quinta-feira, 2 de maio de 2013

solfejam andorinhas


anda o coração assolado p'lo vento
minha alma enfeitada de solidão
a voz campainha de porta avariada
lamento, vazio,
ao alcance da mão
quase nada...

é assim que me vejo
soprada p'lo vento norte
prossigo calada
com medo do tempo
e da morte.

solfejam andorinhas
vêm vestidas de negro
óh saudade onde ando perdida!
fincada no coração em segredo.
palavras minhas
que habitam da minha alma
o chão,
lembranças minhas
que são minha condição.

natalia nuno
rosafogo
imag.net

sábado, 27 de abril de 2013

o que sinto...



o que sinto agora
me arde, me queima
acre melancolia
que em mim teima.

o caminho
é vinha vindimada
vagas de memórias,
sereno meu mar...
que tudo e nada me oferece
dia ameno,  dia  que adia
a morte,
o sol mne aquece
e  me mantém viva.

chove  apenas no olhar
e no rosto que um dia brilhou
e cantou e encantou
como um rouxinol,
hoje, terra morta onde bate o vento
e se foi o sol.
já nenhum espinho me fere
renego a compaixão
bati com  a porta
meu coração só quer
paz,
não se queixa, faz
que dorme....
num batimento uniforme.

natalia nuno
rosafogo
imag.net

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O Poeta está aqui!


o tempo leva meu rosto
rompe-me o coração na passagem
faz de mim  sombra
nesta viagem
abra-se a ferida
nesta casa abatida.

ficam os alicerces
feitos de raízes afeiçoadas
que já mal recordo,
com palavras magoadas
me deito e acordo.
voltam meus olhos ao passado
a querer resistir ao tempo
a querer reagir à crueza
até à exaustão
e o tempo a dizer-lhes ...Não!
agride-me violento
e me rasga o sono
ah...temo o esquecimento!
já me dói o que de mim perdi,
exausta sobrevivi...
resta o Poeta!
O Poeta está aqui.



segunda-feira, 22 de abril de 2013

simples, assim como quando brincava.



na memória
um tempo de passagem,
adormeço e acordo
deixo o poema em liberdade
ele é de meu rosto a imagem,
do coração a saudade,
da minha esperança um vôo maior,
a alegria que toma posse de mim,
o som da noite que ouço melhor.
é ponte onde atravesso o ribeiro
é do desejo o meu desejo primeiro

e tudo o que é lonjura
se torna perto...
perto na recordação,
que faz frente ao tempo
às minhas veias diz que não
e põe o pensamento em contradição.

vou fiando o fio do destino
neste tempo de passagem
sou entre o nevoeiro um peregrino
que deixa poesia na aragem.

meus pés ensopados no chão
e o poema a abrir-me o coração
vou bebendo o vento,
e gritando
um grito que não se ouve,
mas que alivia o pensamento
e nestas palavras agitadas
a emoção se move e me atrai
como uma chama
e por instantes me alucina
e lá volta a saudade
dos meus sonhos de menina.

e é desta substância que faço
o poema, simples assim como
quando brincava
e nada me aprisionava.

natalia nuno
rosafogo
imag net








sábado, 20 de abril de 2013

site desfigurado



No Luso Poemas, site de Poesia onde há quatro anos deposito meus poemas e onde colho já 327.000 leituras, há a grande preocupação por parte de meia dúzia de ditos poetas de elite de quererem fazer uma selecção onde vigore apenas a poesia que eles acham ser « a boa», e andam armados em críticos, baralhados, no forum cada um dizendo sua coisa e até agredindo-se uns aos outros, apesar de serem eles mesmo os ditos que se acham o máximo. Ora hoje dei lá com um comentário do Poeta que assina ....MERDILOV e diz ser da Rússia, e não resisti a trazê-lo para este meu espaço, ( onde eu sou a maior ), por que de facto, o que ele escreve é exactamente o que por lá se passa, o que querem fazer daquele espaço de poesia de poetas  amadores...  infelizmente em todo o lado há quem queira dominar.
Achei a sua prosa opinativa o máximo, para mim o mais correcto que li por lá acerca do assunto.
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este 1º pedaço de prosa é dum outro


" ...perfeito mesmo seria se houvesse uma forma dos próprios autores, já no cadastro, identificarem-se como "café-com-leite" (conhecem a expressão?). estes teriam um "salvo-conduto" das opiniões, demonstrariam que estão no luso-poemas apenas para passar o tempo, por terapia ou qualquer outro motivo que não envolva literatura..."

