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terça-feira, 8 de maio de 2018

homenagem a natalia nuno





Um poema com que me homenagearam duas amigas que eu estimo...no dia do lançamento do meu 1º livro «Pesa-me a Alma»...faz sete anos.


É um campo verdejante
onde a rosa é fogo
que inala fragrâncias amenas
é a luz na alma
que recorda a infância serena
numa guitarra a lacrimejar saudade!
Uma cadeira que baloiça
nos orvalhos onde a poesia se derrama
pétalas no auge da felicidade
uma lágrima em sulcos
com o fulgor de um imenso sorriso
nas rimas em espontaneidade…
Nos desígnios pintados no céu
PESA-ME A ALMA
a veste do sonho na realidade alcançada,
a conquista das páginas
que para nós ficam para a eternidade…
Um olhar de força em plena amizade
um arrebatar de verdade
na imensidão de uma mulher
que se ama com sinceridade!

Poema de Ana Coelho com a leitura de Manuela Fonseca

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 4 de maio de 2018

perto da foz...




faço balanço, a vida foi passageiro
instante, hoje estou entre a luz e o chão
meu andar é hesitante
e a dureza do tempo varreu meu coração
como uma tempestade, agora é nele
rainha a saudade...
minha memória esconde recordações
como grilos que se escondem nas moitas
p'lo verão,
e, no meu coração
as saudades daqueles tempos primeiros,
meus sonhos besouros nos olhos verdes
dos salgueiros...
tudo me lembra a menina em mim cativa
sempre a minha mão escrevendo a afaga
quero-a sempre em mim viva
por mais saudade que me traga

queira ou não queira, quero-lhe demais
a saudade dela se funde em mim
é ela que escuta meus ais
é nela que me vejo nesta aventura
a chegar ao fim
faço o balanço e rememoro
nas horas lentas, mas que se esquivam
vivo, faço e desfaço, mas já não choro,
é inverno a estação a que me abeiro
deixei meus olhos no outono
para trás ficou um sonho inteiro.

corre a tarde a meu lado
a nostalgia habita o meu peito
tudo o tempo tem gerado, tudo me tem dado
mas nem tudo foi bom, nem perfeito.
olho para o dia que vai a meio
a solidão empresta-me um pouco de liberdade
não a temo, não lhe tenho medo
traz-me um gosto doce a saudade.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 2 de maio de 2018

queria saber-te por perto...



trago sentimentos em erupção
conto as horas, como se fosses chegar
sei que não virás ainda, diz-me o coração
cresce em mim a saudade e a vontade
e o milagre espero, da
tua vinda...
já nasceram no jardim os narcisos
e nos campos os lírios
mas não morrem em mim
estas saudades que são martírios.

não sei se o dia de amanhã existe
cortei falas à saudade que persiste
à minha volta em rodopio
forçando aproximação,
se choro ou se rio,
se murcho de melancolia bate forte no coração
e obriga-me a esta emoção
toda a noite, até ao limiar do dia.

conto as horas, como se fosses chegar
com o florir da primavera,
meus olhos fixam-se na ideia de estares presente
e é uma eternidade a espera
e meu corpo sabe que estás ausente,
quantas emoções liberto neste fugir à realidade
queria saber-te por perto
nas constelações deste sonho
de saudade que me suga a alma.

natalia nuno
rosafogo



terça-feira, 1 de maio de 2018

alquimia...



olhando-me há sempre um pássaro negro
pairando sobre mim em observação,
e não sei com precisão
quando me arrancará o coração
desce em vôo picado,
do nada
roça as penas no meu rosto.
cansada, deixo-me presa
em silêncio, ensimesmada.
o entusiasmo esmorece,
os  cabelos branqueiam
e não há como ripostar
acontece,
impossível recuar
e a jovem que era audaz
de pouco é capaz
fixo os olhos sobre o céu cinzento
onde uma ave cinzenta bate asas
suavemente, e penso, como um rio lento,
se ao menos fosse um regato, precipitar-me-ia
pela montanha num suspiro de alívio
serpenteando o corpo d'água fria
numa constante alquimia

mas, uma ave negra virá com voz sonora
e me dirá... está na hora!
aí serei como chuva tardia
que chega, mas parte no dia!
os anos foram-se rapidamente
tomo uma chávena de chá forte
e mais uma vez me deixo à sorte.

natália nuno
rosafogo






quinta-feira, 19 de abril de 2018

ontem chorei, hoje não!




ontem chorei, hoje não!
ontem foi sombrio o dia
caíram ramos pelo chão
e eu, tive a saudade por companhia

que levas de mim perguntei
o tempo, agarrou-me p'los braços
não é ilusão nem sonhei
segue-me a sombra, os passos
passei m' tempo convencida
que o sol não obscurecia a m' vida
soltava um pássaro na retina
e seria para sempre menina
o silêncio queima-me os sentidos
como se nada houvesse além da solidão
dia após dia, tantos dias perdidos
meu sentir caído ao chão.

procuro a lógica do pensamento
enquanto o silêncio é eternidade
conjugo o destino neste momento
mas sei, viverei eterna saudade

ontem chorei, hoje não
não é meu intento olhar atrás
embora o olhar insista na comtenplação
dos verdes anos e, me traga
cativa do tempo...já tanto se me faz!

natalia nuno
rosafogo


sexta-feira, 13 de abril de 2018

tudo não passa de ilusão...



soltaram-se as águas dos meus olhos
testemunhas da minha solidão
de tanto que te esperaram
em vão...
são lágrimas que não pude adiar
pranto até chegar as madrugadas
com a saudade que não sei calar
noites de insónia atormentadas.
enquanto as noites envolvem a terra
e a minha alma pelo silêncio erra
- o vento chora
eu espero por ti tristemente
e vou escrevendo um verso dolente.
vou percorrendo meus dias à espera
talvez assome um pálido sol
o céu se tinja de azul
as aves voltem do sul
e o arco-íris fique ausente

mas a paz há-de chegar-me
e o teu amor incendiar-me
voltar a sentir o pulsar da vida
esquecer a hora que trago em mim adormecida
e depois será tudo ou nada ao mesmo tempo
beijar-me-ás os seios como da primeira vez
será tamanha a ousadia,
tuas mãos em rebeldia
deixarão meus sentidos em avidez

tudo não passa de ilusão
de mais um sonho caído ao chão,
o passado me perdeu ou eu o perdi
os anos não volverão
mas eu espero, com saudade de ti.


natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 6 de abril de 2018

a ilusão do eterno...



em mim tantos Janeiros
de abençoados sonhos
bons decerto os primeiros
hoje meus dias tristonhos

rumoreja baixinho o vento
passa a lua,  tão prateada
inconfidente o pensamento
no coração nova toada...

mastigo as horas, teço fios
tudo dou, tão pouco recebo
semeio palavras em vazios
se florescem nem m'apercebo

meu retrato, retrata a dor
agora de tristeza me visto
sou despetalada flor...
na moldura onde m'avisto

uma esperança feita de nada
rosa rubra, já sem alento
gestos indolentes, agastada
dor q' não se vê e é tormento

é agora outono nos m'braços
afogo-me num lago de emoção
de nada serve apressar os passos
nem apressado trazer o coração

natalia nuno
rosafogo