palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
lavro versos...
tento afogar o nó que me prende
a este frio intenso que me rasga
lavro versos, versos, sigo em frente
e nem palavra alguma me engasga
sonho, e sinto desejo em cada linha
lavro versos, com verbos d' claras raízes
enquanto a memória tem sol e caminha
em risco, até que que tu vida me ajuízes
se a morte me enclausurar na sua torre
jamais a palavra poderá vir a morrer
quem lavra versos também nunca morre!
simplicidade extrema, és fogo que ateias
e eu sou noite ou dia um violino a arder
sede de rouxinóis em afã nas minhas veias.
natalia nuno
rosafogo
A TODOS OS AMIGOS, que visitam este blog homenageio com este singelo soneto, desejando-vos Boas Festas e Bom Ano Novo.
a vida é fogo...
a vida é fogo, viagem que não se detém
arvorada em gritos d'alegria também d' dor
apertado nó que ninguém desata, porém
vertiginosa trepadeira, onde existe amor.
a vida é um sopro de sonoras subtilezas
nela se desenlaçam lembranças vividas
águas adormecidas, são trinados, belezas
umas recentes, outras há muito nascidas
a vida é água agreste, pura e cintilante
corre arrebatada como a querer escapar-se
enfeitiçada vive e é só mais um instante
numa melodia constante até ao sossego
pronta a cumprir destino a despenhar-se
ali onde a morte à vida não mais tem apego.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
no vazio
passaram os anos de maior vigor
agora amor...vamos acenando à vida
com um adeus animador
seguimos com coragem
esta viagem, incansavelmente
já que a vontade de viver
ancora ainda no nosso horizonte
e tudo faremos para a manter
às vezes, a taciturnidade se abeira de mim
e logo uma saudade sem fim
a querer perpetuar o horizonte dos meus sonhos.
o tempo invisível, partiu
apagando-se no silêncio, no vazio
num lamento doentio...a alegria já emudece
surgem , lágrimas e pensamentos de
resignação,
a este tempo que nos isola,
que à nossa pele se agarra como uma
prisão,
trago a sede no ouvido, do meu riso
trago sede de regressar ao calor do teu olhar
escondo-me num recanto da memória
e é aí que sei amar-te
ocupo os degraus da minha imaginação
fujo dos golpes e dos redemoinhos
levo-te no coração
e por atalhos vou sonhando à procura
de outros caminhos.
o tempo não abdica nem de ti, nem de mim
escuta os relógios e a sua pressa
sempre com a mesma obsessão... a de nos levar o coração
mas em nós habitarão quimeras sem fim.
natalia nuno
rosafogo
sábado, 10 de dezembro de 2016
percorre-me o obscuro
joelhei-me à borda d'água
para aplacar minha sede...
olhei-me ao espelho c'mágoa
tempo, pena de mim não teve
trago um mal estar no peito
que é derrota e bem amarga
pra quê sofrer deste jeito ?!
se este tempo não me larga!
partiram sonhos em barcas
meu rosto tingiu-se de medo
já não tenho asas quebrei-as
lembranças abandonei-as...
murmuro ais em segredo
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
poema confidente
nasce o poema como impetuosa papoila
vai ressurgindo numa viagem que não se detém
e como arauto certeiro da saudade,
nada, nem ninguém, vem
alterar o seu destino,
poema denso, nascendo menino
e tão breve como um pavio
poema imenso, na memória renascendo
desenlaça lembranças que estavam por um fio.
levanta-se amedrontado
como apavorada trepadeira, como se buscasse
palavras nas minhas entranhas
em sobressaltos rasgado, confiado num sonho maior
delirando como o troar dum vulcão
vai-me rasgando o coração...
não é poema de amor, não é poema de rancor
é um poema dum canto confidente,
poema de tranquila solidão, dum sonho
que inteiro passa, que me abraça,
que me assobia aos ouvidos agora delicadamente
lembrando a criança que nos meus anos corre
e não morre, enquanto tiver vivos os sentidos.
poema de luz fugidia, que se aproxima e se evade
que me trata e destrata, me assedia
poema que é recordação e saudade.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
náufraga...
o peito é um mar sombrio, quando a noite surge enferma e sem estrelas... as ondas em movimento brusco, em grande tumulto vão desbravando os meus sonhos de náufraga... a cada dia mais inalcansáveis até me deixarem obscuramente no esquecimento...é este o medo que sobe os muros por detrás de cada sombra...cai a chuva numa sucessiva agonia, rastejando, cai cega como pedra atirada ao meu dia, e dos meus dedos de solidão fogem as recordações caídas em nevoeiros, o meu «mar» de repente emudece e abre-se o silêncio no meu coração, e eu penso que a vida é carta por fechar, é luz entre luz no caminho que continuo a sonhar.
natalia nuno
sonho incubado...
sempre o mesmo sonho incubado
para dar sentido à vida
trago-o cá dentro calado
a fazer face ao desalento
com um estremecimento, às vezes
ergue-se provocador, desafiador
com tanto empenhamento
que me deixa sonhadora, como uma
jovem promissora
numa explosão de felicidade,
numa desabrida saudade.
na realidade, cada descer ao passado
sustenta cada momento meu,
como semente no meu interior
regada e cuidada, que do tédio me resgata
e encaminha os passos com fervoroso ardor
o tempo feroz me dificulta o avanço
faço a viagem num estado de sonho
com a brisa primaveril a baloiçar-me
na mente, e a vida, me aplaude intimamente,
há uma frota de nuvens que desliza pelo céu
nelas viajo até ao futuro, nem claro nem escuro,
para trás os tempos mortos e vãos
transformei-me numa enganadora com saudade
escrevo com minhas mãos, emoções com ingenuidade
escrevo sobre o impossível que é voltar atrás
alimento-me de ilusão, já tanto se me faz!
natalia nuno
rosafogo
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