palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quarta-feira, 19 de março de 2014
MEU PAI
Sempre em mim o sonho de menina
Querendo dar-te um carinhoso abraço
Como fazia quando era pequenina
Quando aprendia o meu primeiro passo....
Hoje, trago-te nas minhas lembranças
Neste escrever triste sem esperanças
Recordo que partiste uma tarde,foi duro
E a custo ainda agora meu pranto seguro.
Num mar de lágrimas banhada
Minha alegria já é quase nada!
Lembro-me de ti a todo o instante.
Teus olhos azuis que não voltarei a ver
Oprime-se me a garganta só de te dizer
Que nosso encontro pode já não ser distante.
rosafogo
O meu pai era um homem do campo, analfabeto, mas
nem por isso e apesar das mãos calejadas me deixou
de acarinhar, hoje o recordo com saudade.
nattalia nuno
domingo, 16 de março de 2014
ESTE É O POEMA...
Este é o poema onde tu me despes
como se fosse tua,
onde me sinto nua e crua.
Da tua boca saem palavras loucas
estremecidas de ternura
e loucura,
e tuas mãos sem paragem
seguem p'lo meu corpo viagem.
E o teu querer actua
num ritual de ir à lua
e voltar.
Nada sei de ti...
Que sabes de mim?
Tu és apenas o poema que li,
o amor que não vai acabar
porque te quero tanto assim!
Deixo-me ir na lonjura,
na entrega, na emoção...
Viajo no teu corpo, banhada
numa corrente de mel
onde com ternura
dirijo a tua mão
que arrepia a minha pele.
Nos meus olhos desejos
na tua boca beijos.
De repente o silêncio
como se estivessemos ausentes
Só nossos corpos ainda quentes.
Assim nos amávamos
enquanto o poema ía nascendo!
rosafogo
natalia nuno
sexta-feira, 14 de março de 2014
chorar por dentro...
Despedaça-se a madrugada
cinzenta e silenciosa
ouve-se o sino, depois a chuva prodigiosa
à distância cantam as ondas, os pinhais,
choram as crianças, os pássaros inquietos,
porquê vos inquietais?
As ruas estão escuras
meus sonhos sombrios
tantas são as agruras,
falai criaturas! Das tristezas
das incertezas, mas falai!
Como eu entendo cada vosso ai
quisera saber responder-vos
pondo o sol nos vossos olhos
libertar-vos da angústia
dessa vida que é feita de abrolhos.
Já clareia a madrugada
vive a vida, que a morte está certa!
A vida na tua mão é triunfo, é taça
passa breve, logo passa,
e a morte, é o morrer sem glória,
é um dia que se extingue,
é o tempo apodrecido
onde tudo fica adormecido.
Ouço os sons agora do amanhecer
já não chora o sino nem as crianças
nem os pássaros estão inquietos,
só as folhas a estremecer
o rio a correr,
e eu menina com sede de tempo
olho a aurora que clareia
lanço o cinzento ao esquecimento
e vivo, como uma recém nascida
a ver de novo nascer flores azuis
de Abril
sonhos que tinham sido vida
voltam de novo com suavidade
sob o orvalho da minha saudade.
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 13 de março de 2014
Tantas marés...
Pulula a vida no campo
o fumo sai em espiral
das chaminés
a vida tem tantas marés
minhas palavras sulcam os mares
sem temor
são orvalho da minha alma
a chama que me aquece
amor, saudade, minha prece.
Lembrança duma data já sumida
vozes perdidas, olhares que deixaram
de existir
traços desmaiados de rostos
tudo desarvorado na memória
a querer emergir,
nesta busca inefável dos sentidos
lembrança duma infinidade de molduras
que o tempo não apagou
saudade que em mim ronda
ternuras, sonhos que o tempo calou.
Há momentos sem idade
tudo me pertence
tudo é pertença minha
só quem viveu bem o sabe
que a saudade é sentimento que no coração
não cabe
que é luz como a da aurora
que alumia o campo afora...
E esta dor de lembrar que me consome
não tem idade nem nome
é só abrir os olhos e ver
pulula a vida e, eu quero também viver!
natalia nuno
rosafogo
escrito na aldeia 29/02/2014
terça-feira, 11 de março de 2014
De quantas maneiras te amo?
De quantas maneiras te amo?
Olho o verde macio
que ondeia à brisa
caminho em busca de vida
esquecendo o vazio.
Há muros a ruir
num emaranhado de vegetação
exuberante
e em mim a saudade a surgir
a todo o instante
pegando-me na mão.
Olho os arbustos casados
com as trepadeiras
e penso..
Amo-te de quantas maneiras?
Um gaio voou
por cima da minha cabeça
e uma pega relampejou
pousando num abeto
e eu amo-te e é tanto por ti
meu afecto!
Como represar um rio?
Se a água transpõe todos os obstáculos?
Perdem-se as palavras
como o esvoaçar dum falcão,
voando sem rumo nem direcção.
E eu amor,
amo-te de quantas maneiras?
escrito na aldeia em 27/02/2014
domingo, 9 de março de 2014
lágrimas do tempo...
Hoje o tempo chora,
até parece fingimento
chora sempre na minha janela
noite e dia a qualquer momento.
Ouço a toada da chuva
e me sinto cativa,
menos viva
porque o tempo cinzento
me deixa sem asas
com a vida num labirinto,
com o olhar embaciado
às cegas, assim me sinto.
O tempo chora,
sua mágoa refugia-se no meu peito
deixa minhas palavras cinzentas
minhas ideias nevoentas
meu sorriso fica desfeito,
dentro de mim a solidão
o tempo não se compadece
eu que tenho por mim e por ele
compaixão.
Um cheiro a terra molhada
traz-me uma vaga de saudade
da terra por mim amada
onde havia tanta claridade
e à noite a lua vinha vermelha
como criança apanhada de surpresa
a noite era velha
e tão longa,
hoje a lua não vem
sou eu que choro o tempo
é o tempo a chorar que me entretém.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
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