palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
domingo, 5 de novembro de 2017
meu coração aperta-se
os olhos nas vidraças,
baças
o olhar distante
o ruído da chuva incessante
meia atordoada e feliz, na efémera
duração dum sonho...
os dias de outono tão melancólicos
soltam-se fragmentos de memórias,
inesperados,
sento-me na margem da tristeza
e vejo meus sonhos a preto e branco
desenhados.
sopra o vento da incerteza
olho o céu cinzento sem pássaros
meus dedos estão estéreis
acentua-se a solidão,
já não seguro meus ais
nem o vento segura as folhas outonais.
até um pássaro sonâmbulo, que a primavera levou
num destino incerto,
fez ninho no meu peito,
encoberto...
e a saudade voltou
e eu sem saber que rumo dar ao pensamento
abrigo-me da vida na memória distante,
a caminho do nada,
a alma cansada,
e é, a criança que em mim
vive que segura a minha mão
enquanto o vento lá fora vai varrendo
as folhas, que caem ao chão.
natália nuno
rosafogo
poema escrito na aldeia em 11/2017
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
homenagem à amiga Barbára...PARABÉNS
há tanta luz
neste céu de pássaros
nesta tarde que mais parece
de verão,
eu e tu
com uma lista de coisas
para serem escritas à mão
o trabalho é árduo e estranhamente
sem ti não o faria
testar sucessivamente
não é meu ofício,
mas é tua alegria...
assim nos vamos entretendo
tarde fora, poesia em mente
terra morena, trança de espiga,
vou deitando à terra a semente
faço-te este poema minha amiga
e de novo te desejo boa sorte
e agradeço-te, tornas minha vontade mais forte!
prenhe o teu desejo de viver
que sintas sempre esse palpitar da vida
o sonho ronda no teu amanhecer
trazendo ainda por longos anos
a menina em ti adormecida
natalia nuno
PARABENS amiga, sei que pensarás este poema hoje não saiu grande coisa, tens razão... no poema conto-te o esforço por fazer melhor porque mereces, por isso é bom ter-te por perto, mas a inspiração nem sempre está presente, no entanto as tuas palavras sempre me dão força e eu desejo que repitas este dia por muitos anos com muita felicidade...
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
possuída pelo sonho...
já se denuncia a madrugada
a iluminar me o olhar
esperança a fazer-se demorada
ou tudo em mim a desabar...
foi o verão e as colheitas
foi-se o sonho chegou o dia
levanta o tempo suspeitas
se era dor o que em mim doía
do assunto não me desvio
quero saber toda a verdade
se era dor ou se era frio
ou impiedosa saudade...
se era sentença ou castigo
deixar-me à mercê do sobejo
tempo que me agride inimigo,
quando ao espelho me vejo
sou criança amanhecendo
que sorri... e mal balbucia
ao sonho me fui rendendo
ausentando-me... mais me prendia.
natalia nuno
rosafogo
o estremecer dum sonho
a Poesia é sempre admirada
ora por uns ora por outros
é olhada com olhar perscrutador,
tem encanto, é delicada
e é escrita com amor,
com sensibilidade e arte
fala de saudade e do tempo
que parte.
brilha, é nobre no seu doce canto,
eu lhe quero tanto!
Poesia filha do coração
canto de felicidade
e gratidão.
venero-a permanentemente
canto-a como se fosse Poeta
a minha ternura por ela é maternal
componho-a com rima natural,
quero-lhe demasiadamente
depuro-a, dou-lhe verdadeiro rumo
com os olhos rasos de lágrimas
nem sempre surge talento
assumo!
a saudade é a essência
geme e soluça nela a toda a hora
palavras correm em eterna
florescência...
fascina-me o olhar,
faz-me esquecer o inverno que há-de vir
e lembra a primavera a chegar,
leva-me a sítios
onde não posso mais voltar,
faz ressurgir o passado
e tudo quanto no coração
trago gravado,
resta viva nela a certeza
de viver
sem ela...sou grão de areia perdido
sem ela, não tem a vida sentido
natalia nuno
rosafogo
hoje atardei-me...
extingue-se a luz do crepúsculo
e os aloendros já adormecem
caem as trevas da noite
sobre o salgueiro abandonado
e a minha mão caída sustém
um livro fechado...
meu olhar permanece quimérico
olhando o poente vou sonhando
as recordações sobrepõem-se
quando mergulho no passado...
os traços escapam-se e as interrogações
se apoderam de mim, que fiz eu deste meu tempo,
que fez este tempo de mim?
debato-me em meditações
hoje atardei em chegar
fiquei-me pelo sonho... a sonhar
para não sentir o declínio das próprias forças
crio ilusões,
estendida numa álea florida
tocando as cordas da memória
agora já sem gestos de doçura
a voz sem melodia
a fazer-se sentir o silvo da agonia
mas habita-me ainda a saudade
e no coração a agitação
ainda, de alguma felicidade
natalia nuno
rosafogo
sábado, 14 de outubro de 2017
saudade de quem?...
ondulam fortes ventos numa melodia constante
e como eles meus pensamentos
num confiado sonho distante
como pássaros migratórios, levam de mim
saudade...
a vida começa como se nova fosse
numa plenitude difusa subtil e doce
entrego corpo e alma à brisa, à claridade
ao que nunca vem,
ao que não existe,
à saudade... saudade de quem?
caem folhas de outono moribundas
já mal me conheço,
chega a tarde declinante
é o fim do começo
aos meus ouvidos um ruído distante
passam os dias da minha vida
geme neles o silêncio e a escuridão
como se nunca mais pudessem ser
senão,
dias de solidão.
ficou para trás a primavera das amendoeiras
brancas,
que nostalgia!
extraviaram-se meus olhos
desse vínculo que me seguia,
permaneço com olhar de criança
perdido na lonjura,
e minhas mãos são asas de frescura
esqueço o outono da vida que se vai alterando
tento distanciar a pressa
e na emoção do caminho,
o amor sempre regressa
com tenacidade vou sonhando
e recordando o muito que vivi
pássaros ardentes, borboletas às cores
viajantes nas nuvens, amores,
boa parte das coisas simples que nunca esqueci.
natalia nuno
rosafogo
sábado, 30 de setembro de 2017
já mal me lembro....
nuvens vieram sombrias
nada me dizem afinal
promessas de melhores dias
neste meu tempo outonal
não está distante a entrega
meus sonhos são o que são
na alma folhas secas, no coração
a vida que dele já despega.
cantei às flores da primavera
chorei com o som do ribeiro
por ti meu coração ficou à espera
à tua espera o tempo inteiro...
amadurecem os frutos na horta
e eu no meu destino solitário
mas o coração não fecha a porta
e vou desfiando este meu rosário
trago de prata meus cabelos
e na saudade vou caminhando
e se me vires a desprendê-los
é porque m' sinto ave d'céu voando
voando entre um nevoeiro espesso
por entre cedros e abetos
à procura de quem nunca m' esqueço
em busca do amor... e de afectos!
rugas do meu rosto são bofetadas
que vou levando a torto e a direito
há nele risos e lágrimas escancaradas
enquanto o coração bate no peito
desenfreado tempo que tudo arrasas
por isso são tristes minhas razões
vontade esta de voar já sem asas,
aceito este viver de sonhos e ilusões.
natália nuno
rosafogo
Subscrever:
Mensagens (Atom)






