quarta-feira, 2 de setembro de 2026

uma miragem...



- uma mensagem branca passa pela mente, e esta vai macerando o esquecimento, mas nas sombras dos teus olhos, consigo ver com s meus, que o amor é mais forte e tenaz que a confusão  o caos que às vezes quer apoderar-se do esquecimento e apagar o odor a madressilva, o mel quente e o prazer que ainda nos atravessa... no oásis da memória continuam os sonhos como milagre, numa claridade distinta onde permaneces e eu continuo a amar-te... não fugiram de mim recordações que sõ astros vermelhos de verão a morar no meu coração...

natalia nuno

imagem minha

terça-feira, 1 de setembro de 2026

fragmentos...de vida



-  leio noite fora meus papéis que conseguiram ter existência ao longo de anos, neles, todos os sonhos, em palavras que ainda parecem esperar pela realização dos mesmos, vigilantes, por detrás de alguma sombra que os encerra entre quatro paredes... tudo se reduziu a palavras escritas e deixadas ao abandono, enterradas no tempo, parecem não poder perdoar-me...leio-as angustiada, já não lhes ouço as vozes, nem os olhares, nem sensações hoje bateram no coração, neste reencontro...o silêncio e um negro vazio,  companheiro das noites que afundam num subtil desassossego, neste  mar sombrio, em que as palavras, rompem a noite enferma...

natalia nuno

imagem minha

ilusões...



- tanto caminho por descobrir e tão pouco tempo para me encontrar comigo mesma, história d'amor sem final feliz, tem como horizonte a solidão, onde os sonhos se habituam ao vazio, a minha sombra nunca me abandona e única obsessão é que não pretendo fugir dela...a vida foge, mas de vez em quando começa como se nada fosse, apenas um instante, e o sonho traz-me a felicidade aquela que nunca consegui alcançar...com um sorriso hipócrita, o inverno tenta convencer-me que ainda não passaram os dias todos da minha vida, que somos velhos companheiros e por isso não estou solitariamente só, que quando sonho tenho as minhas recordações, e toda a paisagem da minha terra, que me protege da dor do esquecimento...são cegas as ilusões, mas são velas acesas que reflectem luz em certas ocasiões...

natália nuno

foto minha

coisas minhas...



- as memórias são muito importantes em dias de solidão, são elas que nos dão aconchego, algum consolo ao lembrar os impulsos do coração quando jovem, os momentos de êxtase, todo o bem que vivemos, o presente é importante sim, não deixarmos perder a existência dos sentidos, sermos persistentes viver o melhor possível, não nos deixarmos cair no marasmo do vazio... para tentarmos decifrar o que há-de vir? o futuro é sempre duvidoso, misterioso, e pode ser um vasto tempo de gelo e silêncio...remeto-me na saudade enquanto a memória não estiver esquecida, apercebo-me da queda, mas o sonho ainda me vigia!

coisas minhas, a fazerem parte deste meu tempo de esperar, como poderia libertar-me e voar? tento harmonizar a vida com as palavras e esqueço a cinzenta rotina...ergo um fogo contra o tempo e minha noite fica constelada, e vivo na saudade daquele rio d'amor, que jamais se apaga...

natalia nuno

foto minha tirada na Escócia.

domingo, 30 de agosto de 2026

voltarás...



- virá a madrugada...deixará na noite a última constelação e trará o cheiro a ribeiros e a rosas do teu coração, voltarás, sim voltarás para mim, são os pássaros que me dizem...estendem-se os teus olhos dentro dos meus olhos, a esperança será a estação onde viveremos de novo, com a vontade sedenta dos jovens...revivendo poemas abandonados, estamos perto da estação invernosa, partiu o calor do verão, o sol ainda penetra nas sombras das ramas, e ainda se ouve a canção de estío, cantatas das cigarras, tudo ao compasso da brisa que surge da planície, tudo é felicidade, a tua chegada acontece na espessura da tarde com fogo e alegria, nossos corpos se unem...somos aves que voam no sol do ocaso, livres, de asas estendidas...

natália nuno

foto minha

de pensamento em pensamento...



-  há pelos campos flores baralhadas, remando contra a força do vento, morrendo açoitadas, assim, morrem os sonhos no silêncio dos que sofrem de saudade, ao peso das lágrimas...vivem-se assim tempos de asperezas, onde o remédio é resistir às pressões do dia a dia, ando para aqui de pensamento em pensamento, interrogo-me constantemente do porquê nem as flores escaparem com vida, e numa rapidez espantosa serem despetaladas no encontro com o tempo, oscilante é a vida, ameaçador o tempo, fico a sonhar indiferente e sem vontade, tudo fica assim mesmo...só o coração pode mudar e transformar o nevoeiro instalado em sol, abrindo o verão e agasalhando de novo a esperança, enquanto eu sonho... o céu parado, o verde das hortas, a tarde tranquila, os rouxinóis a despedirem-se, os mochos aguçando o apetite a noite a aproximar, a coruja a piar, e nós os quatro na cozinha comendo a sopa de feijão tranquilamente, o pão na mesa e a chama na lareira, a candeia alumiando, fecham-se os olhos de sono e num golpe de asa... pus os pés em casa... mas, era sonho!

Seja manhã ou já tarde no dia, tudo chega ao fim, não lamento, pois trago em mim Poesia, que é festa no coração partido de saudade e é, dança nos meus dedos, ou até flor cheirosa no jardim... saudades trago de mim.

prosa escrita faz tempo, sem presunção de ser escrita requintada, despreocupada, escrevi-a consoante me surgiu na mente.

natalia nuno

foto do pinterest