palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sábado, 2 de junho de 2018
partiram as palavras...
desconheço onde param minhas palavras
talvez pela rua da amargura
ou morrendo de cansaço, caindo como fruta
madura...
abandonaram minha mente
incendiada, e fugiram na noite pela calada
ficou meu olhar triste, sinto a lágrima
ainda quente,
na pele enrugada, ficou a emoção
e não há nada que deixe antever de novo a alegria,
mais lenta ficou minha mão
e maior é a solidão, e a melancolia
pouco a pouco despovoa-se o pensamento
palavras fizeram a última jornada
coisas soltas, aqui e ali, chega o desalento
partiram as palavras para a eternidade
metade metáforas ilusórias
e a outra metade palavras de saudade
já não tenho nada de que me lembrar
na passagem do tempo adormeceram
sentimentos, talvez um dia possam voltar
assim como as palavras que eram o porto de abrigo,
e se a dor aguentar
terei de novo o sonho que reparto contigo.
natalia nuno
sábado, 26 de maio de 2018
um sonho após outro...
meus dedos leves embalam sonhos
num rodopio, nada os detém
escoam-se em lembranças de hoje e d'além
emocionam-se ao meio da tarde
e o coração é fruto a crescer de
ansiedade...
o tempo morre indiferente
a solidão entra pela tarde e logo se alonga
mas meu sonho é verde, dá-me esperança
aprendi a semear e a colher
e o sonho vêm-me de criança.
e nesta condição aprendi a crescer
meus dedos são pássaros cantantes
que falam de mim em todos os instantes,
ouço-lhes os passos a voz e o respirar
e quando me sentem perdida
renascem prá vida, e eu recupero o amar.
meus dedos são flores solitárias
com eles invento secretas primaveras
sonhos rendilhados quimeras irreais
vôos cegos de pássaros sem asas
que levam para longe minhas penas, meus ais.
ponho-me a olhar o vento
a ouvir-lhe o lamento
e não estou só!
sinto-me a seara que o sol dourou
e em algum momento a vida me abandonou.
quando a desesperança me dá um nó
sou tudo do que me escrevo
vivo de emoções e sentimentos
quimeras que escrevendo, a sonhar me atrevo.
natalia nuno
rosafogo
Meu sonho nasce onde?
Meu sonho nasce onde?
Sonho duma vida cumprida
sonho que se desfolha
como o cair de folha a folha,
na cena da lembrança...
Dou comigo a sonhar-me,
vejo-me criança
e vou para mim a correr
dou a mão à madrugada,
vou sempre ao mesmo paradeiro
fico de vida cercada
nesse longuínquo Janeiro.
Meu sonho é oração rezada
nele volto ao passado
e há frescura e perfumes
no ar
descubro meu olhar molhado
deixo-me de saudade chorar
Nesta dormência, volto lá
ao tempo da inocência,
lá, onde venturas sonhei
e é lá, onde me sonho
que sempre me acharei.
natalia nuno
rosafogo
1999
quarta-feira, 16 de maio de 2018
minhas águas já se aquietam...
na saudade onde me aconchego
as lembranças são moinhos de vento
a rodar sem parar
fico a sentir distante a primavera
e meu rio pronto a desaguar no mar
dum outro lugar
colho flores p'lo caminho
assento meu olhar no poente
numa fugaz eternidade me sinto gente,
gente que traz saudade
encharcada de sonho, esquecendo
a realidade,
lembranças que a cada dia se repetem
sentidas e distantes, num mar
de marés
a cantar em mim os verdes da infância
descalços os pés
e o olhar doce de criança.
quantos porquês ainda procuro
faço o caminho da foz à nascente
caminho de lembranças, os pés em chão duro
mas levo comigo o sol na mente
povoo a minha memória de laranjais floridos
e deixo-me na penumbra desses tempos saudosos
onde os sonhos eram desmedidos
e meus cabelos negros sedosos.
as horas se alongam, perdeu-se meu verão
é agora inverno de solidão
deserto na minha alma e silêncio pesado,
perdi o caminho, é agora de cinzento toldado
meus dedos são asas e estão de partida
levo a infância...e na memória uma vida.
minhas águas já se aquietam...
natália nuno
rosafogo
terça-feira, 15 de maio de 2018
é louca esta saudade...
Tenho saudade nem sei de quem
Levo a vida a pensar nisto
Sei lá donde a saudade me vem?!
Mas chega e eu não lhe resisto.
Saudade louca sempre a crescer
não me deixa entregue à solidão
Saudade que mais ninguém quer
sem ela m'espírito vagueia orfão
Deixo-me no sono branco d'águas
saudade é ave que canta no ramo
e o rio é q'esconde minhas mágoas
Saudade amargo doce em m'coração
q'inventa sonhos e sabe a quem amo
a quem dou a mão e partilho solidão.
natalia nuno
rosafogo
2001
Grito em silêncio...
trago meu grito rouco
insuportável, a doer
num desespero louco
ah! quem me dera saber
dar voz a este poema errante
mas nenhuma inspiração neste instante.
nesta primavera breve, nenhum sentimento
preciso, até a saudade é fugidia
eco do vento, melancolia
esqueci minha voz
ignoro a cor do olhar
a lágrima atroz
que não desprende
é talvez um misto de saudade
a calar, este grito
sem gritar.
ave presa, a querer voar.
voar, voar...ser de novo pequenina
crescer, viver em liberdade
ser viandante peregrina
num tempo de saudade,
esta sede que trago
ousar-me partir à aventura
rasgar o amargo da solidão
e soltar este grito que calo
em vão.
natália nuno
rosafogo
sábado, 12 de maio de 2018
oásis de ternura...
a saudade sempre me procura
e eu numa ânsia me entrego
é meu oásis de ternura
traz-me o sonho ardente a que me apego
deixa-me a viver nos aromas da infância
numa embriagadora essência de luz e água
num pomar de frutos e pássaros em frenesi
perto da menina, que nunca esqueci
numa indomada alegria esqueço a mágoa
nasce em mim o sonho, a doçura e o prazer
e eterna me sinto nesse instante
a ponto de pensar que não vou mais sofrer
sigo adiante, celebrando o viver
afasto de mim as sombras
esqueço as marcas na pele
meu sonho abarca uma distância maior
acalmo a intempérie e, rendo-me ao amor
sento-me junto à solidão da trepadeira
a ver a tarde prenhe de luz
alheia ao rumor da vida,
só de mim se abeira a saudade
numa ânsia de tocar-me
e puxar-me para a outra margem
a vestir-me com verdes da primavera
como se ainda, o amor estivesse à minha espera.
natalia nuno
rosafogo
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