palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
fecha-se uma janela...
é na nostalgia das tardes tranquilas
que espero o sol morrer no poente
para que a imaginação não caia
no vazio...
e me sinta menina perdida
tremendo de frio.
é um velho costume
deixar a brisa sussurrar-me
ao ouvido
onde a surdez lentamente
me aproxima do silêncio,
quebrando um pouco da vida
o sentido.
logo o negro da noite se instala
minha alma numa lágrima se
afoga...e mais perdida ainda
como o vôo duma folha levada pelo
vento, que não finda...
fecha-se a janela ao tempo que partiu
a velhice é agora meu mundo
e a menina sonhadora
jamais alguém viu...
acabou o fragor da festa
só a saudade lhe resta.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
se está triste não leia...
se está triste não leia
Chove que Deus a dá! A desgraça anda atrás de nós todos, parece um tempo apocalíptico, uns não tem dinheiro, outros não têm onde viver, que mais nos irá acontecer...qualquer dia ficamos proíbidos até de sorver o ar pela boca, O cinismo é tanto que uns dizem ver uma luz ao fundo do túnel, quando a gente sabe que nada regressa ao que era, qualquer dia começamos a trocar sap...
Chove que Deus a dá! A desgraça anda atrás de nós todos, parece um tempo apocalíptico, uns não tem dinheiro, outros não têm onde viver, que mais nos irá acontecer...qualquer dia ficamos proíbidos até de sorver o ar pela boca, O cinismo é tanto que uns dizem ver uma luz ao fundo do túnel, quando a gente sabe que nada regressa ao que era, qualquer dia começamos a trocar sap...
atos por acuçar e por aí adiante, a saúde é até ao esgotamento, o inverno vai ser difícil para quem pouco tem, passou o tempo da tranquilidade começa a depressão, tudo definha neste país a olhos vistos, e assim se vai perdendo a esperança, e sobra a indiferença quanto ao destino, o coração também se gasta e a mente obscurece, por mim vou escrever versos até ao fim.
natalia nuno
domingo, 13 de outubro de 2013
perdida em mim...
tenho frio...tenho frio!
colho lembranças na frescura
da noite...
neste volteio que é vida
que me faz avançar,
e recolho a palavra que me é dirigida,
que infantilmente ouço
como um eco
vindo do fundo dum poço....
vou ao fundo do tempo,
renasce em mim a ilusão
que nada passou,
deixo-me na adolescência,
como pássaro que voa,
e me magoa
ser agora crisálida perdida
ou prestes a perder
o sentido da vida.
os sons me chegam de longe
deles se desprende uma melodia
povoada de recordações...
trazem até mim emoções
pequenos nadas, o fogo
que me aquecia
na infância dourada.
deixo-me ir ao sabor do vento
histórias me contam as andorinhas
julguei-me perdida,
mas as lembranças minhas
chamam continuamente por mim.
dobrada ao peso da vida
presa ao meu destino
sonhando,
vou aguardando o fim
Levei a Concurso este poema no grupo Palavra Cantada , mas não ganhou nada...
natalia nuno
rosafogo
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
acalmia...
gosto da quietude
dum lugar ermo,
esqueço a vida que me deixa
e sem uma queixa,
na doçura do instante,
o pássaro em mim se solta,
e vôa...
tenho a felicidade de volta
e não há dor que doa.
esqueço o dia agreste
olho o azul celeste
e deixo-me em doce paz
e na quietude das coisas
só o vento mexe,
remexe...
e lembra-me com saudade
o quanto a vida é fugaz.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 1 de outubro de 2013
o meu silêncio...
harmoniosa é a quietude
da noite, onde o dia espia
o silêncio...penetrando-a,
e o coração pulsa mais lento.
a mágoa se foi na direcção
do vento,
uma lágrima à beira do vazio,
o sonho perdido,
na memória extravio
e esquecimento,
insistentes as palavras,
querendo que sonhe
sonhos que não terei jamais.
a janela abro de par em par
no papel um poema por acabar
a noite hoje está mais negra
noite sem fim, que me alucina,
já não cabem mais horas em mim.
esta noite que se estende
que abre silêncios em meu coração
o vazio cresce em meus dedos,
e as palavras murmuram
recordação...ainda outra recordação,
e nos meus medos, a solidão.
a noite cresce trazendo mistério
insondável
o silêncio é cada vez maior
e o desvario em mim a crescer,
tão dentro de mim,
como um rio que não vai parar
de correr
ou criança que corre sem fim.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
venho de longe
Venho sempre de longe
ainda e sempre carregada com o fardo
que é o tempo, tempo pardo...
que me põe nos olhos o cinzento
e romeira lá sigo descalça
como pastora
minhas memórias apascento,
já tudo se distancia
venho de longe
do tempo que tudo devora
trago comigo nostalgia,
e as mãos nervosas
vão semeando palavras,
rosas, que ninguém colhe
nutridas de amor, alimentadas
de esperanças, rendilhadas
de lembranças.
Venho sempre de longe
trago sonhos novos
que povoam minha mente
em noites de insónia
e eu a deixar-me morrer
apressadamente,
cansada de cismar,
do mesmo chão repisar
com passos fantasma
entre a multidão
e venho chegando em dia
de outono
à minha espera o eterno sono,
e logo se cala o coração.
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
gaivotas em céu de anil
será que o poeta canta? ou só lamenta e chora?
não, talvez só suspire, entre cada verso surja um sorriso e uma lágrima, no seu coração um poema inteiro, e nos olhos a alegria e o perfume da brisa do mar a encher-lhe a alma. irrequieta a poesia surge no horizonte e vem navegando pelo oceano e não cabe no peito do poeta, então aguarda-a como a um filho sente-se fadado e faz mais uma criação perante a beleza e imensidão desse mar azul...
os versos nascem como flores enquanto as gaivotas suspensas em suas penas se embalam indolentes :
saudade amor ardente
doce vibração sem fim
nesta tarde indolente...
és aberta flor em mim.
do mar vem a maresia
em mim um sonho lindo
o sol teus beijos me envia
sinto que morro sorrindo.
natalia nuno
rosafogo
algarve 11/09/2013
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