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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Irei por aí...





Vou por aí  o tempo escasseia
caminho difícil antes do fim
vou urdindo teia a teia...
procurando horas de felicidade
ainda que o tempo fuja de mim.
e só reste um pouco de saudade.

Hei-de ir por aí mesmo cansada
este é meu caminho a percorrer
n' quero perder o fio à meada
e se um dia me hão-de ver
a seguir por outra estrada
não foi...a por mim traçada!

Vou por aí neste meu sentido,
seja ou não grande m' loucura
a vida é fantasia e pouco dura
se no caminho tiver adormecido
ou se me virem por aí caída!?
levo amor, não levo a dor fingida

Se a morte me quiser engolir
ainda  irei por aí, pra lá de tudo,
cabe-me a mim a vida conduzir
andando neste meu passo miúdo
não deixarei nenhum recado
levo presente, futuro e  passado

Não, não desisto de ir por aí!
levo comigo tudo que me resta
levo as rimas que um dia escrevi
sobre alecrim, madressilva, giesta
e as outras que ao amor dediquei
gestos, afectos, o que cantei e chorei.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 23 de abril de 2014

palavras vestidas...



as palavras que tenho para dizer-te
hei-de vesti-las e embelezá-las
hei-de cantá-las
com verdadeiro amor
hei-de fazer crer-te
que o céu azula
e o sol tem mais calor
rimas hei-de criá-las com paixão
hei-de colocar joelhos no chão
prometer-te o nectar das delícias
gotejante em carícias...

e num poema de amor
numa tontura de prazer
hei-de dizer-te
palavras que valha a pena falar
de beleza vestidas, que hei-de
cantar...
e o verde dos meus olhos
deixar-se-à pelos teus enamorar
as mãos enlaçando, vivendo
e assim o corpo entardecendo.

natalia nuno
rosafogo



domingo, 20 de abril de 2014

o que hoje canto...


O canto que hoje canto
um dia vai extinguir
perderei a vontade de prosseguir
já nada me pertence nem o encanto
das palavras
a voz estará gasta
os olhos sombrios, e as manhãs
já não terão a mesma frescura
só a ternura, fará o velho coração
palpitar...
Fecho os olhos e no sonho tudo pode
acontecer, haverá sempre um dia
a renascer
com o rosmaninho exalando perfume
e eu cantando amor e ciúme
abraçada aos lírios do campo
perdida entre as coisas do tempo
ficarei presente...eternamente!

Já sem lembranças, sem palavras
apenas vestida da minha nudez
contendo o pranto...
O que hoje canto
se perde ou não perde, vá-se lá saber!?
Mas a palavra semeada
quem a fará desaparecer?
Deus a fará fortalecer!

natália nuno
rosafogo


sexta-feira, 18 de abril de 2014

minha entrega à poesia...




As lembranças
são as mais belas flores da m'ha alma
quando surge o desalento
me dão coragem, ventura de ser
cismadora, arranjo alento
ateio a chama, e no coração
a esperança até caber.
A solidão que me resgatou
me entrega aos versos
e embora poeta imperfeito
ninguém mos arranca do peito
No perfume da madrugada
há luz e harmonia
e uma vontade imensa
de entrega à Poesia.

Florida é a saudade
da idade da adolescência
quem não sonha
com anseios da mocidade?
Em meus versos a descrevo
enquanto se consome minha existência.

E num infantil encantamento
relembrar os primeiros anos
os pensamentos estremecem
vejo os danos
mas deixo-me morrer sorrindo,
vivo e morro cantando
a reviver,
com a ventura de ser

Poeta...

natalia nuno
rosafogo

domingo, 13 de abril de 2014

Homenagem da Poeta Antonia Ruivo




16/4/2010


Sábias são as palavras

Ao falar da vida vivida
Por vezes em lágrimas amargas
Refaz uma esperança perdida

Mulher com nome de flor

Escreve em rima fina
Com uma mestria divina 
Dissimulando em ar sonhador
Alguns sonhos de menina
Aqui e além a rotina
Se espelha na escrita sentida
Reflectindo um sonho de amor.


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=128501#ixzz2yng02YjT


Agradecimento:


Repouso a vista em campos vizinhos

Tudo calmo nada a quebrar
a monotonia.
Há gente pelos caminhos
E eu, um ror de tempo a recordar,
assim passa mais um dia.

O coração pula no peito

Lembro de tudo como se ontem acontecesse
Tenho p'ra mim que é meu defeito
Desejar que o tempo morresse.
E com vagar
Afinal sou cumplice também
Tudo calmo nada a quebrar

«a amizade por ti também.»



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=128501#ixzz2ynhKWwCt


natalia nuno

rosafogo

sexta-feira, 11 de abril de 2014

se me entendesses...



A sair de mim teimam
estas palavras que me atiçam
e queimam
deixo-as em versos,
incertos, como a brisa
ao fim do dia, na hora derradeira
são canto saído dos lábios,
palavras sonho duma
vida inteira...
Palavras que me ocorrem
canto de sonhos que não morrem.

Como queria que m'entendesses
sem palavras
como eu entendo o mar
apenas com o olhar
que m'entendesses como os pássaros
que me cantam
como a flor que se abre no campo
ou como a água que brota da nascente
sem palavras, apenas com o sorrir
somente...
Correria então a dizer-te
que é fogo incandescente
o meu amor por ti.

Sem palavras, tudo assim
simples como vôo de rouxinol
abrigar o amor no peito delicadamente
alcançar manhãs vindouras
e novos amanheceres
e sem palavras, renovar
a arte do prazer.

natalia nuno
rosafogo




quarta-feira, 9 de abril de 2014

Entre a terra e o céu...




Aqui neste lugar soalheiro
moldo a minha vida
livre, sem olhares
nem testemunhas, sou o oleiro
e o barro e as palavras que coso
a todo o instante
sou deste lugar amante.
Voo em liberdade
entre a terra e o céu
canto ou choro e não me ouvem
e tudo é meu...
É minha a saudade, são
minhas as queixas, a
chuva que nos meus vidros
escorre,
é minha a mentira e a verdade
e é minha a dureza do tempo
que já morre.
Aqui neste lugar às vezes
céu, outras inferno,
só as palavras não mudam
e o amor à Poesia é eterno.

Aqui neste lugar
posso inventar, instantes de sol
e de luar...

natalia nuno
rosafogo