terça-feira, 3 de agosto de 2010

PALAVRAS VIGIAS DO TEMPO



















Palavras vigias do tempo


Fervilham pensamentos dentro de mim
Hoje, é a palavra quem fala
E meu rosto, minha vontade e assim!?
Também meu coração não se cala.
Minhas palavras são pobres, impotentes
Não uso palavras caras nem chavões
Defendo a poesia com calor e generosidade
Com poemas melancólicos, benevolentes
A minha poética vem de longe tráz saudade
E gritos que chegam aos corações.

Entrego-me à palavra com sofreguidão
às vezes dentro de mim adormecida
E se o pânico se apodera do coração?!
Vou perdendo a memória e com ela a vida.

Então meu sonho se desfaz aos bocados
Nada voltará a ser como dantes?
Borbulham em mim imagens de passos dados
Desafiando minhas horas amargas e inquietantes.
Trago um sentimento em mim arreigado
Sou sensível à palavra e seu rigor
No silêncio meu desejo trago amotinado
Talvez da idade, a tudo eu dou mais valor.

Meus versos se ficam sofridos, p'lo caminho
Já não querem ser lidos nem ouvidos
Talvez de afectos até façam ninho
Quem sabe?!
Não possam vir a ser versos queridos?!



natalia nuno

sábado, 31 de julho de 2010

DO QUE FUI SOU A SAUDADE



















DO QUE FUI SOU A SAUDADE

Eu,sou aquilo que sou.
Que nem eu sei descrever bem!?
Só sei que a Vida passou.
Por mim com algum desdém!
Já não sou folha viçosa.
Sou lágrima dum adeus!
Mas já fui rosa, e que rosa!?
Apagaram-se olhos meus.

Sou então aquela que fui!?
Digo sem receio nem agravo
Sou como tudo o que rui.
Mas já fui livre que nem ave!
Fui labareda ao vento,
Fui chama que ateou...
Hoje só espero o momento
De perceber quem ainda sou!

Se calhar não sou ninguém?!
Ah! Do que fui sou a saudade!
Pois se houver por aí alguém?!
Me conte do que souber a verdade.



natalia nuno

sexta-feira, 30 de julho de 2010

RECORDAR



















RECORDAR

A memória tem raízes profundas
Às vezes basta uma palavra, um cheiro
E ela nos leva para longe
Àquele tempo primeiro.

Fico calada a escutar
Um pássaro o silêncio rompendo
E meu peito não consegue calar
As saudades do meu lar
Vou lá voltar!Estou querendo.

Às vezes acerca-se de nós
Uma felicidade secreta
Mas que nos embarga a voz
 Duma tristeza fina, csaudade dilecta.
Que se vai espalhando, nos enche o peito
E não há outro jeito!
Nem palavras para descrever a sensação
Que nos vai no coração.

A noite invade-me
A àgua desliza no rio lentamente
E a boca sabe-me
A sal da lágrima que rola impaciente.

rosafogo
natalia nuno

quinta-feira, 29 de julho de 2010

sábado, 24 de julho de 2010

DESALENTO POÉTICO



















DESALENTO POÉTICO

Se a multidão me bater à porta?!
Digam, digam que já estou morta

Que deixo minha poesia em pedestal
Para perdurar na memória de alguém
Perdi-me de cansaços nesta recta final
Morro a cada hora despida de memória
me sinto ninguém.

Como posso alguma coisa querer?
Trago minhas memórias em remoinho
Andou a vida a me entreter
Colocou a saudade no meu caminho.

Esta vida que me tolhe os passos
A minha liberdade é toda ilusão
Vale-me a força dos abraços
E o calor que ainda ateia meu coração.

Meus olhos perpasso pela extensão,
dum longo passado que amargo acaba
Pergunto com a mesma tristeza ao coração!?
P'ra quê a força com que a Vida amava?!

Pégadas deixarei por aí!
Amanhã, pode ser falso andar por aqui!
Se a multidão me bater à porta?!
Digam, digam que já estou morta.


natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 21 de julho de 2010

POEMA DUM AMIGO










"Eu hoje sou nada!

E o nada não se vence!
Deixo esta queixa derramada
Meu crepúsculo já à noite pertence."


Quadra final do poema "P'ra mim que me perdi", de Rosa Fogo, publicado no site "Luso Poemas"

Não quero morrer dum tiro certo,
nem dum ar mau que me leve ao desespero,
nem dum fogo que venha de rajada...
Eu quero apenas morrer no verso,
nas rimas que não rimam entre si...
Eu hoje sou nada!

Quero se querer ainda puder
sentar-me ante o medo de morrer
e dizer-lhe tudo quanto pense...
Quero fechar os olhos e sonhar
que tudo vale a pena quando intento...
E o nada não se vence!

Por dentro de mim há labaredas,
fogueiras nunca extintas que me queimam
como os raios do sol à alvorada!
Há sons e fábulas que me dominam,
hinos e palavras a quem me entrego...
Deixo esta queixa derramada!

Trilhos tantos a quem me dei total,
inteira como só assim soube estar,
mater que não deseja quem a incense...
Pedras que o são, águas que lambi,
odor a terra, chão, suor, dor e risos...
Meu crepúsculo já à noite pertence!
Com um beijo do amigo,

PC

Em 20.Jul.2010, pelas 23h30
 
Quero guardar aqui neste meu espaço, mais este mimo que nem sei como agradecer
este belíssimo poema de Paulo César, Poeta da minha terra, colocado na pág. Poetas e Escritores do Amor e da Paz.
Seu Blog  «No Chão d'Agua»é composto de bela poesia.

terça-feira, 20 de julho de 2010

P'RA MIM QUE ME PERDI















P'RA MIM QUE ME PERDI

Voam os anos, subtraem-me os dias
Meus sonhos são agora inutilidade
Palavras velhas são minhas companhias
Tão velhas impregnadas de saudade.
Sinto a vida que me foge, fico amarga
Sento-me no meu tempo inventado
P'ra ver se esta dor me larga
E me deixa o dia de ilusões dourado.

Sempre o tempo a espiar-me!
Porquê este tempo a ameaçar-me?!

Deixo os cotovelos pregados à mesa
Murcha meu rosto em ânsias que explicar não sei
Afogo as horas nesta tristeza
E corro atrás de sonhos que já sonhei.
Dobro o jornal ponho de lado
Nem ler, nem escrecer me apetece hoje
É como se me tivessem as mãos amputado
Pendida a reviver a vida me foge.

Eu hoje sou nada!
E o nada não se vence!
Deixo esta queixa derramada
Meu crepúsculo jà à noite pertence.


natalia nuno
rosafogo