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sexta-feira, 31 de março de 2017

pincelei meu dia...




dei uma pincelada neste dia cinzento
ficou o céu com um ar rejuvenescido
subjacente à minha intenção ficou um sentimento
o da saudade que faz em mim ruído
os dias são desertos e se sucedem
neles mil incertezas me assaltam
eclodem do pensamento palavras que medem
a solidão antecipada dos dias que me faltam,
hoje trago os olhos queimados de poesia
no coração trago uvas ao sol com doçura
pincelei assim este meu dia
e deixo-me num mar de luz e de loucura

entranço o meu vôo no arco-íris
e o aroma da vida em meu ventre avança
e em plena aurora, chega a hora da mudança

separo-me do obscuro que me percorre
e o dia enche de ar e jasmim a minha boca
arrebatada me agarro à esperança que não morre
e aproximo-me do teu corpo como louca
neste dia cinzento dei uma pincelada
e jovem corro em plenitude e alvoroço
nas asas  dum sonho que arde
não deixo a indolência tome conta de mim
pois que para sonhar nunca é tarde...

natalia nuno
rosafogo









quinta-feira, 23 de março de 2017

confusão de difusas luzes...



o dia a querer fugir
enquanto a saudade se aperta
contra o meu peito
e esta ferida aberta que se aproxima e se evade
como sonãmbulo vento, na noite deserta
procuro-te, e sinto-te cada vez mais distante
foste o sol que subias p'lo meu corpo
abrindo clareiras, brilhante...
agora, invento sonhos quando a solidão
me traz carência de ti, a tua ausência
é um tempo onde escuto a tristeza
é com certeza o verdor onde verdeja
o meu instinto, a minha resignação,
esperando um tempo de alegria, de fragrâncias
de atiçados ventos, que me devolvam os momentos
de amor...e de paixão.

perco o olhar numa lânguida vastidão
o céu é um mar de estrelas,
fico nesta hesitação
ainda com tantas palavras por dizer
procuro esse corpo de desejo que me falta,
um pranto sem palavras dos meus olhos salta
vindo do fundo do meu ser...

já lendários se tornaram nossos dias
e apesar das ausências e regressos
os teus olhos penetram no meu espanto
e eu quero-te tanto....

natalia nuno





sábado, 18 de março de 2017

oscilam os pensamentos...



afoga-se o seu dia num espesso relento
obscurecendo-lhe o alento
e há reinos de mel a que abdica
e ela ali fica...
sorvendo o que lhe resta
acostumando-se a calar
para não se despenhar
nos oásis da sua loucura
onde o vazio lhe devora a memória, sem cura,
permanece pensativa e certa que lhe vão
fugindo as recordações, meras ilusões
dos anos que passaram...
o tempo gravou-lhe lentamente
sombras nos olhos, retirando-lhe sensualidade
o odor a espessa madressilva ou mel quente
enlouquecida na saudade,
esqueceu-se gente

olha para trás e pressente
o rumor da queda na tristeza
segue a orla do seu mar silenciosa
esquece os ecos que a atormentam
escreve palavras implorantes, desejosa
duma promessa de vôo até nova quimera,
e pelo sonho espera...sonha e extasia
e aos seus olhos embaciados volta de novo a alegria.

natalia nuno
rosafogo



segunda-feira, 13 de março de 2017

ébrias fantasias...



o olhar é um poço sem fundo,
verde como o esplendor do mundo
vibrante e quente o coração
inundado de emoção,
e nos corredores da mente ébrias fantasias
onde a felicidade é agora saudade.
o inverno dita o rigor dos dias
mas a vida agita.se feliz diante do nada,

cansada, assim vai vivendo e morrendo
na dor que dói e permanece,
mas ainda sonha a mão que escreve,
e a dor esquece...
a palavra percorre-lhe o sangue
molda-se e cresce no papel
vogais, consoantes, acariciam-lhe a pele.
dos sonhos nascem adjectivos
que tece  e destece
memórias e desmemórias,
sonhos que se agitam vivos
vindo do seu desmesurado coração
metáforas brotam-lhe dos dedos
mais formosas que o vento batendo na ondulação
sem medos, uma alegria antiga
traz ao seu sossego,
sonhos de amor e paixão...

natália nuno
rosafogo




sexta-feira, 3 de março de 2017

sílabas precisas...



quase noite é... a idade
do rio que em mim corre
teço a própria realidade
sonho em mim não morre


sobre ruínas desperto
a palavra sol me ilumina
na vida q' parecia deserto
sonho-me de novo menina

natalia nuno
rosafogo

o odor da rosa...



este dia não me pertence
deixou-me e foi-se embora
é passado e me convence
a vida é caixa de pandora


sou espinho reclamo a rosa
já que o odor nunca esquece
dos versos à humilde prosa
prenhe inquietude acontece

os pássaros precisam de voar
meus sonhos são d' esperançar
com palavras rego minhas dores

abro o peito para o que der e vier
cá dentro ainda o sol a crescer...
lirismo onde morrem os amores

natalia nuno
rosafogo

a vida é jogo...



começa a vida num xadrez
mal e bem ... forças inimigas
no tabuleiro apostam... talvez
um dia vão deixar-se d' brigas

escasso tempo dura a partida
por atalhos oblíquos... segue
não há pausa é guerra sentida
e só a morte a paz consegue...

como a maré esculpe as areias
m' punho palavras vai golpeando
e as minhas ideias andam alheias

alto sol às vezes na noite me alumia
nas manhãs sem nada vou andando
e nas tardes pinto de mim outro dia


natalia nuno
rosafogo