palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sexta-feira, 4 de abril de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Para quem escrevo?
Olho-me ao espelho e
a interrogação fica na boca
porquê esta pressa louca?
Há sempre uma hora a morrer
um dia a desaparecer
e eu aqui entre os outros
julgando-me forte
olho as minhas pegadas sobre a terra
caminho, sonho
e esqueço a morte.
E escrevo para quê?
E para quem escrevo?
Certamente para quem lê!
E para quem não lê,
e todos são uma multidão.
Para ti, são as palavras
que sem quereres lê-las
te vão entrando no coração,
se não te forem indiferentes
terás a minha gratidão
gratidão dum
coração que não pára
como o mar,
pois há nele memória e solidão,
enquanto o poeta caído
continua a sonhar...
Escrevo a palavra quotidiana
e o que digo é pouco ou nada
falo do tempo e da saudade
nesta língua por mim amada.
natalia nuno
rosafogo
imag net
terça-feira, 1 de abril de 2014
apenas sonho...
O vento sopra-me no rosto, olho as ondas a bater lentamente, cadenciadas, neste dia cinzento. Não ouço vozes nem risos, conto os minutos precisos para ver o anoitecer, ao redor continua tudo mudo.
Cresce a relva sob os meus pés, sou a única a olhar o mar, o vento move-me o cabelo e me acaricia de novo, e assim, passa mais um dia.
Irá chover? Não...o vento dispersa as nuvens, e o meu pensamento é um pedaço de céu azul onde as palavras se agitam, como peixe fora de água. Voam mosquitos na luz do entardecer e eu fico impaciente por te ver.
Atiro uma pedrinha à agua e, vou esquecendo a mágoa. À memória a família, a casinha onde nasci, a porta da entrada e as flores que em frente nascem, lá estou eu, cabelos negros, com meu vestido azul-marinho, brincando no meu cantinho, com uma boneca de trapos.
natalia nuno
rosafogo
sábado, 29 de março de 2014
E o que fui?
Secaram roseiras no jardim,
ficaram tristes as açucenas
da cor do desespero
de mim...
Não soube nunca como
adormeci minhas penas
suspendi minhas lembranças
não sei...e, saber não quero!
Indiferente a esta tragédia
aguardo um outro dia,
agora resta uma esperança
mansa e cinzenta
a iludir-me o destino
e uma lágrima que corre lenta.
Tudo me escapa e me foge
tudo galopa aos meus olhos
sonhos partiram no vento
em torvelinho me sinto hoje
trago minha vida cercada
nostalgias em meus dias
um grito na boca calada.
O tempo de nada esquece
corre, corre e me espreita
e eu não sei como fugir-lhe
minha memória adormece
numa solidão perfeita,
também ela me foge
e foge ao mundo
tornando o esquecimento
profundo,
E o que fui?
Não sei!
O vazio a mim chegou,
olho-me e não estou,
hoje sou só nostalgia
talvez me encontre ainda?!
Talvez um dia...
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 25 de março de 2014
já o sol me foge...
Extingue-se o sol
adormecem já os pássaros
murcham as rosas
e eu sem dar conta,
sinto o travo da vida
que vai a uma ponta,
tudo se passa ao redor
e eu pássaro faminto de amor
deixando cair uma lágrima
que se anula perdida
p'lo rosto caída.
Acentuam-se os sinais
e a memória a obscurecer
e este tempo que passo a passo
num constante caminhar
me vai tirando o traço,
já o sol me foge
já nem ele me aquece
já minha vontade esmorece.
Deixo versos interrompidos
na incerteza de a eles voltar
deixo neles meus gemidos
levo-os nos olhos a chorar
Sinto as horas rainhas
onde já tudo é passado
saudade das raízes minhas
que exaltam meu viver
e deixam meu ser, outro ser.
natália nuno
rosafogo
segunda-feira, 24 de março de 2014
Foi ontem...
Onde está meu rosto de ontem?
Caiu-me gelo na memória?
Soprou o vento
perdi a imagem,
arrebatou-a a aragem
resta o desalento...
Morro continuamente
digo adeus a outras primaveras
agora é tudo diferente
sem encanto nas esperas.
Ontem! Foi ontem,
que meu rosto se evaporou
na aragem perdido
longe de mim ficou,
sem um gemido
D'outra forma poderia
ter sido?
Ante meus olhos vejo o tempo passar
deixo-o de mim abeirar
e hei-de rir...sem perder
a ocasião, gritar como
louca varrida,
e que não venha a vida
confundir meu coração,
que eu trago a mesma força no peito
que sou a mesma,
mas d'outro jeito.
Em meu rosto é agora outono
já na saudade me abandono.
natalia nuno
rosafogo
Calei os versos
Calei os versos
no meu peito
chorei a dor
de que meu fado é feito
nada mais será escrito
quero ficar só
neste chão que habito,
despeço-me desta lida
com a alma dorida.
Calei os versos
disse adeus à saudade
mas ninguém me cala a boca
ninguém há-de...
Em despedida
canto as minhas saudades
como o sino toca
no dobrar das tardes.
Calei os versos
gastei o coração
a solidão veio
instalar-se no meu seio.
Sem mais um verso, nem
mais uma linha
aguardo a morte que se
avizinha.
Calei os versos
e as lembranças,
já nada me prende
nem as esperanças!
Ninguém me entende,
calei a fala e minha
crença ardente,
só a poesia está
descontente.
Em pranto mudo
de mim ausente
deixo-a que de mim é tudo,
bálsamo, suavidade
sentimentos que vão e vêem,
oração da minha saudade.
natalia nuno
rosafogo
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