palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
domingo, 29 de janeiro de 2017
nos teus olhos o céu...
beija-me como no sonho da juventude
olha-me com a plenitude desse teu olhar
e eu serei o aroma fragrante que esfuma
a labareda ou a queda
a realidade ou já só a saudade...
a dor ou a doçura, a noite que murmura
a memória duma vida em seu ar distante
tua mulher e amante.
o tempo vai quebrando laços
vai desfazendo nossos passos
vai espiando a ocasião
enlaça-nos numa intranquila solidão.
refugia-se nos meus olhos
este desmesurado amor...
enquanto a tua boca me entrega
o júbilo aceso duma flor.
o tempo todo vem perdurando em mim
a jovem chama, que me põe a mente
incendiada, traz-me a tua recordação e eu,
tropeçando, caída e cansada ainda assim.
vejo nos teus olhos o céu...
e no teu corpo o único destino meu.
natalia nuno
rosafogo
sábado, 21 de janeiro de 2017
no fundo do tempo
é larga a rua dos anos que já levo
é tão grande o silêncio que nem
me atrevo, e levo apagada a voz
e a angústia desliza no peito
desfeito...
a noite enferma é violência atroz
perco-me nas sombras
desejando horizontes onde possa
prolongar meu vôo
sem jeito, assim me vou...
a vida empurra-me para o nada
o sonho distante, a realidade presente
as sensações batem obscuramente
e vão morrendo na mente soterradas
aquietadas na dor do dia
e da noite, numa frágil porfia.
lentas são as horas
palavras caídas são vento da recordação
e tu que demoras!... recordando-te
sinto o frio irremediável da solidão.
emerjo na firmeza de seguir
vou pespontando os velhos sonhos
de esperança...visto-os com traje de menina
e como se regressasse do fundo do tempo
invento-me como outrora e uma nova luz
me acaricia e ilumina ...dou-te de novo o
coração, e tu me dás a mão.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
no coração da noite...
quem minha voz silencia
quem põe meus olhos vencidos
quem tal golpe me daria!?
os sonhos trago esquecidos
minha esperança apagada
o corpo esquartejado
certeza desterrada
memória sombreada
e meu rosto calado...
depois de tanta jornada
tudo me devolve ao nada
quem tal golpe me daria
quem minha voz silencia?!
minhas mãos em esquecimento
meu pensamento um labirinto
o coração em pranto, nem sinto!
recolho cada lágrima furtiva
não quero perder esta luta
insurjo-me contra o tempo e a vida
e contra o assédio da morte.
essa filha da puta.
natalia nuno
rosafogo
poema que é grito!
domingo, 8 de janeiro de 2017
destino cumprido...
onde estão meus anos moços
que deixarão meus olhos na escuridão
que me deixam apagada, desnudada
assim tratada com desdém
fingindo esta vida que não sou ninguém
onde está a moça sonhadora que agora
me põe louca...
que era botão de rosa a abrir
agora faz uma prece, mas a vida
não a quer ouvir... e chama-lhe louca.
vê-se a angústia no rosto cansado
no peito a saudade a morar
o tempo é um sopro que passa, que foge
afagos de amor lembro ao deitar
e ao acordar, de face enrugada
fico triste, calada, sem que a vida afronte
e nesse tempo que envelhece bebo água na fonte
e penso que Deus já de mim se esquece.
estes segredos meus que ao papel confesso
e toda a vontade que me resta como por magia
são um poço infindo onde já faleço
mas enquanto em minha mente se fizer dia
sentir-me-ei ditosa, tendo a saudade por companhia.
abandono-me ao tempo, as palavras entre meus dedos
desprendem-se inteiras, num destino cumprido
são o meu mar, o princípio e fim do tempo vivido.
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
poema triste...
olho p'la janela a escuridão circundante
que ameaça aceder ao avanço do dia
e este poema torna-se meu amante
o que horas antes impossível parecia
começa a noite triste a esfeapar-se
sem véus púrpura ou dourados
começam as estrelas a esgueirar-se
sobrevivem meus sonhos calados
dança a folha uma delicada dança
uma valsa sobre uma poça de água
mantenho-me viva m' alma descansa
no milagre de estar viva esqueço mágoa
fiquei à espera do crepúsculo esta tarde
com a ânsia duma criança que espera
só o poema ri desta minha ansiedade
como a dizer-me: quem espera desespera
escapa- me murmúrio de compreensão
dirijo-me a ele com um olhar sombrio
e assim escrevo mergulhada na confusão
e a vida acossante... tem-nos por um fio
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
porque hei-de rir?
Porque hei-de rir
se há flores a definhar no jardim
e já pouco ou nada resta de mim?
porque hei-de rir
se já a morte adivinho
e chegou ao fim mais um dia do caminho?
Porque hei-de rir
se a vida semeou em mim a solidão
se a morte é previsível, só a vida não?
Porque hei-de rir
se trago meus lábios sequiosos
no silêncio, e o corpo adormecido
num vazio sem sentido?
Os sonhos foram suicidas corajosos
abandonaram-me não deixaram rasto em mim
resta a estrada a chegar ao fim
porque hei-de rir?
Vou rir-me do Poeta não de mim.
natalia nuno
rosafogo
sábado, 24 de dezembro de 2016
arrebatamento...
ante o teu corpo junto ao meu... vou sonhando
prossigo inteiramente tua, do sempre ao agora
descubro a tua força, enquanto tu me amando
segredo aos teus ouvidos, rogando mais na hora
a loucura, o sonho, esse que vive junto ao meu
é como uma cascata de sede, que nos aprisiona
vejo o mar no teu olhar, fica o meu preso no teu!
esse corpo desencaminha o meu que se abandona
e nessa loucura ... o sonho me leva com paixão
somos como um vendaval q' palpita aprisionado
a plenitude é um mudo instante, e logo é extinção
procuramos inutilmente o amor ainda em chamas
foi-se em longínquos dias, em silêncio devorado
resta lágrima que nos afoga, e o dizeres q´me amas.
natalia nuno
rosafogo
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