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Segregação. Formação de castas que propicia que os que se consideram elites dominem.
Os operários tem que morar em bairros proletários para não importunarem os bem nascidos com a visão que proporcionam aos que se julgam superiores,sua pobreza, falta de modos e falta de educação agridem nobres.
A classe dominante exerce um imperialismo no proletariado e querem trazer esse ranço autoritário aqui.
Na verdade, alguns querem é ficar entre os que se julgam iguais, elogiando-se uns aos outros. Qualquer um que ouse ser diferente é exterminado.

Mas tomem eles cuidado com os próprios atos. A história da humanidade é prodiga em exemplos aplicáveis. Primeiro vão expurgar excluindo os que cometem erros de ortografia e gramática. Não merecem estar aqui. Nos agridem com seus erros crassos.
Livres deles, vão excluir os que tem estilos dissonantes. É literatura menor. Não merecem estar aqui. Não vão fazer falta.
A assim por diante vão excluindo e destruindo a todos que são diferentes até que restem apenas um punhado de puros e bem nascidos que aprovam uns aos outros.
Mas, a fogueira das vaidades não os deixará impunes. Vão começar a policiarem uns aos outros, dentro de seu próprio grupo, atacando-se os iguais. O mais forte é o inimigo a ser batido.
Vai assim continuar num dantesco festim autofágico até que reste apenas um. O melhor de todos. O Puro. O Suprassumo. Venceu a todos. Não há mais quem o desafie.
Ao olhar para seu último texto, ele mesmo não gosta do que escreveu. E num achaque ortodoxo de puritanismo exacerbado retalha-se a si próprio. Afinal, ele é tão puro que não pode perdoar nem em sí mesmo a menor falha.
Fim da tragédia. Fecham-se as cortinas. Acendam as luzes. Mas, será que há alguém na platéia?

Dimitri Smerdilov



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quinta-feira, 18 de abril de 2013

moreno dos olhos negros (fantasia)



moreno dos olhos negros
negros de noite sem luar
trazes contigo segredos
que eu queria desvendar

com teu aroma de cravo
teu sorriso de felicidade
não és rei...e nem escravo
és da estrelas claridade...

teus olhos são sonhos meus
teu corpo rio onde navego
meus lábios presos nos teus
com amor a ti me entrego

meu peito quase não bate
afasto-me desta ansiedade
temo que tanto amor me mate
ou que morra desta saudade

no mundo tudo se move
assim o coração não pára
só o teu é que não ouve
batida, ferida que não sara

sofro a tristeza opressiva
mas que fatal sentimento
teus olhos negros são missiva
não me saiem do pensamento

quem dera pra mim olhasses
com esses teus olhos negros
melhor fora que me amasses
pra desvendar teus sagredos

natalia nuno
rosafogo
img-net

esta poesia é pura fantasia e foi criada próximo  ao ano 2000.


terça-feira, 16 de abril de 2013

uns dias aurora...



canto canções sem fim
imitando o rouxinol
ao sol e em liberdade,
trago-as dentro de mim
do amanhecer
ao fim do dia,
me causam saudade, alegria
ou agonia...
é  bom ou mau nem sei!?
é como um clamor
ou a ilusão dum grande amor.

tão pouco tenho a certeza
se me preenchem o vazio,
mas encontro nelas a pureza
do meu encontro com o rio.
rio que em mim corre
quanto mais só, mais o sinto,

que é em mim tranquilidade
e o sonho que não morre,
a grande necessidade
de me agarrar à vida...
como uma esmola recebida,
que é na boca sabor,
o que mais espero
e quero
nesta ilusão consentida,
que me satisfaz e
me deixo cativa.

na minha solidão em paz.

e eu sempre lembro
e bendigo DEUS que é meu amigo
e prossigo cantando canções sem fim
que trago dentro de mim
e sonho-me menina ainda,
me conheço e me desconheço,
uns dias aurora
outros sol-pôr
brisa que a terra namora
ou duma ideia o fulgor.

barco partindo não sei para onde
folha em  branco abandonada
mas sempre...sempre à vida afeiçoada.

natalia nuno
rosafogo
img.net