sábado, 21 de fevereiro de 2026

audácia de sonhar...



quando o vento levanta a voz 
num canto quezilento,
bate o coração apressadamente
fica o céu cinzento.
a bruma sempre presente
os mares fustigados
silêncios demorados
na memória e na pena
e a terra ferida...

um relógio sem ponteiros
marca a falta de paz na terra
que ora sofre de tempestade
e outros males como a guerra
nem sequer o amor basta
nem a poesia floresce
para adoçar o vazio,
a lágrima solitária cresce
e a terra é humilde abrigo
com paciência se espera
letras para poder esquecer
que a felicidade tão esquiva
venha enfim nos oferecer

vida plena, que se instale
de novo a audácia de poder sonhar
que acabe o mal
sem receio que a paz não seja para ficar.

natalia nuno
imagem pinterest


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

uma paz fatigada...



este raio de sol é como caudal de ouro
cuja claridade me estremece
é tesouro
irresistível, que nos move,
e depois da tempestade
do sol a saudade...
 
dele trazia a vida vazia,
a alma fechada
e o coração estremecia

entretanto de novo chove
contra as inquietas malvas
dos penhascos,
nem o alecrim resiste,
triste, 
fica também
o cântico do abelharoco
oscilando nas ramagens
à roda do vento louco

restam os lilases molhados
ávidos por lamber o sol
no cinzento da manhã orvalhados
até ao esvanecer a luz do arrebol

surge a hora de silêncio, 
rasgada de vozes do passado
subitamente sinto-me a quebrar
com o sonho desatado
e, nem asas para voar.

a chuva emudeceu
deixou uma paz fatigada.

imagem pinterest
natalia nuno
( abelharuco, na aldeia onde nasci,
abelharouco)