sábado, 16 de novembro de 2013

estado de alma




toda a água que cabe num cântaro
não cabe nos meus olhos
é este o meu estado de alma
as nuvens se desfolham
geladas de amargura
jazem na terra dura,
e a dominam,
tal qual meus sonhos
me levam à loucura,
fico na sombra
sou fantasma de mim
sou a infância que me corre
nas veias
sou o vai vem entre o presente
e o passado
sou o vivido e o sonhado
sou o sonho e a quimera,
sou por quem o tempo
não espera...

sou a imensa solidão
o medo do vazio
a despedida do verão
sou agora... o inverno frio.

sou o fim da viagem
sou a que segue de mão estendida
a que se perdeu da imagem
sou lembrança duma vida.

natalia nuno
rosafogo
imag net

domingo, 10 de novembro de 2013

Entrei e não ouvi nada!

















Entrei e não ouvi nada!
dentro de mim o silêncio
e ideias apoquentadas...
caem-me as mãos sobre os joelhos
meus sonhos correm descalços,
sobre pedras aguçadas,
minhas palavras ainda ousadas
sofrem aflições e percalços,
sem ter arte convincente
iludidas na semente.

a esperança é minha companheira
é ela meu lenitivo
meu sonho, minha bebedeira
eu com ela vivo,
e quero,
mas dela pouco espero.

entro agora e vejo
o sorriso duma flor
um gesto de amor
e logo o coração a bater,
acende-se uma luz em minha casa
e já consigo ver,
meu espírito batendo asa
exaltando de felicidade
fazendo-me crer,
impondo-me a verdade
que vale a pena viver.

o segredo do meu contentamento
é ter sempre algo a esperar
e viver cada momento
sabendo meu silêncio escutar.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net







terça-feira, 5 de novembro de 2013

MEU VÔO

Jaana Renvall

Concluí que tenho medo
medo do desconhecido
medo...medo...medo!
não sei como viver
não sei o que fazer
sei...que o futuro é temido.
A vida caminha, até durante o sono
e a noite de temor me agita
deixo nela a vida ao abandono
aflita...aflita...aflita.

De onde venho?
Cantei madrigais,
agora estou cansada e nada levo
apenas tenho
alguns anos a mais...
que a contar não me atrevo.

Mas nada tão cruel
como aguardar o desconhecido
que vai enrugando nossa pele
em troca do tempo vivido.
Labirinto que ameaça profundo
o coração dolorosamente
mas o caminho está em aberto
e não acabaram no céu as constelações
o sonho está presente... por perto,
e o vento agita e troca desilusões
por ilusões.

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

e assim a vida corre...



um dia não estarei
não sofras p'la minha ausência
ficarei esperando-te
como na adolescência,
quando as amendoeiras florirem
havemos de matar o tempo, já
que nasci para querer-te
trago sol no olhar só por ver-te,
vou entrançando nas palavras
o meu amor por ti.

foi intensa a primavera
passou num sorriso, adormeceu,
agora a nostalgia do outono,
a espera...
o silêncio e a ternura,
ainda um deslumbrado amor
aceso o sonho entre nós
que não morre...

e assim a vida corre.

natalia nuno
rosafogo


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

nasci em dia cinzento...



o grito que dei ao nascer
trazia a força inteira,
a vontade e o querer
e o tempo
tecendo minha inquietude,
num rodopio chorava eu
e o céu enchia o rio...
o tempo sempre contra mim
sem qualquer outro sentimento
que não seja sugar-me a vida.
no rumor da minha memória
sinto ainda,
aquela que fui um dia
trago-a
recolhida em meu coração,
menina a quem dou a mão.

nasci em dia cinzento
deste cinzento que me envelhece
não há oração ou  prece
apenas nostalgia,
nesta memória que não esquece
tudo passou sem dar conta
já tudo fica a uma ponta...
mas neste pulsar persistente
neste coração latente,
esperança abre as janelas
a alegria continua
a aflorar aos meus sonhos,
nada a pode mudar
nem apagar do pensamento,
nem o capricho do tempo cinzento ou
sua impiedade...
quero levar comigo o paladar
da saudade...

natalia nuno
rosafogo



terça-feira, 22 de outubro de 2013

mensagem

 
 
a convite dum amigo virtual jornalista romeno, enviei um poema que foi traduzido na sua língua e saíu na revista de 10/2013...hoje recebi a prova e aguardo a revista, penso que virá com o poema também em português, foi casualidade, mas francamente vou gostar de sentir meus versos numa língua que não a minha.

