palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
nostalgia de doer...
m'nha alma anda ao sabor dos enganos
onde será que ela vagueia agora?
sofrida com o decorrer dos anos
nem de por força morrendo
arranja sossego nesta hora.
paira no ar um rumor de noite calma
por perto uma ave canta, canta
aos ouvidos da m'nha alma
lá em cima o resplendor da lua
que a terra envolve, já pensando
no cortejo da aurora
enquanto m'nha alma por onde andará
agora...
vem do campo o aroma do relento
meus olhos verdes olham em torno
uma brisa morna, que me traz o vento
o coração em desordem do sofrer
ainda morno...
pela boca da noite fala-me a saudade
como um pássaro que anseia pela madrugada
m'nha alma onde andará de verdade?
que se recusa no meu corpo fazer morada.
natalia nuno
rosafogo
trago sinais de nada...
longe vais meu rio d'água
onde minha sede se saciava
pergunto agora pelo meu rosto
que em ti se lavava...
hoje trago sinais de nada
envelhecidos p'lo cansaço
espelho gasto que não reflecte
vou adiante passo a passo
mas a vida já nada promete.
um dia termina,
e tu rio que me viste menina
dir-me-ás adeus, nessa tarde reclinada
sobre nós,
com um canto triste e sombrio
me despeço de ti ó rio
eu, tu e o salgueiro a sós,
levo nos olhos a tua límpida água
e deixo-te com minha mágoa.
o meu nome levará a dor
e um anjo selará o nosso infinito
amor...
já não posso remontar sonhos
esqueci o cheiro da alegria
e nossos segredos bem escondidos
sabes tu, da minha pele macia
sei eu, dos salgueiros que te olham embevecidos
há ilusões e há repentes
que sou ave entre a folhagem
e em ti revejo minha imagem
meus olhos janelas baças
já de tanta fragilidade
parece-lhes ver a jovem,
de quem trazem saudade...
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
sonho-te...poema traduzido na língua catalã
Poema de NATÁLIA CANAIS NUNO traduït del portugués al català per PERE BESSÓ
.
ET SOMIE
.
No hi ha dolor
només la veu matxucada en la tarda lenta
escric i els meus dits canten a l’amor
que l’enyor inventa...
sent el vent per entre les branques de l’acàcia
què dirà ella voltant pel jardí?
Escric i hui plou dins
de mi...
.
ET SOMIE
.
No hi ha dolor
només la veu matxucada en la tarda lenta
escric i els meus dits canten a l’amor
que l’enyor inventa...
sent el vent per entre les branques de l’acàcia
què dirà ella voltant pel jardí?
Escric i hui plou dins
de mi...
el vent en el seu cant culminant
gosa d’interrompre aquest silenci pur
com a voluptuós amic i amant
entra en el meu cos desabrigat
es deté com centella
en un foc apagat.
gosa d’interrompre aquest silenci pur
com a voluptuós amic i amant
entra en el meu cos desabrigat
es deté com centella
en un foc apagat.
torne a la meua mudesa
la deixe partir, en un vol lent
demà potser...
aconseguesca el meu cor ressuscitar
aqueix vent amic i amant
em done un bes en l’hora de gitar-se.
la deixe partir, en un vol lent
demà potser...
aconseguesca el meu cor ressuscitar
aqueix vent amic i amant
em done un bes en l’hora de gitar-se.
sempre que la soledat s’insinua
et somie i et trobe en les memòries perdudes
en el vent, que a poc a poc m’envaeix
et somie i et trobe en les memòries perdudes
en el vent, que a poc a poc m’envaeix
sóc teua de nou en aquestes línies contingudes,
on ara nie al somni entrellaçada
fins a la matinada...
.
.natalia nuno
on ara nie al somni entrellaçada
fins a la matinada...
.
.natalia nuno
rosafogo
SONHO-TE
.
não há dor
apenas a voz esmagada na tarde lenta
escrevo e meus dedos cantam ao amor
que a saudade inventa...
ouço o vento por entre os ramos da acácia
o que dirá ele às voltas p'lo jardim?
escrevo e hoje, chove dentro
de mim...
