palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
À mercê das horas...
Minhas mãos frias,
na mente poemas com alguns dias
as horas são-me indiferentes...
Já caem à terra as sementes
que hão-de dar pão,
eu, se nada tenho... como e bebo palavras;
que me vêem à mente e ao coração
palavras banais, prontas a despejar
tempestade
relâmpagos na memória
que ribombam de saudade
palavras usuais
que fazem minhas tardes ansiosas
deixam-me perdida
e a alma em ferida.
À mercê das horas
apenas um longo silêncio
e assim o tempo é tudo
que passa por mim quieto e mudo.
A vida vai longe da metade
à distãncia tudo ficou
resta-me a saudade
ao fim da tarde
que ao fim... chegou.
natalia nuno
rosafogo
sábado, 15 de fevereiro de 2014
eco da saudade
Queria ser inda menina
no balouço a balouçar
ouvir de novo os sons perdidos
e num abraço deixar-me pelo corpo
da mãe a escorregar...
Coisas tão simples... mas tamanhas
que aos outros parecem estranhas.
Queria ser inda a menina
da escola e dos laços
feliz, ou quase sempre assim foi
seus passos, hoje ao relembrar
é dor de saudade que dói.
Hora que passou, mais uma a passar,
o rio, riu e chorou e de mim ficou
com pena, quando o balouço quebrou
também eu chorei por não puder mais
balouçar...
Na oliveira suspensa,
ao sabor da ventania
balouçava horas a fio, e ali adormecia.
A saudade me traz a ânsia,
e, ao apelo da minha voz, surge um eco
à distãncia, lá longe onde tudo é sonho
agora, um sonho que se eterniza
como a água do rio que desliza
num correr que não cansa...
Enquanto isso a vida avança!
Queria ser inda menina
beijar o pai docemente
ouvi-lo chamar-me dez réis de gente,
coisas tão simples... mas tamanhas
que aos outros parecem estranhas
e a que eu chamo de «saudade»...
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
quero falar-te de amor
quero falar-te de amor
da longa viagem amadurecida
aventurosa, fascinante,
generosa, pouco a pouco aprendida.
quero falar-te de amor
do sentimento que fecho à chave
neste fluir do tempo
que passa por nós como ave,
estamos de passagem
juntos na viagem.
.
às vezes o desanimo me angustia
é-me indiferente o tempo
e o caminho já percorrido
emudece o vento e logo,
amanhã é outro dia.
perdeu-se a embriaguês da primavera
somos viandantes perdidos
mas as lembranças ocorrem-me
à mente e o coração dilacera.
o espelho tornou-se impiedoso
lembra que o tempo passou
pensar que não, é utopia
do tempo ninguém escapou, mas
amanhã é outro dia.
quero falar-te de amor
da felicidade transbordante
sentida em nosso redor,
quando caminhamos lado a lado
com nosso olhar deslumbrado
a ver morrer o sol nas colinas.
quanta melancolia,
mas amanhã é outro dia.
ouço o eco das tuas palavras
não pronunciadas,
e é por essa linguagem
que não quebra o meu encanto
seguimos viagem
olhando as estrelas
ouvindo dos grilos o canto.
em harmonia...logo,
amanhã é outro dia.
nosso amor é um secreto jardim
de lembranças e emoções
sentidas, flores do passado,
se enredam em mim,
como as horas que passam devagar
na solidão das noites,
quando invento o teu afago
e me ponho a sonhar.
natalia nuno
rosafogo
domingo, 9 de fevereiro de 2014
noite longa...
Encosto-me à janela, deixo-me ficar
olhando a tempestade caída dos céus
a noite vai alta, mas não saio do lugar
deixo-me a duvidar, será fúria de Deus?
Sopra o vento, e ninguém segura o mar
à janela meus olhos já cheios de águas
lavada de lágrimas a janela a lacrimejar
solidão vem, solidão vai, restam mágoas
O vento não se cala p'las frinchas da janela
ali, nos prédios vizinhos luzes se apagaram
só o candeeiro da rua alumia a mim e a ela
Nesta noite não há lua e se existo, eu não sei
minhas palavras na boca amarga soçobraram
O temporal passou... em tempesdade fiquei!
natalia nuno
rosafogo
sábado, 8 de fevereiro de 2014
palavra sem sabedoria...
minhas palavras não têm sabedoria
palavras velhas quase sem memória
encandeiam-me os olhos no dia a dia
à memória, à vida fazem dedicatória
palavras que lacrimejam de comoção
vindas lá da corrente do pensamento
incendeiam os versos rasgam o coração
e fazem das minhas mãos instrumento
são elas que os meus sonhos sustentam
vêm e vão com toda a força da ventania
são dum tempo sem tempo, se lamentam
falam das lembranças cingidas ao peito
da saudade e morte que o coração adia
são brasas acesas em verso imperfeito
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
as paredes de minha casa...
Agora sei do meu lugar
depois de tanta recordação amontoada
dos sonhos que trago do alvorar
da palavra espantada, exaltada
do fio do meu pranto
sei do meu lugar.
Este lugar de vã canseira
onde as mãos não param de se agitar
onde surge a palavra desesperada
e os primeiros esquecimentos,
aqui é o meu lugar
antes que tarde seja
aqui deixo meus pensamentos.
Este é o meu lugar
onde ressuscito memórias
e conto meus dias no mundo
nada, nada depois que a vida acabar
eu posso como agora procurar
no meu eu mais profundo
aqui, agora é meu lugar
Esta mão que escreve sabe
que este é o seu tempo e seu lugar
até os olhos terem vida
e enquanto a morte apenas farejar
este é o meu lugar
onde me deixarei adormecida.
natalia nuno
rosafogo
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