sexta-feira, 13 de março de 2026

lá onde abandonei a inocência...




no norte das minhas palavras abandonei a inocência, lá onde tudo era sonho, onde era seara e girassol, onde lavrava a alegria, onde havia lufadas de sol onde via regressar as papoilas vermelhas e os pássaros construíam ninhos nos beirais dos telhados...as estrelas vazaram, e trago agora os olhos molhados...fico a secar os olhos embaciada de emoção, sigo por entre a maresia à minha procura, porque me dói não saber quem sou, nem onde estou, não me reconheço e sempre que a mim regresso há um desajuste entre o sonho e a realidade, parto com velocidade... que mal fiz eu...quem secou a flor em mim?! de trigo eu era...hoje sou girassol que morreu, assim morreu-me também o tempo...sou pássaro no escuro à procura dum pouco de primavera... sigo caminho com o afago do vento não me deixo entristecer, não quero mais palavras, que já nada têm para me dizer...

natalia nuno

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quinta-feira, 12 de março de 2026

quando a alegria se aposenta...



- recordo o  tempo que foi
e o que me resta
nas rugas do rosto, 
que a nostalgia lhe empresta

há um caminho que me escapa
uma sombra a rodear-me
uma esperada sentença
que passa os dias a esperar-me

uma melancolia cinzenta
quando a alegria se aposenta,
um muro embaciado que cresce
na desmemória enegrecida
p'la humidade,
- num muro escuro,

mas ser-se humilde é aceitar
a vida.

a felicidade é uma árvore 
de raízes fortes, tenaz
e a saudade recolhe-se num coração
- em paz!

desfraldo minhas palavras em cristais
de orvalho
e, é delas que me valho.
gosto da nudez da brisa e do azul
desta estação,
e da luz do sol que é perfeição!
atinge-me com sua ardente energia
e assim soletro a chegada 
de mais um d.i.a.

natalia nuno
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