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sábado, 11 de fevereiro de 2017

poema desconexo...




no dia em que não exista se apague de vez
meu sopro...ficará mais frio e solitário
o meu lugar, desperdicei os anos para perpectuar
o que mais amei, e o que levarei?! Nada!
só a mágoa na alma tatuada...
no poema a imagem da minha face retida
desfocada pela idade, com sulcos provocados
pela saudade...nada sei e nada quero saber
de repente não sou mais aquela mulher.
há ecos nos degraus da minha imaginação
cada dia mais cansada,
que são como violinos de trevas
vivo abraçada à bruma e não espero
já, coisa alguma...

neste instante, tenho diante de mim
o relógio que marca o tempo que não abdica
de passar, e o coração triste fica...
ama por amar.
só se ouve o vento
e o silencio se impõe nestes poemas
em páginas brancas caídas ao chão
com ninharias urdidas, com gargalhadas
de desdém, sombras  ignoradas
onde a minha mão
subtil, mas porém forte
não quer escrever sobre a morte
quer persistir no sonho
quer ser veleiro chamado vontade
quer o livre arbítrio de viver na saudade...

natália nuno
rosafogo



domingo, 29 de janeiro de 2017

nos teus olhos o céu...



beija-me como no sonho da juventude
olha-me com a plenitude desse teu olhar
e eu serei o aroma fragrante que esfuma
a labareda ou a queda
a realidade ou já só a saudade...
a dor ou a doçura, a noite que murmura
a memória duma vida em seu ar distante
tua mulher e amante.

o tempo vai quebrando laços
vai desfazendo nossos passos
vai espiando a ocasião
enlaça-nos numa intranquila solidão.
refugia-se nos meus olhos
este desmesurado amor...
enquanto a tua boca me entrega
o júbilo aceso duma flor.

o tempo todo vem perdurando em mim
a jovem chama, que me põe a mente
incendiada, traz-me a tua recordação e eu,
tropeçando, caída e cansada ainda assim.
vejo nos teus olhos o céu...
e no teu corpo o único destino meu.

natalia nuno
rosafogo

sábado, 21 de janeiro de 2017

no fundo do tempo




é larga a rua dos anos que já levo
é tão grande o silêncio que nem
me atrevo, e levo apagada a voz
e a angústia desliza no peito
desfeito...
a noite enferma é violência atroz
perco-me nas sombras
desejando horizontes onde possa
prolongar meu vôo
sem jeito, assim me vou...
a vida empurra-me para o nada
o sonho distante, a realidade presente
as sensações batem obscuramente
e vão morrendo na mente soterradas
aquietadas na dor do dia
e da noite, numa frágil porfia.

lentas são as horas
palavras caídas são vento da recordação
e tu que demoras!... recordando-te
sinto o frio irremediável da solidão.

emerjo na firmeza de seguir
vou pespontando os velhos sonhos
de esperança...visto-os com traje de menina
e como se regressasse do fundo do tempo
invento-me como outrora e uma nova luz
me acaricia e ilumina ...dou-te de novo o
coração, e tu me dás a mão.

natalia nuno
rosafogo








terça-feira, 17 de janeiro de 2017

no coração da noite...



quem  minha voz silencia
quem põe meus olhos vencidos
quem tal golpe me daria!?
os sonhos trago esquecidos
minha esperança apagada
o corpo esquartejado
certeza desterrada
memória sombreada
e meu rosto calado...
depois de tanta jornada
tudo me devolve ao nada

quem tal golpe me daria
quem minha voz silencia?!

minhas mãos em esquecimento
meu pensamento um labirinto
o coração em pranto, nem sinto!
recolho cada lágrima furtiva
não quero perder esta luta
insurjo-me contra o tempo e a vida
e contra o assédio da morte.

essa filha da puta.

natalia nuno
rosafogo
poema que é grito!

domingo, 8 de janeiro de 2017

destino cumprido...



onde estão meus anos moços
que deixarão meus olhos na escuridão
que me deixam apagada, desnudada
assim tratada com desdém
fingindo esta vida que não sou ninguém
onde está a moça sonhadora que agora
me põe louca...
que era botão de rosa a abrir
agora faz uma prece, mas a vida
não a quer ouvir... e chama-lhe louca.

vê-se a angústia no rosto cansado
no peito a saudade a morar
o tempo é um sopro que passa, que foge
afagos de amor lembro ao deitar
e ao acordar, de face enrugada
fico triste, calada, sem que a vida afronte
e nesse tempo que envelhece bebo água na fonte
e penso que Deus já de mim se esquece.

estes segredos meus que ao papel confesso
e toda a vontade que me resta como por magia
são um poço infindo onde já faleço
mas enquanto em minha mente se fizer dia
sentir-me-ei ditosa, tendo a saudade por companhia.
abandono-me ao tempo, as palavras entre meus dedos
desprendem-se inteiras, num destino cumprido
são o meu mar, o princípio e fim do tempo vivido.

natalia nuno
rosafogo



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

poema triste...



olho p'la janela a escuridão circundante
que ameaça aceder ao avanço do dia
e este poema torna-se meu amante
o que horas antes impossível parecia

começa a noite triste a esfeapar-se
sem véus púrpura ou dourados
começam as estrelas a esgueirar-se
sobrevivem meus sonhos calados

dança a folha uma delicada dança
uma valsa sobre uma poça de água
mantenho-me viva m' alma descansa
no milagre de estar viva esqueço mágoa

fiquei à espera do crepúsculo esta tarde
com a ânsia duma criança que espera
só o poema ri desta minha ansiedade
como a dizer-me: quem espera desespera

escapa- me  murmúrio de compreensão
dirijo-me a ele com um olhar sombrio
e assim escrevo mergulhada na confusão
e a vida acossante... tem-nos por um fio

natalia nuno
rosafogo



terça-feira, 3 de janeiro de 2017

porque hei-de rir?



Porque hei-de rir
se há flores a definhar no jardim
e já pouco ou nada resta de mim?
porque hei-de rir
se já a morte adivinho
e chegou ao fim mais um dia do caminho?
Porque hei-de rir
se a vida semeou em mim a solidão
se a morte é previsível, só a vida não?
Porque hei-de rir
se trago meus lábios sequiosos
no silêncio, e o corpo adormecido
num vazio sem sentido?
Os sonhos foram suicidas corajosos
abandonaram-me não deixaram rasto em mim
resta a estrada a chegar ao fim
porque hei-de rir?

Vou rir-me do Poeta não de mim.

natalia nuno
rosafogo