palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quinta-feira, 8 de novembro de 2018
entressonhar...
agarro com minhas mãos este pedaço de esperança
e desperto para a luz, neste meu anoitecer...
cingida a ti, sempre que as tuas mãos tão amantes
leves, tocam os meus dedos e levam meus medos
sei que hás-de amar-me até um dia
há em mim uma voz juvenil que me canta
primaveras que florescem, rosas que se abrem
e crescem...
como calar tanto sonho
e tanto desalento que já nos pesa
nesta noite silenciosa, lembremos a juventude
generosa...
sem pressa, sem demora, caminhemos desde
agora...voemos como uma águia na azinhaga
esqueçamos a idade, existe amor e a mão que afaga
dá-me a tua mão, quero saber que existo
ajuda-me a subir só mais um pouco
há o vazio das sombras que me atormenta , mas eu persisto
mesmo quando tudo cessa e já se apouca
caminhemos sem vacilar
até ao encanto do amanhecer
como se fossemos um livro não acabado de ler
no entressonhar, como será para lá
do que já vivemos?
natalia nuno
rosafogo
domingo, 28 de outubro de 2018
mariposas no meu sentir...
olha-me sempre que quiseres
com essa demasiada chama
eu serei a tua presa, aquela que te ama
pousa a mão no meu ventre
e sentirei uma delícia extrema
adivinha meus pensamentos
adoça os meus lábios sedentos
e busca neles meu amor ardente
abre tu a porta a estas devotas carícias
ver-me-ás de pálpebras cerradas
e coração a palpitar...
mariposas no meu sentir,
a minha língua navegando na tua
e a esperar-nos, o melhor que há-de vir.
não deixes que minhas pétalas caiam
ao chão, levadas p'lo vento negro
faz de mim teu desejo, tua paixão
e ama-me em segredo
é esse amor que me ergue viva
teço teia, prendo meus braços aos teus
e elevo-me aos céus...
nossas mãos unem-se felizes
pensamentos ao abandono, nosso mundo é de prazer
tudo é triunfo e ternura,
enquanto o amor dura
e nos sente a envelhecer
hoje fizeste-me sonhar nesse abraço terno
neste ofício de amar
esquecemos o inverno da vida, a chegar.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
saudade das madrugadas em que me tinhas...
trago no rosto o tempo
no olhar o deserto árido
anos de solidão, como se cada um
pudesse trazer uma réstia de esperança
para continuara viver....
farta de tudo e de nada, a alma desorientada
tudo inútil, tudo ilusão
há sentimentos sempre em contradição
e o cansaço me empurra para onde não há saída
fico sem chão, só o meu coração
faz o que pode p'la vida...
quando a tarde cair, e o sol se afundar no horizonte
escreverei meia dúzia de linhas
onde misturarei emoções, deixarei
os pássaros cantar em meus lábios a saudade
das madrugadas em que me tinhas
e antes que o sono me vença
faremos amor, nem uma nuvem cobrirá a lua
só o luar fará presença, trazendo-me o calor da tua voz
e até o dia nascer, entre desejos e memórias
seremos só nós...
ficaremos no sonho antigo onde nos deixámos
- nesse fim de tarde em que nos amámos.
natalia nuno
rosafogo
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
mil pensamentos galopam...
tardes plácidas em que tudo sorria,
- bela era a mocidade
ingénua flor, à procura do amor
hoje sinto desse tempo saudade,
vão meus olhos
suportando da vida os escolhos
já a vida soçobra,
acabou o roseiral que em mim havia,
e as estrelas do céu que me beijavam
e abraçavam, levaram com elas minha alegria,
hoje rio e choro de saudade
ao lembrar-me ainda criança de tenra idade
tempo de ilusão e sonho
mágica fragrância, rosto risonho
tamanho alvoroço, emoção tamanha
asas de ave, o sol na voz
como é bom ter pra recordar, neste tempo
já sem surpresas, atroz!
