palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
suspendo-me nos silêncios...
nesta atmosfera tão sombria do entardecer
agita-se a folhagem batendo-me no rosto
é o vento querendo-me dizer
da profundidade da saudade
que me fere o coração.
as folhas agitadas, balouçadas
com o meu pensamento,
os sentimentos divididos, gotas de água,
temporais de mágoa
gemidos do vento que trazem o eco do mar
deito a cabeça no teu colo
e não quero mais a mim regressar
esta tarde recaio na melancolia
desalojada de sentimento
carrego nos ombros o cinzento deste dia
ponho o olhar no poente
é evidente minha solidão
é como se estivesse esquecida
desses dias que tão longe vão.
olho a terra molhada, lágrimas
que caem do céu...
faz-se noite, é a despedida e eu
penso como é monótona a vida...
mas, talvez tudo seja ilusão
meu corpo vai bebendo da saudade
vou perdendo chão e trancando-me
na solidão...para esquecer a realidade.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
madrugada fria...
as cortinas corridas, os estores corridos
soa-me o bater de asas aos ouvidos
com a chávena do café em frente
penso que talvez a morte que temo
me seja agora indiferente
a luz não entra, doem-me os sentidos
fecho os olhos e finjo que anoiteceu para mim
e assim, permaneço de mim esquecida
cansada do sonho,
cansada da vida
louca me reconheço, meus versos
são vagos, sem rumo,
longe da realidade
mas sem sonho ninguém vive
e vive sim, em mim a saudade
a vida não sei se tive
nem sei porque ando perdida
vou-me extinguindo como uma chama
que se apaga no cinzeiro do tempo,
as palavras afastam-se do que quero dizer
e, a alma esvazia-se de emoção
no rosto é visível a solidão...
entreabro as cortinas, o sol raiando lá fora
já não há treva que me assuste agora.
esqueço a obscuridade, sou livre como ave
trago comigo ainda amor e muita saudade
contemplo o horizonte sem sombra de melancolia
fico a ouvir o assobio do vento
nesta madrugada fria,
e sonho... iludida numa falsa eternidade.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
estremecem as madrugadas...
as tuas mãos são aves do paraíso
que voam na paisagem do meu corpo
percorrem os trilhos sem juízo
até às portas da madrugada
e o tempo é terno enquanto caminhas
ressuscitando a minha vontade
dos tempos de loucura
de que nos resta saudade,
mas voltas e é sempre nova aventura
e a tarde arde ao rubro
e é aí que eu descubro
que o nosso amor é de verdade
quando as tuas mãos se afundam
exprimo o meu desassossego
o tempo ri de mim e de ti
mas o nosso sonho ainda mora ali
o amor fica de sentinela
e a serenidade na alma
´- o tempo o coração gela.
atormenta-nos ver a vida a cair
nossas mãos estão carregadas de doçura
e há estrelas nos nossos gestos
e infinitamente nos amamos com loucura
e amando-te assim infinitamente,
descubro que invento palavras meiguissimas
esqueço tudo o que é triste dou um passo em frente
e carinhosamente voo no sonho enlouquecida
assim corre a vida,
estremecem as madrugadas
quando nos amamos...
natália nuno
rosafogo
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
a pingar melancolia...
quando me encosto à solidão
ninguém me pergunte nada
que irei permanecer vazia
de memória esfarelada
com pedaços de noite e ideias cegas
de nostalgia
na mão a folha do poema pronta
a boca de palavras inundada
o poema treme de comoção
pronto a nascer
ninguém nos faça afronta
que somos caudal de rio
pronto a correr...
a pingar melancolia,
nasce o poema quando ainda a noite
se prepara para dar vida ao dia...
fantasias na minha imaginação
palavras agitadas irrompem da minha mão
e num só instante o tempo passa pelo tempo
e tudo me é indiferente
e a palavra fica doce e inocente
surge a lua na janela desaba no vidro baço
e nem eu lhe mostro o que faço, nem ela
se quer retirar, mostra-me o seu rosto lunar
duma beleza sombria, pouco a pouco
uma chuva macia e o choro do vento louco
a minha sombra tomba na escuridão
choro os dias que sonhei então
e o rosto já não é o meu
e na minha essência de lua sou estrela
sem fulgor que emudeceu...
