Seguidores

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

palavras amargas...



amarga alegria
coberta de pó
sonho rasgado
numa noite fria
e há os que riem
fingindo ter dó.

amarga ausência
de tudo e de nada
deprimente a morte
que feia e forte
um dia sem sorte
se fará anunciada.

amarga desilusão
dia a dia a crescer
sabendo de antemão
que não é nada afinal
tudo tende a desaparecer
e é tudo tão natural.

amarga decadência
do sangue da gente
e leva à desistência
gargalhada deprimente
de fel e cansaço
lento, muito lento o passo.

natalia nuno
rosafogo




domingo, 5 de novembro de 2017

meu coração aperta-se





os olhos nas vidraças,
baças
o olhar distante
o ruído da chuva incessante
meia atordoada e feliz, na efémera
duração dum sonho...

os dias de outono tão melancólicos
soltam-se fragmentos de memórias,
inesperados,
sento-me na margem da tristeza
e vejo meus sonhos a preto e branco
desenhados.
sopra o vento da incerteza
olho o céu cinzento sem pássaros
meus dedos estão estéreis
acentua-se a solidão,
já não seguro meus ais
nem o vento segura as folhas outonais.
até um pássaro sonâmbulo, que a primavera levou
num destino incerto,
fez ninho no meu peito,
encoberto...
e a saudade voltou

e eu sem saber que rumo dar ao pensamento
abrigo-me da vida na memória distante,
a caminho do nada,
a alma cansada,
e é, a criança que em mim
vive  que segura a minha mão
enquanto o vento lá fora vai varrendo
as folhas, que caem ao chão.

natália nuno
rosafogo

poema escrito na aldeia em 11/2017








sexta-feira, 3 de novembro de 2017

homenagem à amiga Barbára...PARABÉNS



há tanta luz
neste céu de pássaros
nesta tarde que mais parece
de verão,
eu e tu
com uma lista de coisas
para serem escritas à mão
o trabalho é árduo e estranhamente
sem ti não o faria
testar sucessivamente
não é meu ofício,
mas é tua alegria...

assim nos vamos entretendo
tarde fora,  poesia em mente
terra morena, trança de espiga,
vou deitando à terra a semente
faço-te este poema minha amiga

e de novo te desejo boa sorte
e agradeço-te, tornas minha vontade mais forte!

prenhe o teu desejo de viver
que sintas sempre esse palpitar da vida
o sonho ronda no teu amanhecer
trazendo  ainda por longos anos
a menina em ti adormecida

natalia nuno
PARABENS amiga, sei que pensarás este poema hoje não saiu grande coisa, tens razão... no poema conto-te o esforço por fazer melhor porque mereces, por isso é bom ter-te por perto, mas a inspiração nem sempre está presente, no entanto as tuas palavras sempre me dão força e eu desejo que repitas este dia por muitos anos com muita felicidade...

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

possuída pelo sonho...



já se denuncia a madrugada
a iluminar me o olhar
esperança a fazer-se demorada
ou tudo em mim a desabar...
foi o verão e as colheitas
foi-se o sonho chegou o dia
levanta o tempo suspeitas
se era dor o que em mim doía

do assunto não me desvio
quero saber toda a verdade
se era dor ou se era frio
ou impiedosa saudade...
se era sentença ou castigo
deixar-me à mercê do sobejo
tempo que me agride inimigo,
quando ao espelho me vejo

sou criança amanhecendo
que sorri... e mal balbucia
ao sonho me fui rendendo
ausentando-me... mais me prendia.

natalia nuno
rosafogo

o estremecer dum sonho



a Poesia é sempre admirada
ora por uns ora por outros
é olhada com olhar perscrutador,
tem encanto, é delicada
e é escrita com amor,
com sensibilidade e arte
fala de saudade e do tempo
que parte.
brilha, é nobre no seu doce canto,
eu lhe quero tanto!
Poesia filha do coração
canto de felicidade
e gratidão.

venero-a permanentemente
canto-a como se fosse Poeta
a minha ternura por ela é maternal
componho-a com rima natural,
quero-lhe demasiadamente
depuro-a, dou-lhe verdadeiro rumo
com os olhos rasos de lágrimas
nem sempre surge talento
assumo!
a saudade é a essência
geme e soluça nela a toda a hora
palavras correm  em eterna
florescência...

fascina-me o olhar,
faz-me esquecer o inverno que há-de vir
e lembra a primavera a chegar,
leva-me a sítios
onde não posso mais voltar,
faz ressurgir o passado
e tudo quanto no coração
trago gravado,
resta viva nela a certeza
de viver
sem ela...sou grão de areia perdido
sem ela, não tem a vida sentido


natalia nuno
rosafogo


hoje atardei-me...



extingue-se a luz do crepúsculo
e os aloendros já adormecem
caem as trevas da noite
sobre o salgueiro abandonado
e a minha mão caída sustém
um livro fechado...
meu olhar permanece quimérico
olhando o poente vou sonhando
as recordações sobrepõem-se
quando mergulho no passado...

os traços escapam-se e as interrogações
se apoderam de mim, que fiz eu deste meu tempo,
que fez este tempo de mim?
debato-me em meditações

hoje atardei em chegar
fiquei-me pelo sonho... a sonhar
para não sentir o declínio das próprias forças
crio ilusões,
estendida numa álea florida
tocando as cordas da memória
agora já sem gestos de doçura
a voz sem melodia
a fazer-se sentir o silvo da agonia

mas habita-me ainda a saudade
e no coração a agitação
ainda, de alguma felicidade

natalia nuno
rosafogo

sábado, 14 de outubro de 2017

saudade de quem?...



ondulam fortes ventos numa melodia constante
e como eles meus pensamentos
num confiado sonho distante
como pássaros migratórios, levam de mim
saudade...
a vida começa como se nova fosse
numa plenitude difusa subtil e doce
entrego corpo e alma à brisa, à claridade
ao que nunca vem,
ao que não existe,
à saudade... saudade de quem?
caem folhas de outono moribundas
já mal me conheço,
chega a tarde declinante
é o fim do começo
aos meus ouvidos um ruído distante
passam os dias da minha vida
geme neles o silêncio e a escuridão
como se nunca mais pudessem ser
senão,
dias de solidão.

ficou para trás a primavera das amendoeiras
brancas,
que nostalgia!
extraviaram-se meus olhos
desse vínculo que me seguia,
permaneço com olhar de criança
perdido na lonjura,
e minhas mãos são asas de frescura

esqueço o outono da vida que se vai alterando
tento distanciar a pressa
e na emoção do caminho,
o amor sempre regressa
com tenacidade vou sonhando
e recordando o muito que vivi
pássaros ardentes, borboletas às cores
viajantes nas  nuvens, amores,
boa parte das coisas simples que nunca esqueci.

natalia nuno
rosafogo