palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sábado, 10 de maio de 2014
Quem sou então?
Por mais que me procure,
de mim não sei!
A imagem que vejo de mim
não pode ser esta... é apenas
o que resta!
Então quem serei?
Talvez a do retrato, aquela
mais antiga!?
Ah! Mas essa está na gaveta
das antiguidades...
Não sejais amáveis! Não sou essa
nem as outras, porque delas
só restam saudades.
Quem sou então,
que me procuro insistentemente?
Quem sou na realidade?!
Ora, sou simplesmente a que sonha!
Já sei... talvez a que escreve poemas
como se matasse a sede,
ou a que acorda e adormece nas palavras,
que traz a memória desarrumada,
que traz na boca pássaros chilreantes,
Não! Não sou esta também... assim de horror
tomada.
Nem sou mais a de antes...
Sou a que se ouve num tempo distante
a que trago comigo na lembrança
sou a que leva saudade na bagagem
e o perfume da criança que interiorizo
as palavras que me saem do coração
Assiste-vos a razão de julgar que
não tenho juízo...
Quem sou então?
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Pari mais um poema...
Pari mais um poema
O tempo não espera
aflige-se o coração, desespera,
a alma interroga-se abalada
sem saída...enlouquecida.
Fragmenta-se de emoção o olhar
a melancolia a incubar
a mente, loucura sem sentido
este viver...
Doidice que surge frequentemente
felicidade que urge alcançar-se
mas não se alcança,
foge a alegria, ou somos nós
que nos entregamos à tristeza
sem pássaros nem flores
sem cores, nem beleza.
O tempo é fatigante
pardo e tanta vez difícil
mas ainda assim somos
da vida amante.
De volta nunca houve nem haverá
viajante...
Há por lá algo que nos prende a mão
e por cá, deixamos o coração.
Como é nauseante pensar na morte!
É noite na alma
nos atrai um pressentimento
já é pouco o sentido da vida
o tempo não espera por ninguém
irreverente, logo leva a vida
de vencida.
natalia nuno
rosafogo
domingo, 4 de maio de 2014
Instantes que se esfumam...
Levantou-se o tempo enlouquecido
e a galope levou-me o coração
sem sequer me ter ouvido
levou-o por entre a multidão.
Afunda-se a minha vontade
na memória o esquecimento
só permanece a saudade
por entre o silêncio...
Estremeço no pavor da hora
calaram-se os que me amaram
seus pensamentos são segredo
e enquanto o tempo me fustiga,
ondulo como uma árvore a medo
trago meus sentidos parados
o pensamento fugitivo
e o sonho já não faz ruído.
Desnudei a alma
mas o corpo trago erguido
como que amanhecido
esquecendo a fugacidade do tempo
e a felicidade volta a mim de novo
existo, crio forças, o sol brilha
como já o havia visto,
conservando-me um pouco de frescura.
Velho tempo saqueador
passou, e a tristeza
então levou...
Deu tréguas ao meu peito ferido,
me entrego à vida
não quero meu vôo tolhido.
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Irei por aí...
Vou por aí o tempo escasseia
caminho difícil antes do fim
vou urdindo teia a teia...
procurando horas de felicidade
ainda que o tempo fuja de mim.
e só reste um pouco de saudade.
Hei-de ir por aí mesmo cansada
este é meu caminho a percorrer
n' quero perder o fio à meada
e se um dia me hão-de ver
a seguir por outra estrada
não foi...a por mim traçada!
Vou por aí neste meu sentido,
seja ou não grande m' loucura
a vida é fantasia e pouco dura
se no caminho tiver adormecido
ou se me virem por aí caída!?
levo amor, não levo a dor fingida
Se a morte me quiser engolir
ainda irei por aí, pra lá de tudo,
cabe-me a mim a vida conduzir
andando neste meu passo miúdo
não deixarei nenhum recado
levo presente, futuro e passado
Não, não desisto de ir por aí!
levo comigo tudo que me resta
levo as rimas que um dia escrevi
sobre alecrim, madressilva, giesta
e as outras que ao amor dediquei
gestos, afectos, o que cantei e chorei.
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 23 de abril de 2014
palavras vestidas...
as palavras que tenho para dizer-te
hei-de vesti-las e embelezá-las
hei-de cantá-las
com verdadeiro amor
hei-de fazer crer-te
que o céu azula
e o sol tem mais calor
rimas hei-de criá-las com paixão
hei-de colocar joelhos no chão
prometer-te o nectar das delícias
gotejante em carícias...
e num poema de amor
numa tontura de prazer
hei-de dizer-te
palavras que valha a pena falar
de beleza vestidas, que hei-de
cantar...
e o verde dos meus olhos
deixar-se-à pelos teus enamorar
as mãos enlaçando, vivendo
e assim o corpo entardecendo.
natalia nuno
rosafogo
domingo, 20 de abril de 2014
o que hoje canto...
O canto que hoje canto
um dia vai extinguir
perderei a vontade de prosseguir
já nada me pertence nem o encanto
das palavras
a voz estará gasta
os olhos sombrios, e as manhãs
já não terão a mesma frescura
só a ternura, fará o velho coração
palpitar...
Fecho os olhos e no sonho tudo pode
acontecer, haverá sempre um dia
a renascer
com o rosmaninho exalando perfume
e eu cantando amor e ciúme
abraçada aos lírios do campo
perdida entre as coisas do tempo
ficarei presente...eternamente!
Já sem lembranças, sem palavras
apenas vestida da minha nudez
contendo o pranto...
O que hoje canto
se perde ou não perde, vá-se lá saber!?
Mas a palavra semeada
quem a fará desaparecer?
Deus a fará fortalecer!
natália nuno
rosafogo
sexta-feira, 18 de abril de 2014
minha entrega à poesia...
As lembranças
são as mais belas flores da m'ha alma
quando surge o desalento
me dão coragem, ventura de ser
cismadora, arranjo alento
ateio a chama, e no coração
a esperança até caber.
A solidão que me resgatou
me entrega aos versos
e embora poeta imperfeito
ninguém mos arranca do peito
No perfume da madrugada
há luz e harmonia
e uma vontade imensa
de entrega à Poesia.
Florida é a saudade
da idade da adolescência
quem não sonha
com anseios da mocidade?
Em meus versos a descrevo
enquanto se consome minha existência.
E num infantil encantamento
relembrar os primeiros anos
os pensamentos estremecem
vejo os danos
mas deixo-me morrer sorrindo,
vivo e morro cantando
a reviver,
com a ventura de ser
Poeta...
natalia nuno
rosafogo
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