palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quarta-feira, 3 de maio de 2017
escoam-se os dias
Como um rosário de contas
escoam-se os dias sempre iguais
como é inconveniente pensar demais!
o coração é uma hera que sobrevive
ao tempo, à geada,
trago ainda o aroma a terra molhada
e a saudade como recompensa
galopando no meu peito...imensa!
o tempo passa resmungando
escapa-se por entre os dedos
enquanto o coração se apressa
a bater palpitando...
aos ouvidos,
surgem meus medos
emoções, nostalgia dolorosa
momentos de alheamento, desprendimento
passa por mim a brisa morna do outono
morre-me a voz na garganta
fica ermo o pensamento.
ao despertar do sono
é como se tudo, não existisse mais
escoam-se os dias sempre iguais
eu pássaro sem orientação
perdido, voando até à exaustão
ainda assim vou sonhando, pois
do sonho não posso nem quero abrir mão.
natalia nuno
momentos...
Quando olho minhas mãos, apercebo-me das fadigas por que passaram e olho a sofreguidão dos meus dedos em agonia por não saberem ainda estar parados, lembro as vidas que dependeram delas e hoje vejo que são mãos cheias de nada.
natalia nuno
rosafogo
pensamento...
às vezes fecho os olhos para ver melhor...
a VIDA é amarga, mas o sonho continua e é mediador entre os momentos menos bons e as dávidas que ela sempre acaba por nos oferecer...
Momentos...III
Olho a Lua fria e repousada, num céu onde é rainha há milénios, tudo parece tranquilo, como se a Vida corresse sobre rodas. No meu pensamento renascem lembranças de tempos ídos, mas fácilmente se adivinha que apenas a Lua é rainha, enquanto eu, esmoreço no lusco-fusco da noite com as palavras em silêncio... perdida na memória do tempo.
natalia nuno
rosafogo
sábado, 22 de abril de 2017
a saudade foi tema...
a saudade tem mãos de mãe
sempre previsíveis na sua ternura
pespontando sonhos e esperança
no riso da sua criança...
abro os braços à recordação,
a saudade leva- me à loucura
e com grande arrebatação
nada silencia a minha mão,
entrego-me à saudade com ternura
acaricio as águas onde me banhei
e como cana ali plantada com fortes raízes
lembrarei... os dias felizes.
em tantas ocasiões
sou aquele rouxinol entre o arvoredo
e no sonho da palavra... sou o segredo
povoam-se os meus olhos de visões,
sinto o frio do remoto, a audácia do eco
que se prolonga decidido,
apesar do tempo decorrido
e lá vou!
borboleta na aurora, à espera da hora
de ouvir o sopro incandescente do poema
dizendo q 'siga em frente, q' a saudade
será sempre o meu tema...
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 19 de abril de 2017
elegia à luz do dia...
a luz do dia é ainda menina
chega formosa e repentina
beija a terra, sorri por entre as árvores,
beija as flores
traz à manhã frescura e aos corações amores
e com ternura derrama-se pela tarde,
daqui a pouco é sonho,
é névoa beijando o horizonte
e logo depois súbita eternidade.
deixando o dia, leva saudade
e sonha voltar amanhã, ao íntimo da fonte.
esquecida, testemunha em silêncio,
vejo-a a escapar-se por entre a folhagem
dos loureiros, e adormecer no regaço da noite
enquanto vou sonhando com m' imagem
com meus sonhos... primeiros.
amanhã voltará com sorriso derramado
despertará os rouxinóis que trago em mim
e alegrará no monte a murta e o jasmim.
prontamente acalmará o vazio dum sonho inacabado
trará de novo um inventário de esperanças
vestirá minhas lembranças
com traje de menina,
em harmonia...seguiremos crianças
por mais um dia.
natalia nuno
sexta-feira, 14 de abril de 2017
sonho que o dia sustém...
a lucidez sempre te interroga...
porquê esse vôo até ao obscuro?
porquê esse abismo inesperado
essa inquietude...que é fogo
esse contar de rugas novas...
deixa que te acompanhe a formosura do vento,
a ternura do correr das fontes azuis,
a verdade dos sonhos
nas trovas
despoja tudo o que é dor,
e deixa-te levar num passo doce,
com olhos de criança
como se ontem, ainda hoje fosse
abre as pétalas vermelhas do sorriso
retira os olhos da penumbra
deixa ver o verdor desses gerâneos
trazes a esperança delapidada
acalma a ânsia desolada
atreve-te a sonhar,
avança um pouco mais
e deixa a tristeza nos umbrais
deste poema...
natalia nuno
rosafogo
natalia nuno
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