palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sábado, 13 de julho de 2024
quinta-feira, 11 de julho de 2024
o frio que em mim ficou...
sucedem-se um a um
os dias de espera,
passou o inverno
chegou a primavera
tanto ontem, como hoje
a vida me foge!
não há luz, nem escuridão
que toque meu coração
tal como é, tal como vem
o rouxinol canta
não o ouve ninguém
não há nada que me acolha
nem os frutos do meu jardim
só o poema me olha
em silêncio, com pena de mim
as recordações agarrei
com as pontas dos dedos
e nunca mais as larguei
sabe Deus os seus segredos
e o frio que em mim ficou
lembra-me a velhice d'hoje
saudosa de mim que estou
fico à mercê,
- da vida que me foge.
natalia nuno
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segunda-feira, 8 de julho de 2024
o sopro que sobra...
o sopro que sobra, a esperança
que nego, a lágrima persistente,
tiram-me o sossego
só o sonho, a tudo isto faz frente
os sentidos sofrem ameaça
e a memória é maré que passa
já tudo é inimigo
solidão sem trégua,
a vida tarde que adormece
tristeza a cada nova inspiração
contudo, ainda pulsa o coração
mas a memória esquece.
o esquecimento torna-se adulador
embora poderosa a lembrança
e a esperança
e assim, nem vencido, nem vencedor.
longo se faz o dia
a alma alquebrada
uma canção à lonjura e
o amor fecha a porta, deixa-a bem fechada
chegará então a hora da partida
sou matéria de colheita,
mas nego... nego o adeus à vida,
quando anda a morte à espreita
natalia nuno
imagem do pintarest
quarta-feira, 3 de julho de 2024
esquecimento...
às vezes quando a memória
esquece
fico como uma árvore nua
tendo em frente solitária,
uma folha de papel
em atitude de espera,
olha -me triste
e emoção em mim não gera.
há uma força que me impele,
estranha, como se fosse caminho
para a memória que parece
em desalinho.
aposto que é ela que tece
e inventa o poema p'la calada
redimida no silêncio
indago-me desta paixão desatada
e lanço palavras ao acaso
a única verdade, é que é a saudade
e o sonho, e talvez a paixão
que dão conta do meu coração
e lá vem ao mundo o poema
com resignação,
e o pressentimento,
do esquecimento,
da morte e do nada
natalia nuno
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domingo, 30 de junho de 2024
vôo de folhas caídas...
levam-me os pensamentos
a lugares onde nunca estive
quando a noite avança
e a saudade me alcança
me perturba e em mim vive
lembro todos os momentos
vividos junto a ti
agora mais lentos, como água morta!
parecendo levar-me no voo
perdido das folhas
através do olhar perdido
- quando me olhas.
procuro-te no fogo secreto
da noite
resgato-te do esquecimento
com palavras de fé e esperança
- entranço a alquimia na tua mente
e irrequieta como criança
sonho de olhos fechados
faço da alegria, presente,
que te ofereço docemente.
natalia nuno
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segunda-feira, 24 de junho de 2024
poema rebelde...
apaguei o remoinho da chama
fechei os olhos e pensei
porquê o poema reclama
se ainda nada lhe dei?
a chama azul surgiu
emanava da minha obscuridade
rebelde o poema sentiu
roçando na minha pele
- a saudade!
poema imprevisível na ternura
palpita em mim sem que eu queira
nasce como água da fonte fresca e pura
da saudade que do meu coração
- se esgueira.
poema com a luz da amendoeira
e o canto da brisa
lembra tudo o que fui e esqueci
e é de novo a ternura que precisa.
- já não quero outro céu
que este poema, que traz a saudade
de ti.
natalia nuno
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rio sem história...
é como um velho rio
sem história
esquecido, sem saber pra onde vai
de águas submissas
já sem memória
depois de longa viagem
atravessa a vastidão
a chuva aumenta o caudal
do seu pesar. e os sulcos no rosto
são bem traçados de solidão
inventa-se rio cristalino
como outrora
e regressa ao fundo da memória
fica o coração sem tino
é rio sem história!
a vida persiste
até ao último tremor
abatida às vezes na fragilidade
mas com a firmeza que ainda existe,
sonhos, são remoinhos d'águas claras
nas lembranças da tarde.
natalia nuno
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