A SPECIAL PHILADELPHIA-MATO GROSSO ISSUE
SUMMARY.SUMARIO.SUMAR

A Half Dozen Philadelphia...

Donald Riggs, Introduction

Henry Israeli

Leonard Gontarek

Lynn Levin

Miriam Kotzin

Valerie Fox

Donald Riggs

Three from Norfolk-Suffolk

Caroline Gill, Two Aspects of the Literary Scene

in Norfolk and Suffolk

Chris Gribble, Norfolk: Norwich, UNESCO City

of Literature

Naomi Jaffa, Suffolk: Aldeburgh Poetry Festival

Six Authors from Mato Grosso

Dante Gatto

Marcelo Alcaraz Barbosa

José Dias Guimarães

Taís Martins

Andréia Franco

Mário Antonio da Silva

Alte orizonturi poetice

John Tischer (Mexic-Statele Unite)

Raymond Walden (Germania)

MaryAnn McCarra Fitzpatrick (Statele Unite)

Eva Bourke (Germania-Irlanda)

Carla Delmiglio (Italia)

Michela Zanarella (Italia)

Natália Canais Nuno (Portugalia)

Claudia Regina Lemes (Brazilia)

Astrid Fugellie Gezan (Chile)

Orizonturi critice

A.Augusta (Canada), Sand Days

Ettore Fobo (Italia), La poesia del Connettivismo

Rosetta Savelli (Italia), Il Regista Roberto Garay

Anna Rossell (Spania), La Topografia del dolor

Manuel Ameneiros (Mexic-Spania), Realidad

Debut la “Orizont literar”

Evelin Tamm (Estonia-Suedia-Statele Unite)

Orizontul prozei

Michael Essig (Statele Unite), A Good Day in Spookville

Amy Tan (China-Statele Unite), The Moon Lady

Maxine Hong Kingston (China-Statele Unite), On Fathers

Mihai Gălăţanu (România), Mireasa fără corp/

The Bodiless Bride

Patrizia Boi (Italia), Il principe Amos

Oziella Inocêncio (Brazilia), A Madame Bolotinha

Daniel Dragomirescu, Un loc îndepărtat/A Faraway Place

Interviurile revistei

Monica Manolachi, Entrevista con Theodoro Elssaca

Vitrina editorială

Felix Martin Arencibia (Spania), Voces desde Timanfaya

     (roman/novel)

Traducători

Monica Manolachi (co-ordinator), Elena Bobocescu, Roxana Doncu, Raisa Lambru, Daniela Zăloagă, Cristiana Ghiţă, Adela Livia Catană, Iuliana Vizan, Mirela Fighiuc, Alexandra Diana Mircea, Loredana Adriana Malic

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

fecha-se uma janela...



é na nostalgia das tardes tranquilas
que espero o sol morrer no poente
para que a imaginação não caia
no vazio...
e me sinta menina perdida
tremendo de frio.
é um velho costume
deixar a brisa sussurrar-me
ao ouvido
onde a surdez lentamente
me aproxima do silêncio,
quebrando um pouco da vida
o sentido.

logo o negro da noite se instala
minha alma numa lágrima se
afoga...e mais perdida ainda
como o vôo duma folha levada pelo
vento, que não finda...
fecha-se a janela ao tempo que partiu
a velhice é agora meu mundo
e a menina sonhadora
jamais alguém viu...
acabou o fragor da festa
só a saudade lhe resta.

natalia nuno
rosafogo