natalia nuno
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
chove na minha alma...
há arbustos que obscurecem minhas tristezas
sentei-me à janela a olhar o presente
sem certezas, cansada das madrugadas
enquanto meu sonho dormia
e na minha alma chovia.
passavam as nuvens no céu cinzento
deslocavam-se para o fim do mundo
enquanto meu pensamento por mim
passava moribundo...
a noite foi minha companheira
tudo ela silencia, traz no ventre um novo dia
de sonhos é mensageira
depois virá esse dia com névoa, que m' arrasta
e da vida mais me afasta...
tudo é absurdo nesta alma nostálgica
o corpo insiste em lembrar que não vale a pena
na expectativa de coisa nenhuma
continuo, meus passos...serena!
minha inspiração determina
que me sinta sempre menina, menina ágil
uns dias forte, outros dias frágil.
com minhas mãos toquei o céu
perguntei-lhe como seria a eternidade
desceu um pouco até mim e respondeu
vive a vida, vais ter dela saudade.
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
liláses tardios
amanhece, o quarto de sombra carregado
é a solidão dos dias cinzentos
em mim, lamentos, o pensamento calado
mergulhado num mar profundo
onde a luz não faz morada
penso na vida sem regresso
para a terra fria virada,
na manhã tropeço
no orvalho escorregadio
saio do submerso vazio onde perdida
vejo a vida a envelhecer
só o coração guarda a vontade de viver
a janela nem vou abrir
olho por dentro do vidro a lacrimejar
e não é nada, absolutamente nada o meu sentir
é o tempo... o coração a esquartejar.
como se pode matar as memórias de vez?
como pode este dia ser tão triste...
talvez, que os liláses tardios esquecidos
no jardim, falem por mim...
deito a cabeça sobre a almofada
sinto-me avezinha assustada
o vento ronda a janela fazendo alarido
fala-me uma língua estranha em tom comovido
ficam as horas penduradas
esqueço a janela a lacrimejar
foram-me as lembranças arrancadas
que faço da saudade quando ela chegar?!
natália nuno
rosafogo
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
lembranças de menina...
já não ouço o galo de madrugada
nem o cão a ladrar ao vento
já não colho fruta nem flor plantada
mas trago ainda os gemidos do moinho
no pensamento,e as mulheres fazendo o pão
com a farinha e fermento
já não penduro cerejas nas orelhas
nem procuro passarinhos novos nas telhas
já não ouço o barulho dos alcatruzes
nem apanho goivos liláses
nem musgo do presépio entre as urzes
nem brinco com o pião como os rapazes
já não olho os peixes no rio
por entre os junquilhos
nem ouço o eco dos meus passos
na ponte,
morreram os homens que jogavam matraquilhos
enquanto morria o sol no horizonte...
há sombras pelos campos e a praça está deserta,
a fonte sossegada
já não há moças namorando à noite pela calada
aves já não páram aqui partiram para parte incerta
já só restam janelas fechadas nem uma fresta!
ninguém por elas espreita apagou-se a vida
nada mais resta...
na aldeia agora só toca o sino da igreja
a lembrar quem se foi
nada a minha fé almeja
e a saudade é muita e dói!
ausentes estão minhas mãos e braços
e de todos que partiram, perdi os abraços
no baú que herdei, está minha velha roupa
e da cozinha ainda me vem o cheiro da sopa
o tempo tudo corrói, tudo traça
só a aldeia continua cheia de graça
pretendo manter-me viva com esta paixão
dentro de mim. escrevo-te este extenso poema
olhando o firmamento e tudo perdura
até a saudade sem fim...no coração!
perco-me por entre os laranjais
e ouço as rãs na memória dos rumores
e o piso escorregadio lembro por demais
do açude, e da roupa branca no sabão
toco flores, num avanço e recuo doce
e de novo a saudade no coração
lembrando a menina como se ainda o fosse.
e aquele pássaro ainda me canta aos ouvidos
e à noite o luar devolve-me os sentidos
ouço um murmurar que me traz tranquilidade
o murmurar duma infinita saudade...
natália nuno
rosafogo
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