segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

borboleta sem asas...






ausência de palavras
traz-me inquietude
sinto-me enclausurada
e ninguém me entende
não há nada que mude
ou dê rumo a esta minha estrada
o que a gente sente nesta negra
bruma, neste instante
em que até a palavra anda distante.

nos olhos trago cores de inverno
no pensamento sonhos amontoados
na memória a nudez, o vazio
árvore sem vida de troncos queimados
no silêncio onde me refugio
borboleta sem asas...

natalia nuno
rosafogo

pedacinhos de felicidade...


guardei poemas e cartas
guardei tudo para me deleitar
na contemplação 
as gavetas estão fartas
meu Deus...mas os poemas e as cartas
tocam o meu coração!
é certo que é peso morto passado
postais, poemas, fotografias,
de alguém que terei amado
noutros tempos, noutros dias
aquando da vida tranquila e sem pecado.
dou mil voltas aos papéis
tudo fica organizado, 
alguns atados com cordéis,
a cada um meu apego
pois cada um me traz saudade,
dou-lhes mil voltas não nego
para mim pedacinhos de felicidade.

fecho de novo as gavetas
calada...vendo como as coisas são!
coloquei madressilvas, arrumei as canetas
para mais tarde escrever, quando abrir meu coração.

não é isto ser feliz?!
não podem tirar-me nada
pois tudo o que sempre quis
tenho na gaveta fechada.
nas minhas veias corre um  rio estranho
e no pensamento sonhos em rebanho,
nas mãos fragrância silvestre
que resta dos carinhos que me deste.

natalia nuno
rosafogo
imagem pinterest

domingo, 21 de fevereiro de 2021

inventário de ilusões...




ouço o papel adivinhando
minhas ideias,
olhando-me sedutor
e eu olho as minhas mãos alheias
sem saber o que escrever
ou saudade ou amor.
dei à mão a dor na obscuridade
e vou tão somente falar de solidão,
ouço os caminhos do vento
e com saudade
muda, deixo-me amolecer sem alento.
as memórias dormem perto de mim
à espera que surja o esquecimento
a dor dos versos seja densa na folha de papel
e me esqueça por fim.

com insistência o papel me olha
na noite caem estrelas acende a lua
na jarra uma rosa tristemente desfolha
morre -me a palavra fico nua
mas eu serei sempre tua!
cerro os olhos para ver claro
tudo o que me levou o tempo avaro
choro por dentro, embacia-me o olhar
desce a angústia, a que não me quero entregar,
esculpo nos versos o silêncio que passa
e um inventário de ilusões,
por ora ninguém me abraça
morrem os afectos, restam recordações.

natalia nuno
rosafogo

sábado, 20 de fevereiro de 2021

fragmento de vida...



hoje pus de lado a folha amachucada
olhei-me nos teus olhos e senti-me acabada,
da minha boca adormecida, 
nem uma palavra saiu, 
nem uma palavra escrevi mas o que senti 
foi desilusão, quando teu olhar me despiu.
fiquei de rosto envergonhado
mas arrebatei o brilho do olhar
rememorei tempos felizes
e a saudade, deixou meu coração remendado
soltei o pensamento, esqueci o desalento
um pedaço da alma foi-me cortado,
meu olhar chora ainda ao lembrar o momento.

saudades em mim deixaste,
restam sobras d' amor agora,
desse amor com que me amaste.
mas tu com uma palavra sentida
chamaste-me a tua flor desfolhada,
então amamo-nos até de madrugada.
num abraço aninhados, dois loucos apaixonados,
motivada, peguei de novo a folha amachucada
resgatei a força e renasci para escrever
o quanto me sinto amada
e a beleza que há no viver.

natalia nuno
rosafogo
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

aninhada nos teus braços...




estranho sentir que vem de dentro
indefinido e delicado
trazendo-me como que um recado
talvez da tua ausência a saudade,
que de súbito chega em silêncio
me extasia e me invade,
apesar da distância a que me deixaste,
esqueço a hora, 
agora, já não há nada
que de mim te afaste.
bom é amar-te, como se tudo voltasse
a ser perfeito, 
sentir o lume do teu peito,
esquecer as sombras da despedida
agora nos teus braços me aninhei
e esqueci as lágrimas que chorei,
a angústia que dentro de mim recolhia
e por pouco não sucumbia.
há coisas que nunca esquecem
foi noutro tempo, hoje são
só lembranças de quando
o coração desesperava
ansiando a tua volta, esperava,
morria-me o tempo, sabendo eu
que a vida era breve
meus cabelos ficariam de neve.
a dimensão desmedida da minha saudade
e a angústia mais amarga
rasgaram-me o coração com intensidade,
são pesadelo que me atormenta 
e o pensamento não larga.

natalia nuno
rosafogo

uma janela que se fecha...



há sempre uma hora que morre
e leva minha alegria
uma janela que se fecha
o entardecer de mais um dia
na angústia do desconhecido
meu coração se aperta
carregado ainda de mais ansiedade
alerta o sentido
que me diz da minha saudade.
sonhos insatisfeitos
lá ao longe soterrados
e pelo tempo desfeitos
mas quero falar de esperança
de flores e sua fragrância
apesar de um tanto perdida
vivo abraçada à vida, bruma
que sou, que empalidece e se acostuma.

natalia nuno
rosafogo
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2005



terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

limbo do esquecimento...




tatuado no meu rosto o caminho
feito, a emoção do passado
que  recordo como ninguém,
o vôo  da minha  existência
que me ensinou a voar mais além,
sonhos que posso entrever e,
amor à vida inteiro enquanto viver.

inquietante sempre o dia que começa,
de claridade sombria, de felicidade veloz
faz com que esqueça, que após
a tempestade, surge a bonança
haverá de novo luz, alento
e a dor ficará no limbo do esquecimento.

indolente, fico meia adormecida
nesta infindável madrugada,
reconcilio-me com a vida
sussurro meus sonhos à almofada.
estou na fronteira da manhã
lá fora cresce o vento,
apagam-se as estrelas do firmamento
o sol é já um fio de ouro...
e a brotar em mim novo alento
uma nova vontade  de tudo amar
- que é tesouro.

natália nuno
rosafogo