contribuir, satisfaz-lhe a amorosa admiração dos amigos, tal como ele com sensibilidade e riqueza de expressão, numa serena ou sobressaltada esperança de dar o seu melhor...na Poesia se expressam sentimentos tantos, de saudade, de sofrimento, de amor...haverá porventura mais belo? nada se lhe pode igualar! a poesia é um impulso que vem da alma, testemunho de autenticidade... sonham, ainda que nunca alcancem, expectantes de escrever o seu melhor poema, às vezes é enorme a ausência de palavras e ele (Poeta) sente uma grande inquietude, mas de repente surge um chamamento e lá vem mais um feliz momento que o invade e cria de novo com uma vontade inesgotável, decidida, e absoluto amor e entrega.
eu e a minha mania da prosa...vou tentando, isto que hoje escrevi é o que sinto, os poetas são gente, por outra gente julgados loucos.
natalia nuno
rosafogo
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 1 de julho de 2015
A verdade...a verdade é que
A verdade...a verdade é que
resta um raio de esperança a luzir
no meu mundo da imaginação
deixo-me ir, não obstante o aviso
da razão...
impele-me o pensamento
a afagar o coração,
a trazê-lo em harmonia
a embelezar a vida poetizando
dia a dia
como uma tábua de salvação
a que me agarro
logo com a desmemória esbarro
sinto-me perdida,
ofuscam-se as lembranças
já é longa a vida!
A verdade...a verdade é que
brilha uma estrelinha no firmamento
assim meu pensamento não escureceu
de todo, a força de amar não desapareceu,
vejo-me entre a noite e o dia
o escuro e a claridade
e no meio da minha alegria de viver
surge como ventura a saudade...
A saudade...a verdade é que
este sentimento me domina, é amor
a que me entrego sem resistência,
com veemência e paixão
é fogo que me anima
a não cair na solidão.
natalia nuno
rosafogo
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