segunda-feira, 5 de agosto de 2024

de mim nem sinal...



este poema é escrito
p'la mão do acaso
um subtil grito,
em que a dor extravaso.

cai uma lágrima com rumor
de pétala caída
e a minha presença se evade, 
- desiludida,
guardo-o para uma futura verdade
e apagando-me, levo dele a saudade

minha mão já indolente
às vezes parece suspensa
o olhar cai sobre o poema
inexplicavelmente a dor adensa

os pensamentos são como trepadeira
as lembranças instantes perdidos,
nostálgica surge sempre a primeira,
ante o delírio dos pássaros, no seu canto
feridos.

descem os  últimos raios de sol
sobre a o poema, 
como um voo nupcial,
sobre delírio do entardecer
e de mim, nem sinal.

natalia nuno



domingo, 4 de agosto de 2024

a vida por um fio...



esqueci de como eram livres 
as águas do rio
esqueci que as ramagens
davam sombra
esqueci a harmonia ardente
da tarde
trago a vida por um fio
trago fé, que a primeira estrela
da noite me aguarde

fiquei de asas estendidas
entre dois mundos
o passado e o presente
duas realidades diferentes
vividas...

esqueci o despertar da rapariga
esqueci as borboletas
beijando as flores,
a cantiga antiga
e até velhos amores

esqueci o pássaro que canta
do ramo mais alto,
esqueci a nuvem coroando o monte
sou uma sombra em sobressalto
vento de outono no horizonte

esqueci a plenitude azul
das águas do mar
esqueci até o verbo amar.

natalia  nuno
homenagem à minha prima
amiga, que presentemente
não me conhece.

imagem do pinterest


sexta-feira, 2 de agosto de 2024

meu pensamento de gaivota...




olho o sol que irradia
vai abrindo claridades
no meu olhar o verde de esperança
e de saudades

desvanece a ave na azul
distância
um frescor acariciante me envolve
faço das palavras o meu sonho
e sonho de me ver criança

desvio meu pensamento  de gaivota
fico entre a felicidade e a tristeza
do céu azul sou devota
inteira minha juventude, na natureza.

meu sonhar de arvoredos
só o coração te contêm
e minh' alma em quietude
se detém

aquietam-se os meus medos
meu céu é um rio em movimento
eu tocada pelo sol nas ondas
do vento
distancio-me da dor e do tempo..

natalia nuno
imagem pinterest

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

palavras são voos...



o rio é o espelho
onde afogo meu rosto
e no arvoredo repartido
raios de fogo do sol-posto.

a medo escrevo
um pensamento inacabado
as palavras são voos
precisam de voar
instantes felizes 
onde ainda vive teu olhar 
enamorado

tão longe meu caminho
liberdade em teus braços
onde ficaram abraços, sorriso, 
tudo o que sonhei
e ainda preciso!

o vento vestiu-se de outono
bebeu da minha taça
deixa-me no inverno ao abandono
na obscuridade, na saudade,
enquanto o tempo passa.

natalia nuno
também reconhecida por rosafogo
imagem pinterest
poema escrito na sebenta, faz tempo
um pouco acrescentado.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

e é assim meu mundo...



haverá uma porta aberta
onde minha esperança habita
se a luz dos meus olhos queimar
o impossível não existe, basta tentar
e o sonho em mim se agita

trago um cofre de lembranças
no peito
entoo um adeus a cada dia que passa
é este o meu jeito
de viver em graça

quero viver sempre mais um
dia, em liberdade e paz
até chegar a hora
e não há sonho nenhum 
que não seja capaz
de sonhar, ainda agora

chovem-me no rosto
pérolas de saudade
fujo à escuridão para não me atolar
na solidão de verdade

e é ainda na voragem do sonho
que me encontro ou me perco
ora num poço sem fundo
ou num céu estrelado
e é assim meu mundo
acomodado...

nada me dói mais que sentir
a nostalgia da vida
dia a dia numa espera agonizante
os sonhos passados e os que hão-de vir
enquanto minha saudade clama
- pelo distante.

natalia nuno
imagem pinterest
apaguei sem querer este poema, 
estou a partilhar de novo, obrigado
a quem leu.






terça-feira, 30 de julho de 2024

migalhas de ontem...





as palavras não ficam quietas 
na minha boca
falo-te do mesmo assunto a toda a hora
das alegrias feitas de coisa pouca
e por isso quando estou a teu lado
penso que é sonho
que não pode ficar calado

os sonhos são migalhas de ontem
amores que tivemos
ao longo da vida, nunca esquecidos
ainda nos prendem, são como
gavinhas
deles, pouco dissemos, outros tempos 
que vivemos
memórias tuas e minhas.

são venturas que ainda temos
assim não caímos no vazio
neste tempo que nos acolhe e 
que acolhemos.

natalia nuno
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sábado, 27 de julho de 2024

olhei-me...



olho-me... tal qual sou,
é outono terei de partir
verso e reverso a vida passou
vivi ou sobrevivi?!
como será o advir?

por mais que escreva
nada escrevo
fico a pensar
se deva
- ou não devo!?


exprimo o que vai no coração
escrevo dia a dia
por alguma razão

solidão triste,
quase sempre saudade
sentimento, pensamento,
da vida, sonho e realidade

meu coração comovido
na Poesia procura sentido

estou e sou como as ondas
do mar
serei até que o coração
me deixar.

natália nuno
imagem pinterest