palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sábado, 24 de dezembro de 2016
arrebatamento...
ante o teu corpo junto ao meu... vou sonhando
prossigo inteiramente tua, do sempre ao agora
descubro a tua força, enquanto tu me amando
segredo aos teus ouvidos, rogando mais na hora
a loucura, o sonho, esse que vive junto ao meu
é como uma cascata de sede, que nos aprisiona
vejo o mar no teu olhar, fica o meu preso no teu!
esse corpo desencaminha o meu que se abandona
e nessa loucura ... o sonho me leva com paixão
somos como um vendaval q' palpita aprisionado
a plenitude é um mudo instante, e logo é extinção
procuramos inutilmente o amor ainda em chamas
foi-se em longínquos dias, em silêncio devorado
resta lágrima que nos afoga, e o dizeres q´me amas.
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
lavro versos...
tento afogar o nó que me prende
a este frio intenso que me rasga
lavro versos, versos, sigo em frente
e nem palavra alguma me engasga
sonho, e sinto desejo em cada linha
lavro versos, com verbos d' claras raízes
enquanto a memória tem sol e caminha
em risco, até que que tu vida me ajuízes
se a morte me enclausurar na sua torre
jamais a palavra poderá vir a morrer
quem lavra versos também nunca morre!
simplicidade extrema, és fogo que ateias
e eu sou noite ou dia um violino a arder
sede de rouxinóis em afã nas minhas veias.
natalia nuno
rosafogo
A TODOS OS AMIGOS, que visitam este blog homenageio com este singelo soneto, desejando-vos Boas Festas e Bom Ano Novo.
a vida é fogo...
a vida é fogo, viagem que não se detém
arvorada em gritos d'alegria também d' dor
apertado nó que ninguém desata, porém
vertiginosa trepadeira, onde existe amor.
a vida é um sopro de sonoras subtilezas
nela se desenlaçam lembranças vividas
águas adormecidas, são trinados, belezas
umas recentes, outras há muito nascidas
a vida é água agreste, pura e cintilante
corre arrebatada como a querer escapar-se
enfeitiçada vive e é só mais um instante
numa melodia constante até ao sossego
pronta a cumprir destino a despenhar-se
ali onde a morte à vida não mais tem apego.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
no vazio
passaram os anos de maior vigor
agora amor...vamos acenando à vida
com um adeus animador
seguimos com coragem
esta viagem, incansavelmente
já que a vontade de viver
ancora ainda no nosso horizonte
e tudo faremos para a manter
às vezes, a taciturnidade se abeira de mim
e logo uma saudade sem fim
a querer perpetuar o horizonte dos meus sonhos.
o tempo invisível, partiu
apagando-se no silêncio, no vazio
num lamento doentio...a alegria já emudece
surgem , lágrimas e pensamentos de
resignação,
a este tempo que nos isola,
que à nossa pele se agarra como uma
prisão,
trago a sede no ouvido, do meu riso
trago sede de regressar ao calor do teu olhar
escondo-me num recanto da memória
e é aí que sei amar-te
ocupo os degraus da minha imaginação
fujo dos golpes e dos redemoinhos
levo-te no coração
e por atalhos vou sonhando à procura
de outros caminhos.
o tempo não abdica nem de ti, nem de mim
escuta os relógios e a sua pressa
sempre com a mesma obsessão... a de nos levar o coração
mas em nós habitarão quimeras sem fim.
natalia nuno
rosafogo
sábado, 10 de dezembro de 2016
percorre-me o obscuro
joelhei-me à borda d'água
para aplacar minha sede...
olhei-me ao espelho c'mágoa
tempo, pena de mim não teve
trago um mal estar no peito
que é derrota e bem amarga
pra quê sofrer deste jeito ?!
se este tempo não me larga!
partiram sonhos em barcas
meu rosto tingiu-se de medo
já não tenho asas quebrei-as
lembranças abandonei-as...
murmuro ais em segredo
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
poema confidente
nasce o poema como impetuosa papoila
vai ressurgindo numa viagem que não se detém
e como arauto certeiro da saudade,
nada, nem ninguém, vem
alterar o seu destino,
poema denso, nascendo menino
e tão breve como um pavio
poema imenso, na memória renascendo
desenlaça lembranças que estavam por um fio.
levanta-se amedrontado
como apavorada trepadeira, como se buscasse
palavras nas minhas entranhas
em sobressaltos rasgado, confiado num sonho maior
delirando como o troar dum vulcão
vai-me rasgando o coração...
não é poema de amor, não é poema de rancor
é um poema dum canto confidente,
poema de tranquila solidão, dum sonho
que inteiro passa, que me abraça,
que me assobia aos ouvidos agora delicadamente
lembrando a criança que nos meus anos corre
e não morre, enquanto tiver vivos os sentidos.
poema de luz fugidia, que se aproxima e se evade
que me trata e destrata, me assedia
poema que é recordação e saudade.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
náufraga...
o peito é um mar sombrio, quando a noite surge enferma e sem estrelas... as ondas em movimento brusco, em grande tumulto vão desbravando os meus sonhos de náufraga... a cada dia mais inalcansáveis até me deixarem obscuramente no esquecimento...é este o medo que sobe os muros por detrás de cada sombra...cai a chuva numa sucessiva agonia, rastejando, cai cega como pedra atirada ao meu dia, e dos meus dedos de solidão fogem as recordações caídas em nevoeiros, o meu «mar» de repente emudece e abre-se o silêncio no meu coração, e eu penso que a vida é carta por fechar, é luz entre luz no caminho que continuo a sonhar.
natalia nuno
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