palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sábado, 18 de março de 2017
oscilam os pensamentos...
afoga-se o seu dia num espesso relento
obscurecendo-lhe o alento
e há reinos de mel a que abdica
e ela ali fica...
sorvendo o que lhe resta
acostumando-se a calar
para não se despenhar
nos oásis da sua loucura
onde o vazio lhe devora a memória, sem cura,
permanece pensativa e certa que lhe vão
fugindo as recordações, meras ilusões
dos anos que passaram...
o tempo gravou-lhe lentamente
sombras nos olhos, retirando-lhe sensualidade
o odor a espessa madressilva ou mel quente
enlouquecida na saudade,
esqueceu-se gente
olha para trás e pressente
o rumor da queda na tristeza
segue a orla do seu mar silenciosa
esquece os ecos que a atormentam
escreve palavras implorantes, desejosa
duma promessa de vôo até nova quimera,
e pelo sonho espera...sonha e extasia
e aos seus olhos embaciados volta de novo a alegria.
natalia nuno
rosafogo
segunda-feira, 13 de março de 2017
ébrias fantasias...
o olhar é um poço sem fundo,
verde como o esplendor do mundo
vibrante e quente o coração
inundado de emoção,
e nos corredores da mente ébrias fantasias
onde a felicidade é agora saudade.
o inverno dita o rigor dos dias
mas a vida agita.se feliz diante do nada,
cansada, assim vai vivendo e morrendo
na dor que dói e permanece,
mas ainda sonha a mão que escreve,
e a dor esquece...
a palavra percorre-lhe o sangue
molda-se e cresce no papel
vogais, consoantes, acariciam-lhe a pele.
dos sonhos nascem adjectivos
que tece e destece
memórias e desmemórias,
sonhos que se agitam vivos
vindo do seu desmesurado coração
metáforas brotam-lhe dos dedos
mais formosas que o vento batendo na ondulação
sem medos, uma alegria antiga
traz ao seu sossego,
natália nuno
rosafogo
sexta-feira, 3 de março de 2017
sílabas precisas...
quase noite é... a idade
do rio que em mim corre
teço a própria realidade
sonho em mim não morre
do rio que em mim corre
teço a própria realidade
sonho em mim não morre
sobre ruínas desperto
a palavra sol me ilumina
na vida q' parecia deserto
sonho-me de novo menina
a palavra sol me ilumina
na vida q' parecia deserto
sonho-me de novo menina
natalia nuno
rosafogo
o odor da rosa...
este dia não me pertence
deixou-me e foi-se embora
é passado e me convence
a vida é caixa de pandora
deixou-me e foi-se embora
é passado e me convence
a vida é caixa de pandora
sou espinho reclamo a rosa
já que o odor nunca esquece
dos versos à humilde prosa
prenhe inquietude acontece
já que o odor nunca esquece
dos versos à humilde prosa
prenhe inquietude acontece
os pássaros precisam de voar
meus sonhos são d' esperançar
com palavras rego minhas dores
abro o peito para o que der e vier
cá dentro ainda o sol a crescer...
lirismo onde morrem os amores
natalia nuno
rosafogo
a vida é jogo...
começa a vida num xadrez
mal e bem ... forças inimigas
no tabuleiro apostam... talvez
um dia vão deixar-se d' brigas
mal e bem ... forças inimigas
no tabuleiro apostam... talvez
um dia vão deixar-se d' brigas
escasso tempo dura a partida
por atalhos oblíquos... segue
não há pausa é guerra sentida
e só a morte a paz consegue...
por atalhos oblíquos... segue
não há pausa é guerra sentida
e só a morte a paz consegue...
como a maré esculpe as areias
m' punho palavras vai golpeando
e as minhas ideias andam alheias
alto sol às vezes na noite me alumia
nas manhãs sem nada vou andando
e nas tardes pinto de mim outro dia
natalia nuno
rosafogo
saciar da saudade...
cerca-me a memória a saudade
que não me abandona
como brisa que me traz a linguagem das flores
e o harmonioso tempo da felicidade,
e dos amores,
atravessa esta paisagem de estio que é meu corpo
e é como rio que corre,
oscilando entre o silêncio e o rumor
nada cala a dor
nada procura nem espera
diz-me apenas palavras por dizer
cresce com os anos,
com o maduro sentido de viver
é testemunha do meu silêncio
do meu entardecer...
enquanto a tarde se põe no poente
e as rosas desfolham com o vento
escrevo linhas misteriosas com o coração que sente
enquanto da terra escuto o alento.
o eco da infância é ventura
de voltar a sentir e a contemplar
a frescura... da minha origem
e com inocência poder a sede, da saudade saciar.
natália nuno
rosafogo
ebriedade...
no rosto a indolência da bruma
o sonho em chama a surpreende
a saudade, já de coisa nenhuma
um vendaval que ninguém entende
o sonho em chama a surpreende
a saudade, já de coisa nenhuma
um vendaval que ninguém entende
do tempo traz nela a voracidade
entre os lábios a quente labareda
os desejos transbordam de saudade
no olhar tristeza que ninguém arreda
entre os lábios a quente labareda
os desejos transbordam de saudade
no olhar tristeza que ninguém arreda
natalia nuno
rosafogo
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