deixo-o passar indiferente
fico na imensidade deste meu silêncio
chegaram os dias melancólicos
dum tempo inclemente
mil pensamentos galopam
a arrancar-me da solidão
agita-se o coração, sou ainda essa menina
que me fascina e me faz viver do sonho,
agora serena, com alguma esperança viva
o sonho dolente e a vida fugitiva...
trago nas mãos tulipas delicadas
e no olhar rosas desfolhadas
o tempo me abalou, mas meu caminhar é sereno.
natalianuno
rosafogo
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
os crisântemos vão morrendo...
procuro apoio, o sono já me dobra
e o sonho já me convida
dou por mim jovem, sentada à lareira
e minha avó mexendo o café
na cafeteira.... o outono vai adentrando
como a querer chamar o frio,
e ela mulher do seu tempo
no rosto mantém o desgosto e
no olhar o vazio
assaltam-me as saudades destes momentos
dias cinzentos, com a chuva a bater no telhado
e eu com um ar descuidado, libelinha sempre
a crescer, na esperança de voar
tudo em meu redor se aquieta
apenas dos galhos secos o crepitar
lá fora os crisântemos vão morrendo
enquanto eu vou dizendo, o padre nosso a
avé maria, e minha avó agora o terço dedilha
acabada a reza, um ténue suspiro de alento
escutamos a noite e uma solidão sem par
no céu nem uma estrela, o povo recolhido
e eu desenho no bafo do vidro
sonhos de encantar
estou bem acordada ainda
e minha avó sempre com esta tristeza que não finda
degrada-se a lembrança do tempo que foi feliz
e como pomba sem ninho, a felicidade
ficou pelo caminho.
na parede quase nua, apenas um retrato
do homem jamais esquecido
em seu coração de sombra já vestido
à luz da candeia ali ficámos depois da ceia
mais um serão se passou e eu durmo na minha lembrança
adentro-me em mim mesma, vou onde posso sentir-me
escondo-me atrás das horas, deito a cabeça no regaço da avó
e nunca me sinto só...................no sonho deixo-me afundar
e apalpo palavras para a saudade embalar...
natalia nuno
rosafogo
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
chega a hora...
a noite envolve a terra cobre-a em breve com manto de escuridão, já a harmonia da tarde se quebra, dormem os vivos, e minha alma erra, canta o rio com voz clara e sonora, enquanto no peito bate lento o coração, chega a hora, recolhem-se os pássaros nenhum ficou de fora, o ar é morno e à escrita retorno... o vento fala-me da saudade e aqui me deixo diante da vidraça enquanto ela me abraça, a noite chega silenciosa, só o vento em desalinho senhor da liberdade faz subir o perfume da última rosa, é então que finjo que existo e no sonho persisto, sacudo o sono dos dedos, invento-me pássaro, poiso nos teus olhos, cruzo-me com teus sonhos, mas não me atrevo a pousar os pés por não saber mais quem és!
natalia nuno
domingo, 14 de outubro de 2018
a noite morreu...
hoje não lembro onde deixei as mãos, queria tanto baloiçar nelas os sonhos, lapidar ilusões, deixar sentimentos ao rubro, acreditar que o sol ainda é sol, que no meu peito ainda há fogueira, soltar gritos, disfarçar as rugas desta casa velha... a minha cabeça é um baú de memórias, que as minhas mãos vão bordando no silêncio, no frio da insónia... mas, hoje minhas mãos não têm poesia, ficaram paradas no silêncio, a noite morreu e eu não as reconheço, talvez queiram que enlouqueça em paz, com a saudade a viver dentro de mim e a boca cheia de silêncios...
natalia nuno
uma pequenina e muito singela prosa, feita aqui e agora, neste domingo soalheiro, e que ofereço a todos a todos os meus amigos que gostam de ler.
uma pequenina e muito singela prosa, feita aqui e agora, neste domingo soalheiro, e que ofereço a todos a todos os meus amigos que gostam de ler.
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