sábado, 4 de janeiro de 2025

mistério...



cada pulsação é uma quimera
coroo o meu dia de palavras
há borboletas à minha espera
que levantam meu desejo
de seguir no silêncio, 
no qual habita
o sopro da minha voz.

já a vida corre veloz
continua o coração a pulsar
apesar da solidão crescente
dos anos decorridos,
e dos sonhos feridos
visita-me o futuro
a alertar
como vai ser difícil e duro.

sobressalta-se o olhar
tento saber o que vem nesse «aviso»
sorrio-lhe com esperança, saúde
é tudo que preciso
mas ele, afasta-me do mistério
que esconde e, não quer revelar

diz-me apenas que há  poemas
ainda por conquistar.

natalia nuno

sábado, 28 de dezembro de 2024

o resto da minha metade...



procuro tudo
ou já nada procuro, nada sinto,
dou comigo a decifrar o tempo
e para mim mesma minto.

tudo mudo,
procuro-me nos passos dados
como quem procura um milagre,
revejo-me nos dias passados
e a vida é cada vez mais agre!

procuro nas linhas da mão
com a urgência de saber o que me espera
escuto aplausos que não existem em solidão
agasalho donde não surgirá
mais primavera

caem-me pingos de chuva na alma
e o esquecimento está sempre
presente e é cruel,
até este poema, veneno
na minha pele
lágrimas se vêm deter,
num assédio que faz doer.

persistir nesta paixão
procurar ainda abarcar sonhos,
esquecer horas de inutilidade

só queria viver feliz
o resto da minha metade.

natalia nuno



 

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

um não sei quê...

 há um não sei quê
que me faz lembrar
e neste desabafo que ninguém lê

deixo-me ir devagar,
- sem apressar!

a desvendar
este mistério que há em mim,
e ao mesmo tempo sentir assim,
o tempo correr,
tenho dias que vivo
como quem quer morrer

uma mão cheia de nada
momentos de bem querer?
já nada volta a acontecer.

agora, nenhum sonho é meu
e um não sei quê
que me faz lembrar
que meu céu empobreceu

- trago pensamentos a fervilhar

cansada da jornada,
minhas mãos são ainda
alvorada!
e a ti que me lês
não me perguntes os porquês,

há muito para dizer deste meu viver
as raízes que me prendem 
são mistério de vida
por Deus oferecida



natalia nuno

domingo, 15 de dezembro de 2024

estranho poder...




como um acorde dum violino
chegou a madrugada
entrei nela como criança feliz
pela aura do sol iluminada

encheu-se uma taça azul
de ternura
a encher o Mundo 
com a aura do sol perfeita e pura

sorria a erva
cantavam os pássaros,
voltou a mim a inocência de contemplar
mensagens de beleza,
que chegavam ao meu olhar

enlaça-me nos seus braços
- este novo dia!
é mais um testemunho da minha saudade,
como se ela fosse de ouro ou melodia

busco um grito de felicidade
no meu coração
mas tudo em vão!

de repente um frio 
no meu corpo fechado
o bulir gritante e vertiginoso
de mais um dia acabado

o coração em solidão,
logo o estranho poder da noite
que emita minha sombra e minha
imobilidade
não posso fugir, aqui fico
presa, à minha saudade.

natalia nuno




quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

apenas eu e o silêncio...

 

há dias cinzentos
que passam sem piedade
intensos de ilusões
e emoções,
logo nos pensamentos
silente a saudade

sempre a eterna busca 
da felicidade
mas a vida tanta vez 
é tempestade!

memórias guardadas
sonhos a navegar
e a dor a prever-se,
de tanto querer-se
o amanhã vislumbrar

a solidão nos escolhe
se ama ou se odeia,
e lá surge a Saudade
tecendo em nós a teia
invencível na memória

 às vezes traz voz de mãe!
em sussurros que me acolhem.

natalia nuno

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

já a manhã se assoma...



como é bom sentir o cheiro,
da manhã, 
deixar as palavras sossegadas
lembrar apenas gestos de amor

saudade o coração a sente
os olhos a lacrimejar dão a entender
como se pode ser indiferente
a esta saudade?
passam-se dias, fogem as horas
e por perto
logo a morte sem demoras

na solidão recordamos
amores vividos
que nos acordam o corpo e a alma
despertam todos os sentidos

a doçura também pode ser amarga
quando se extingue a felicidade
e a saudade, não nos larga

e de repente uma ânsia de ternura
um vai vem de sombras melancólicas
enquanto a saudade perdura
e eu ensimesmada, querendo deter
o tempo,
levantar o meu pulsar
decifrar a claridade desta manhã
com paixão por mais um dia no olhar.

sábado, 30 de novembro de 2024

sortilégio...



a saudade sempre vai comigo
enraizada nas lembranças
chamando-me, fazendo em mim
abrigo
deixo-a em liberdade 
e nos meus dias brota a nostalgia
e, nem os sonhos se convertem
em verdade.

agora, cada palavra é pássaro
que voa
é formosura escrita
é a saudade que grita
para que a dor não doa!

saudade sopro de ternura
traz-me o trinado dos melros
e a ventura de recordar a juventude
na brisa dos canaviais,
leva pra longe meus ais

urde os passos dum poema
é andorinha que rasga o vento
quando ela é o tema,
é paixão não é lamento

nasce a poesia, doce e bela
é mar no meu olhar,
logo a saudade a quere-la

e eu sou um navegante
é suave é amor, 
que enraíza em mim no instante.

natalia nuno