palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
solto a imaginação...
o fogo no coração esfria
foi-se a antiga alegria
e meu peito se debate, com falta
de vigor, falta de amor!
só minha alma ainda canta e a poesia
é meu céu aberto de par em par,
é meu alicerce, minha saudade
solto a imaginação... deixo-me levar
esqueço a decrepitude da idade
acendo as candeias que na minha infância
havia, e assim iluminada, vivo mais um dia
lembrando coisas sem idade
hoje sou alguém de alma já gasta
mas o sonho ainda é meu, e, isso me basta
sinto o desgaste da memória
que já se deteriora, algum dia vou
encontrar a paz, aí terei os grilos cantando
à minha surdez, e depois talvez, oiça
o marulho das águas, que não têm parança
e o riso da criança, agora de sol vazio
entrando no crepúsculo do outono
remando ao frio inverno, ao abandono.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 3 de setembro de 2019
arder de amor...
todo o sonho acaba... inacabado
como um dia vazio e cinzento
perde-se o encanto a cada momento
e o sonho foi isco, mas é passado.
a m'alma está fora de mim
como se levada por um tornado
fica a saudade dum amor maior
abrigo o meu desejo de ti,
acolho-me na recordação plena que vivi.
todo o sonho acaba em desalento
e eu perdida na noite caída
sem que o coração sossegue,
ele que fabrica o sonho
e recria a vida.
todo o sonho nasce com sina de acabar
às vezes traz da meninice o odor
da juventude o amor, fonte de calor
no coração incandescente, logo vento forte
faz acordar, e a realidade tocar
o sonho acontece como por encanto
tudo me foge menos o amor
pois se te AMO tanto!
natalia nuno
rosafogo
sábado, 31 de agosto de 2019
mágoas que se prendem...
as coisas do dia a dia
são coisas com que me entretenho
como pequenos frutos que vou colhendo
desde o imenso tempo de onde venho
as lembranças vêm devagar até mim
e a vida parece-me imensa
e por fim, chego exausta ao anoitecer
o silêncio é meu chão e a saudade é
intensa em meu coração
os dias são de colheita, mas nem todos iguais
de mel ou de fel, de sentimentos desiguais
pequenas coisas na memória cansada
o coração nem sempre adormece feliz
e já nada vai mudar
e eu digo, sou a que nunca soubeste amar.
as coisas do dia a dia
são mãos vazias cheias de nada
são a alegria, de quando tudo acontecia
pequenas pontes que não chegámos a atravessar
pouca coisa que escoo calada
pensamentos a fazer de conta que meu céu é de luar
as coisas do dia a dia
são pequenas asas que me ajudam a voar
são de mim o retrato a preto e branco
são meu tempo de criança a brincar
vozes perdidas que consigo escutar
o caminho do rio a quem oiço o eco
que me segue, quando já me perco.
natalia nuno
volto a ser rio...
a amarga flor da saudade
traz lágrima que desce pelo rosto
curva-se este até os joelhos tocar,
e traz à vontade, a vontade de adormecer
sem tempo nem medida
e, calar a dor, desta saudade sentida
o rumor seco dos ventos,
uma ausência infinita,
as mãos caídas no ventre
num adeus mudo que a saudade
faz crescer de repente.
há sempre uma ânsia em mim
a pernoitar
volto a ser rio, como se ainda não tivesse
secado, deixo-me ao mar levar...
aceito este meu fado,
sonhos e alegrias ardem, na cegueira
das utopias...
e na passividade dos dias
que são uma eternidade,
de enfado, deixo na saudade o pensamento
abandonado,
na alma é sol posto,
a névoa encobre meu rosto
e o coração bate num silêncio agitado.
ainda assim, perdida num mundo sem espaço
quero sentir a terra de pé descalço
a ternura pelo cantar dos pássaros quero sentir
e brindar à vida enquanto ela em mim existir.
natalia nuno
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
libertação...
sinto-me solta na imensidão das palavras
perco o frio que à alma andava colado
e a vida em mim se ateia
e tudo vem à ideia
corre um tempo de memória, como
um encontro marcado, e um abraço estreito
dum amor que trouxe ao peito
liberto-o no sonho da viagem,
não ficou nada por dizer
junto ao peito só fez paragem
ficou tudo por acontecer.
e lembro este amor com ousadia
sem arrependimentos, com uma certa nostalgia,
ficou a sombra desse raio de sol
na memória que já se esboroa
vapor de água que escoa,
doce libertação nesta escrita
do que ainda sinto no coração
volto a ser daquele tempo
escrevo poema sem fim
com ilusões e verdades
poema a morrer em mim
nas traças das saudades.
natalia nuno
rosafogo
imagem pintarest
quinta-feira, 22 de agosto de 2019
e no tempo que sobra...
este vagar a que me entrego de corpo e alma
este doer que abraço sorrindo
esta chama a chamar por mim, saudade!
toda esta emoção vindo de verdade,
é poesia, ou remoinho de luz
ou o florescer das flores logo que é dia.
a minha alma a morrer, ainda
é plantio de amores no chão destroçado,
deste meu coração...
até que tenha um sopro de vida
não abandonarei o sonho
e no tempo que sobra
viverei sem medos, caminharei afoita
mesmo sabendo que a morte me cobra.
minhas mãos foram de afagos
cansaram de bordar sentimentos em poesia
nas manhãs orvalhadas, onde meus olhos eram lagos
e íntimas as saudades que com magia versos concebia
infinitamente doces,
de suaves e nostálgicas lembranças.
perco a noção da hora e vou pelo tempo fora
a sonhar esperanças,
apesar de tempo adverso
eu caminho e me fortaleço
trago a felicidade na emoção dum verso
na serenidade do pensamento
no entusiasmo com que teço a vida a cada momento
um dia o tempo me há-de entender
caminhámos lado a lado,
quando meu corpo não estiver mais acordado
e a saudade de mim, à porta lhe bater...
natalia nuno
rosafogo
domingo, 18 de agosto de 2019
nas horas vazias...
entrego-me à lembrança e fico absorta
a vida é tudo, é nada
entrego-me ao sonho nest hora morta
a vida é isto, chorada e amada, por mim
mais um sonho sombrio que a mente incendeia
nesta noite imensa que não tem fim
um mar de venturas e desventuras
que no coração fazem teia
na escuridão da noite tão escura
desmaiam estrelas no céu
em mistério os ventos me envolvem
trago saudades d'alguém
que um dia nasceu
e os sonhos não me a devolvem.
e assim vivo num lembrar permanente
a vida que foi tudo e agora é nada
sou agora nuvem que o vento esfuma
com o coração que ainda sente
até que a morte o consuma
nesta hora serena em que espero tão pouco
meu sonhar é ilusão e ventura
e por amar sempre este desejo louco
alteiam-se os versos nas horas vazias
e nascem plangentes minhas poesias.
natália nuno
rosafogo
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