palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
terça-feira, 25 de março de 2014
já o sol me foge...
Extingue-se o sol
adormecem já os pássaros
murcham as rosas
e eu sem dar conta,
sinto o travo da vida
que vai a uma ponta,
tudo se passa ao redor
e eu pássaro faminto de amor
deixando cair uma lágrima
que se anula perdida
p'lo rosto caída.
Acentuam-se os sinais
e a memória a obscurecer
e este tempo que passo a passo
num constante caminhar
me vai tirando o traço,
já o sol me foge
já nem ele me aquece
já minha vontade esmorece.
Deixo versos interrompidos
na incerteza de a eles voltar
deixo neles meus gemidos
levo-os nos olhos a chorar
Sinto as horas rainhas
onde já tudo é passado
saudade das raízes minhas
que exaltam meu viver
e deixam meu ser, outro ser.
natália nuno
rosafogo
segunda-feira, 24 de março de 2014
Foi ontem...
Onde está meu rosto de ontem?
Caiu-me gelo na memória?
Soprou o vento
perdi a imagem,
arrebatou-a a aragem
resta o desalento...
Morro continuamente
digo adeus a outras primaveras
agora é tudo diferente
sem encanto nas esperas.
Ontem! Foi ontem,
que meu rosto se evaporou
na aragem perdido
longe de mim ficou,
sem um gemido
D'outra forma poderia
ter sido?
Ante meus olhos vejo o tempo passar
deixo-o de mim abeirar
e hei-de rir...sem perder
a ocasião, gritar como
louca varrida,
e que não venha a vida
confundir meu coração,
que eu trago a mesma força no peito
que sou a mesma,
mas d'outro jeito.
Em meu rosto é agora outono
já na saudade me abandono.
natalia nuno
rosafogo
Calei os versos
Calei os versos
no meu peito
chorei a dor
de que meu fado é feito
nada mais será escrito
quero ficar só
neste chão que habito,
despeço-me desta lida
com a alma dorida.
Calei os versos
disse adeus à saudade
mas ninguém me cala a boca
ninguém há-de...
Em despedida
canto as minhas saudades
como o sino toca
no dobrar das tardes.
Calei os versos
gastei o coração
a solidão veio
instalar-se no meu seio.
Sem mais um verso, nem
mais uma linha
aguardo a morte que se
avizinha.
Calei os versos
e as lembranças,
já nada me prende
nem as esperanças!
Ninguém me entende,
calei a fala e minha
crença ardente,
só a poesia está
descontente.
Em pranto mudo
de mim ausente
deixo-a que de mim é tudo,
bálsamo, suavidade
sentimentos que vão e vêem,
oração da minha saudade.
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 19 de março de 2014
MEU PAI
Sempre em mim o sonho de menina
Querendo dar-te um carinhoso abraço
Como fazia quando era pequenina
Quando aprendia o meu primeiro passo....
Hoje, trago-te nas minhas lembranças
Neste escrever triste sem esperanças
Recordo que partiste uma tarde,foi duro
E a custo ainda agora meu pranto seguro.
Num mar de lágrimas banhada
Minha alegria já é quase nada!
Lembro-me de ti a todo o instante.
Teus olhos azuis que não voltarei a ver
Oprime-se me a garganta só de te dizer
Que nosso encontro pode já não ser distante.
rosafogo
O meu pai era um homem do campo, analfabeto, mas
nem por isso e apesar das mãos calejadas me deixou
de acarinhar, hoje o recordo com saudade.
nattalia nuno
domingo, 16 de março de 2014
ESTE É O POEMA...
Este é o poema onde tu me despes
como se fosse tua,
onde me sinto nua e crua.
Da tua boca saem palavras loucas
estremecidas de ternura
e loucura,
e tuas mãos sem paragem
seguem p'lo meu corpo viagem.
E o teu querer actua
num ritual de ir à lua
e voltar.
Nada sei de ti...
Que sabes de mim?
Tu és apenas o poema que li,
o amor que não vai acabar
porque te quero tanto assim!
Deixo-me ir na lonjura,
na entrega, na emoção...
Viajo no teu corpo, banhada
numa corrente de mel
onde com ternura
dirijo a tua mão
que arrepia a minha pele.
Nos meus olhos desejos
na tua boca beijos.
De repente o silêncio
como se estivessemos ausentes
Só nossos corpos ainda quentes.
Assim nos amávamos
enquanto o poema ía nascendo!
rosafogo
natalia nuno
sexta-feira, 14 de março de 2014
chorar por dentro...
Despedaça-se a madrugada
cinzenta e silenciosa
ouve-se o sino, depois a chuva prodigiosa
à distância cantam as ondas, os pinhais,
choram as crianças, os pássaros inquietos,
porquê vos inquietais?
As ruas estão escuras
meus sonhos sombrios
tantas são as agruras,
falai criaturas! Das tristezas
das incertezas, mas falai!
Como eu entendo cada vosso ai
quisera saber responder-vos
pondo o sol nos vossos olhos
libertar-vos da angústia
dessa vida que é feita de abrolhos.
Já clareia a madrugada
vive a vida, que a morte está certa!
A vida na tua mão é triunfo, é taça
passa breve, logo passa,
e a morte, é o morrer sem glória,
é um dia que se extingue,
é o tempo apodrecido
onde tudo fica adormecido.
Ouço os sons agora do amanhecer
já não chora o sino nem as crianças
nem os pássaros estão inquietos,
só as folhas a estremecer
o rio a correr,
e eu menina com sede de tempo
olho a aurora que clareia
lanço o cinzento ao esquecimento
e vivo, como uma recém nascida
a ver de novo nascer flores azuis
de Abril
sonhos que tinham sido vida
voltam de novo com suavidade
sob o orvalho da minha saudade.
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 13 de março de 2014
Tantas marés...
Pulula a vida no campo
o fumo sai em espiral
das chaminés
a vida tem tantas marés
minhas palavras sulcam os mares
sem temor
são orvalho da minha alma
a chama que me aquece
amor, saudade, minha prece.
Lembrança duma data já sumida
vozes perdidas, olhares que deixaram
de existir
traços desmaiados de rostos
tudo desarvorado na memória
a querer emergir,
nesta busca inefável dos sentidos
lembrança duma infinidade de molduras
que o tempo não apagou
saudade que em mim ronda
ternuras, sonhos que o tempo calou.
Há momentos sem idade
tudo me pertence
tudo é pertença minha
só quem viveu bem o sabe
que a saudade é sentimento que no coração
não cabe
que é luz como a da aurora
que alumia o campo afora...
E esta dor de lembrar que me consome
não tem idade nem nome
é só abrir os olhos e ver
pulula a vida e, eu quero também viver!
natalia nuno
rosafogo
escrito na aldeia 29/02/2014
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