.
não há dor
apenas a voz esmagada na tarde lenta
escrevo e meus dedos cantam ao amor
que a saudade inventa...
ouço o vento por entre os ramos da acácia
o que dirá ele às voltas p'lo jardim?
escrevo e hoje, chove dentro
de mim...
o vento no seu canto culminante
ousa interromper este silêncio puro
como voluptuoso amigo e amante
entra no meu corpo desabrigado
detém-se como centelha
num fogo apagado.
ousa interromper este silêncio puro
como voluptuoso amigo e amante
entra no meu corpo desabrigado
detém-se como centelha
num fogo apagado.
volto à minha mudez
deixo-o partir, num vôo lento
amanhã talvez...
consiga meu coração ressuscitar
esse vento amigo e amante
me dê um beijo na hora de deitar.
deixo-o partir, num vôo lento
amanhã talvez...
consiga meu coração ressuscitar
esse vento amigo e amante
me dê um beijo na hora de deitar.
sempre que a solidão se insinua
sonho-te e encontro-te nas memórias perdidas
no vento, que me invade devagarinho
sou tua de novo nestas linhas contidas,
onde agora me aninho
ao sonho entrelaçada
até de madrugada...
sonho-te e encontro-te nas memórias perdidas
no vento, que me invade devagarinho
sou tua de novo nestas linhas contidas,
onde agora me aninho
ao sonho entrelaçada
até de madrugada...
natalia nuno
rosafogo
Ver TraduçãoPoema traduzido para a língua catalã
pelo amigo Pere Bossó, uma bela surpresa...muito obrigado.
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
sonho-te....
não há dor
apenas a voz esmagada na tarde lenta
escrevo e meus dedos cantam ao amor
que a saudade inventa...
ouço o vento por entre os ramos da acácia
o que dirá ele às voltas p'lo jardim?
escrevo e hoje, chove dentro
de mim...
o vento no seu canto culminante
ousa interromper este silêncio puro
como voluptuoso amigo e amante
entra no meu corpo desabrigado
detém-se como centelha
num fogo apagado.
volto à minha mudez
deixo-o partir, num vôo lento
amanhã talvez...
consiga meu coração ressuscitar
esse vento amigo e amante
me dê um beijo na hora de deitar.
sempre que a solidão se insinua
sonho-te e encontro-te nas memórias perdidas
no vento, que me invade devagarinho
sou tua de novo nestas linhas contidas,
onde agora me aninho
ao sonho entrelaçada
até de madrugada...
natalia nuno
rosafogo
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
lembranças, louca companhia...
lembranças movem-se
na mente
numa louca orgia
e eu mudamente
finjo não sentir
tão louca companhia,
estreitam-me em seus laços
e cada uma me fala diferente
trazem-me saudades dos teus abraços
galopam dia e noite doces e constantes,
recordam-me teus passos
uma morre, logo outra nasce,
instante a instante...e o sonho
faz-se.
lembranças nostalgias aos molhos
trazem-me alegrias ou lágrimas aos olhos
engendram-se em mim
e em mim se abandonam
com voz desvelada,
que hei-de eu fazer
se me sinto lembrada
numa saudade que não consigo
esconder?!
saudades trago uma braçada
que acabei de colher.
as horas sucedem-se
e eu neste viver
o sonho, tão perto e se foi
fez-me feliz, como tive esperanças
de o ser...hoje nos meus olhos
a sombra que dói!
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
histórias recontadas...: encontro de rua casual...comadres I
histórias recontadas...: encontro de rua casual...comadres I: Claro que são as comadres!encontro de rua casual Sempre com tanto para contar, ele são os filhos, e depois os netos, e eram os maridos...
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
lembranças saudosas....
hoje lembrei a adolescente que conservo na lembrança com comovido afecto, e recordei-a feliz e descontraída, no seu sapato alto e saia reduzida, orgulhosa da sua aldeia e da sua gente que apesar de pobre, era rica de sentimentos, sendo eles que deram sentido e esperança ao desabrochar desta adolescente. hoje, lembrei também dos rapazes de mãos rudes e palavras desajeitadas e dos bailes onde sonhava ser princesa sem castelo....há diariamente uma história que conto a mim própria que jorra desta fonte que é meu passado, ora alegre ora sombria mas sempre viva... a aldeia e eu seduzimo-nos mutuamente, há recordações que acarinho e evoco nas minhas horas sombrias e assim me vou distanciando da solidão dos dias, sentindo que agora sou de novo um ponto ínfimo no fim da caminhada... devora-me o tempo, só a Poesia me conforta e a memória é ainda guardiã do arquivo onde guardo todas as lembranças... lembranças que me segredam os azuis do arco íris que preciso para voar, se inclinam sobre mim com ideias risonhas e me afastam pressurosamente do ser que sou agora...
natalia nuno
rosafogo
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