palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sábado, 12 de junho de 2010
NÃO SEI PORQUÊ
NÃO SEI PORQUÊ
Julgam-me doida, pura inveja
Até meu pensamento, por vingança!
Louca? Não me importa, assim seja.
Sou livre, sou o vento da mudança.
Dou voltas e mais voltas com cautela
- O tempo não pára e vou morrendo!
Mas se morre até a flor mais bela?!
Também esvai a vida, a vou perdendo.
Na teia a passo largo já me enredo
Trago comigo a alma cheia de pecados
- E agora no silêncio já me quedo!
Minha vida por outra não trocaria!
Apesar dos pesares tão magoados.
Ao final desta já longa travessia.
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 10 de junho de 2010
BASTA SABER-ME VIVA
BASTA SABER-ME VIVA
Meu coração é uma gaiola dourada
Nela se solta o Amor e a Amizade
Branca, como o branco desta folha intocada
Nela um pássaro vai chilreando saudade.
Hoje lhe abri as portas
E a felicidade andou pertinho
As lembranças já mortas?!
Fui deixando p'lo caminho.
Mas na verdade me doeu
E na garganta um nó ficou
Nas lembranças,também habitava eu
Se por lá fiquei, agora quem sou?
Apago-me como flor sem sol, tanta vida lá atrás
Já pouca coisa resta, o silêncio sobre mim se deita
Nesta descida entre a saudade e o frio, tanto faz!
Mastigo incertezas, já que a Vida não é perfeita.
Deixo-me a pensar com meus botões
Enquanto cai uma chuva enfadonha
Basta saber-me viva de ilusões
Minha alma malferida, ainda assim,sonha
Insistem os chilreios em meu coração
E há largueza por onde entra a claridade
Mas quando já não restar emoção?!
Serei como raiz sem apego, sem lugar
Morrerei de saudade...
Levada p'lo tempo, deixando-me por ele apanhar
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 8 de junho de 2010
CAEM SOBRE MIM TANTAS LEMBRANÇAS
CAEM SOBRE MIM TANTAS LEMBRANÇAS
Hoje o Sol mudou de janela
E meu destino se esqueceu de urdir
Em meu peito pôs uma cancela
Para o coração de lá não fugir.
A tarde partiu tristonha
Deixou meu peito a gemer
Passam horas e se a gente não sonha?!
Nem mais o Sol vai ver nascer.
Emaranha-se na saudade a dor
Bruscamente cresce a solidão
E passa o tempo que é devorador
Que tudo destroça e leva p'la mão.
Mas eu sigo confiante,
Levo no peito uma força que nem sei!
Às vezes caminho um pouco errante
E a força fui talvez eu que a inventei.
Já se anuncia a morte do dia
O Sol varreu todo o horizonte
Deixa meu coração abatido de nostalgia
E deita-se na janela ali defronte
Chega a saudade de coisas perdidas
Dos olhos me cai uma lágrima represada
Na memória há coisas já esquecidas
E no rosto lê-se a idade que é já demasiada.
A tarde é agora de mel e canela
Despede-se de mim tal qual como a vida
Enquanto o Sol adormecendo muda de janela
O destino, vai urdindo a despedida.
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 26 de maio de 2010
SONDEI MEU CORAÇÃO
SONDEI meu CORAÇÃO
Sondei meu coração
Tentando reanimá-lo
Sabendo de antemão
Não iria consertá-lo.
Às vezes sou navio desfeito
Por um mar sem piedade
Mas, o que está feito, está feito!
O resto, faz-se agora de saudade.
A vida não tem sentido
Me leva a pouco e pouco
Trago o significado perdido
O tempo passa por mim como louco.
Meus ombros andam abatidos
No tempo sou já sobejo
Meus olhos p'lo tempo vencidos
Para tras sonho e desejo.
Os pensamentos vazios
Poemas que são nostalgia
Esperanças atadas com fios
Brinca comigo a vida com ironia.
Este tempo corre por mim
E eu chama trémula de vela
Já me leva a mágoa sem fim
Ou sou eu companheira dela?
natalia nuno
rosafogo
SAUDADE
Lembro-te entre loureiro e rosas
Olho o Sol que ao longe se escusa
Falo-te amigo das coisas saudosas
Penso-as na fonte enchendo a enfusa.
E com a fronte a escorrer àgua
Nos fios do coração presa a amizade
Não deixo de te contar minha mágoa
Por estares longe e eu ter saudade.
Deixa que se solte este meu grito
Cante meu coração onde a alegria mora
Aí à distância não te quero aflito
Que a saudade a gente mata na hora.
Na nossa aldeia floresce a amendoeira
E as giestas de amarelo floriram
E quer o tempo queira ou não queira
Lembraremos todos aqueles que partiram.
Dentro de nós o coração a pulsar
Às vezes é a dor que nele chora
Mas nada, nem ninguém pode atrasar
A hora de matar saudade que em nós mora.
E ainda que haja pó pelo caminho
Chegaremos lá bem pela tardinha
Abraçaremos os amigos com carinho
Já atravesso a ponte, pressa a minha.
natalia nuno
rosafogo
PERDI AS HORAS
PERDI AS HORAS
Hoje sinto-me um peixe fora d'àgua
Longe está o que para trás deixei
Deito um pé ao passado e com mágoa
Choro as papoilas com que brinquei.
Tão quase nada, tanta singeleza
Às portas do meu olhar, meu chão
Tudo igual...um rastro de pobreza,
No Céu habita a mesma constelação.
Vejo voar minhas primaveras, anoitece!?
Já são horas, ao longe ficou o meu berço
Embaciou o caminho, nem sei se amanhece
Ponho um pé no presente, faço-me à estrada
Levo na mão os sonhos de menina e o terço
E sigo meu caminho sem luz, desencantada.
natalia nuno
rosafogo
segunda-feira, 24 de maio de 2010
TRAGO UM RIO DENTRO DE MIM
TRAGO UM RIO DENTRO DE MIM
Trago um rio dentro de mim
Vem de longe, faz tempo este rio
Trago um sonho danado sem fim
E vou recordando para esquecer o vazio.
Trago um rio dentro de mim
E o caudal é a saudade
Brota nos meus olhos sem fim
E é sonho entrelaçado com a realidade
Trago as mãos cheias de nada
E meu coração palpitante
Desfolho palavras desinteressada
Que são pégadas numa areia distante.
Trago a vida transmudada,
De alegrias em tristezas,poesia fora de moda
Assim sigo ignorada, desta terra despegada
Perdida num vento que me tráz à roda.
Poesia amarga a minha mas sentida
Com o perfume campestre, selvagem,
que é meu predilecto, cheiro de rosa atrevida
espalhado pela aragem.
Desenterro recordações, nevoentas
Que são de todo o tempo por mim achadas
Junto as pontas da vida, já poeirentas
E escrevo, escrevo, sobre pequenos nadas.
natalia nuno
rosafogo
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