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quinta-feira, 13 de março de 2014

Tantas marés...



Pulula a vida no campo
o fumo sai em espiral
das chaminés
a vida tem tantas marés
minhas palavras sulcam os mares
sem temor
são orvalho da minha alma
a chama que me aquece
amor, saudade, minha prece.

Lembrança duma data já sumida
vozes perdidas, olhares que deixaram
de existir
traços desmaiados de rostos
tudo desarvorado na memória
a querer emergir,
nesta busca inefável dos sentidos
lembrança duma infinidade de molduras
que o tempo não apagou
saudade que em mim ronda
ternuras, sonhos que o tempo calou.

Há momentos sem idade
tudo me pertence
tudo é pertença minha
só quem viveu bem o sabe
que a saudade é sentimento que no coração
não cabe
que é luz como a da aurora
que alumia o campo afora...

E esta dor de lembrar que me consome
não tem idade nem nome
é só abrir os olhos e ver
pulula a vida e, eu quero também viver!

natalia nuno
rosafogo

escrito na aldeia 29/02/2014

terça-feira, 11 de março de 2014

De quantas maneiras te amo?



De quantas maneiras te amo?

Olho o verde macio
que ondeia à brisa
caminho em busca de vida
esquecendo o vazio.
Há muros a ruir
num emaranhado de vegetação
exuberante
e em mim a saudade a surgir
a todo o instante
pegando-me na mão.

Olho os arbustos casados
com as trepadeiras
e penso..
Amo-te de quantas maneiras?

Um gaio voou
por cima da minha cabeça
e uma pega relampejou
pousando num abeto
e eu amo-te e é tanto por ti
meu afecto!

Como represar um rio?
Se a água transpõe todos os obstáculos?
Perdem-se as palavras
como o esvoaçar dum falcão,
voando sem rumo nem direcção.

E eu amor,
amo-te de quantas maneiras?

escrito na aldeia em 27/02/2014


domingo, 9 de março de 2014

lágrimas do tempo...



Hoje o tempo chora,
até parece fingimento
chora sempre na minha janela
noite e dia a qualquer momento.
Ouço a toada da chuva
e me sinto cativa,
menos viva
porque o tempo cinzento
me deixa sem asas
com a vida num labirinto,
com o olhar embaciado
às cegas, assim me sinto.

O tempo chora,
sua mágoa refugia-se no meu peito
deixa minhas palavras cinzentas
minhas ideias nevoentas
meu sorriso fica desfeito,
dentro de mim a solidão
o tempo não se compadece
eu que tenho por mim e por ele
compaixão.

Um cheiro a terra molhada
traz-me uma vaga de saudade
da terra por mim amada
onde havia tanta claridade
e à noite a lua vinha vermelha
como criança apanhada de surpresa
a noite era velha
e tão longa,
hoje a lua não vem
sou eu que choro o tempo
é o tempo a chorar que me entretém.


natalia nuno
rosafogo


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

À mercê das horas...




Minhas mãos frias,
na mente poemas com alguns dias
as horas são-me  indiferentes...
Já caem à terra as sementes
que hão-de dar pão,
eu, se nada tenho... como e bebo palavras;
que me vêem à mente e ao coração
palavras banais, prontas a despejar
tempestade
relâmpagos na memória
que ribombam de saudade
palavras usuais
que fazem minhas tardes ansiosas
deixam-me perdida
e a alma em ferida.

À mercê das horas
apenas um longo silêncio
e assim o tempo é tudo
que passa por mim quieto e mudo.

A vida vai longe da metade
à distãncia tudo ficou
resta-me a saudade
ao fim da tarde
que ao fim... chegou.

natalia nuno
rosafogo

sábado, 15 de fevereiro de 2014

eco da saudade




Queria ser inda menina
no balouço a balouçar
ouvir de novo os sons perdidos
e num abraço deixar-me pelo corpo
da mãe a escorregar...
Coisas tão simples... mas tamanhas
que aos outros parecem estranhas.
Queria ser inda a menina
da escola e dos laços
feliz, ou quase sempre assim foi
seus passos, hoje ao relembrar
é dor de saudade que dói.

Hora que passou, mais uma a passar,
o rio, riu e chorou e de mim ficou
com pena, quando o balouço quebrou
também eu chorei por não puder mais
balouçar...
Na oliveira suspensa,
ao sabor da ventania
balouçava horas a fio, e ali adormecia.
A saudade me traz a ânsia,
e, ao apelo da minha voz, surge um eco
à distãncia, lá longe onde tudo é sonho
agora, um sonho que se eterniza
como a água do rio que desliza
num correr que não cansa...

Enquanto isso a vida avança!
Queria ser inda menina
beijar o pai docemente
ouvi-lo chamar-me dez réis de gente,
coisas tão simples... mas tamanhas
que aos outros parecem estranhas
e a que eu chamo de «saudade»...

natalia nuno
rosafogo





terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

quero falar-te de amor



quero falar-te de amor
da longa viagem amadurecida
aventurosa, fascinante,
generosa, pouco a pouco aprendida.
quero falar-te de amor
do sentimento que fecho à chave
neste fluir do tempo
que passa por nós como ave,
estamos de passagem
juntos na viagem.
.
às vezes o desanimo me angustia
é-me indiferente o tempo
e o caminho já percorrido
emudece o vento e logo,
amanhã é outro dia.

perdeu-se a embriaguês da primavera
somos viandantes perdidos
mas as lembranças ocorrem-me
à mente e o coração dilacera.
o espelho tornou-se impiedoso
lembra que o tempo passou
pensar que não, é utopia
do tempo ninguém escapou, mas
amanhã é outro dia.

quero falar-te de amor
da felicidade transbordante
sentida em nosso redor,
quando caminhamos lado a lado
com nosso olhar deslumbrado
a ver morrer o sol nas colinas.
quanta melancolia,
mas amanhã é outro dia.

ouço o eco das tuas palavras
não pronunciadas,
e é por essa linguagem
que não quebra o meu encanto
seguimos viagem
olhando as estrelas
ouvindo dos grilos o canto.
em harmonia...logo,
amanhã é outro dia.

nosso amor é um secreto jardim
de lembranças e emoções
sentidas, flores do passado,
se enredam em mim,
como as horas que passam devagar
na solidão das noites,
quando invento o teu afago
e me ponho a sonhar.


natalia nuno
rosafogo