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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

quero falar-te de amor



quero falar-te de amor
da longa viagem amadurecida
aventurosa, fascinante,
generosa, pouco a pouco aprendida.
quero falar-te de amor
do sentimento que fecho à chave
neste fluir do tempo
que passa por nós como ave,
estamos de passagem
juntos na viagem.
.
às vezes o desanimo me angustia
é-me indiferente o tempo
e o caminho já percorrido
emudece o vento e logo,
amanhã é outro dia.

perdeu-se a embriaguês da primavera
somos viandantes perdidos
mas as lembranças ocorrem-me
à mente e o coração dilacera.
o espelho tornou-se impiedoso
lembra que o tempo passou
pensar que não, é utopia
do tempo ninguém escapou, mas
amanhã é outro dia.

quero falar-te de amor
da felicidade transbordante
sentida em nosso redor,
quando caminhamos lado a lado
com nosso olhar deslumbrado
a ver morrer o sol nas colinas.
quanta melancolia,
mas amanhã é outro dia.

ouço o eco das tuas palavras
não pronunciadas,
e é por essa linguagem
que não quebra o meu encanto
seguimos viagem
olhando as estrelas
ouvindo dos grilos o canto.
em harmonia...logo,
amanhã é outro dia.

nosso amor é um secreto jardim
de lembranças e emoções
sentidas, flores do passado,
se enredam em mim,
como as horas que passam devagar
na solidão das noites,
quando invento o teu afago
e me ponho a sonhar.


natalia nuno
rosafogo







domingo, 9 de fevereiro de 2014

noite longa...



Encosto-me à janela, deixo-me ficar
olhando a tempestade caída dos céus
a noite vai alta, mas não saio do lugar
deixo-me a duvidar, será fúria de Deus?

Sopra o vento, e ninguém segura o mar
à janela meus olhos já cheios de águas
lavada de lágrimas a janela a lacrimejar
solidão vem, solidão vai, restam mágoas

O vento não se cala p'las frinchas da janela
ali, nos prédios vizinhos luzes se apagaram
só o candeeiro da rua alumia a mim e a ela

Nesta noite não há lua e se existo, eu não sei
minhas palavras na boca amarga soçobraram
O temporal passou... em tempesdade fiquei!

natalia nuno
rosafogo

sábado, 8 de fevereiro de 2014

palavra sem sabedoria...



minhas palavras não têm sabedoria
palavras velhas quase sem memória
encandeiam-me os olhos no dia a dia
à memória, à vida fazem dedicatória

palavras que lacrimejam de comoção
vindas lá da corrente do pensamento
incendeiam os versos rasgam o coração
e fazem das minhas mãos instrumento

são elas que os meus  sonhos sustentam
vêm e vão com toda a força da ventania
são dum tempo sem tempo, se lamentam

falam das lembranças cingidas ao peito
da saudade e morte que o coração adia
são brasas acesas em verso imperfeito

natalia nuno
rosafogo



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

as paredes de minha casa...



Agora sei do meu lugar
depois de tanta recordação amontoada
dos sonhos que trago do alvorar
da palavra espantada, exaltada
do fio do meu pranto
sei do meu lugar.

Este lugar de vã canseira
onde as mãos não param de se agitar
onde surge a palavra desesperada
e os primeiros esquecimentos,
aqui é o meu lugar
antes que tarde seja
aqui deixo meus pensamentos.

Este é o meu lugar
onde ressuscito memórias
e conto meus dias no mundo
nada, nada depois que a vida acabar
eu posso como agora procurar
no meu eu mais profundo
aqui, agora é meu lugar

Esta mão que escreve sabe
que este é o seu tempo e seu lugar
até os olhos terem vida
e enquanto a morte apenas farejar
este é o meu lugar
onde me deixarei adormecida.

natalia nuno
rosafogo

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

um poema atrás do outro




Reuni coragem
deixei de implorar, de chorar
não vou deixar de lutar
até ao fim
se a morte me aguardar
pois que aguarde...
Ter medo não faz mal
ter medo é tão natural,
o coração bate no peito
como pássaro preso numa gaiola
mas eu não peço esmola
hei-de morrer com dignidade
todos morremos mais cedo
ou mais tarde
essa é que é a verdade.

O entrechocar de ideias
me revigora
às vezes preciso duma oração
um poema atrás do outro
até chegar a hora.

Às vezes também me estremece a mão
quem sabe se este dia é o último?
Em remoinhos de vento
trago o pensamento
como uma tempestade
onde se precipita a saudade.
Seja até que Deus quiser
a vida é como o vento de nortada
com a força que me levará cansada
ofegante, a morte aproveitará
o instante.

natalia nuno
rosafogo



quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

na serenidade da noite...


 
Levamos séculos a aprender
tantas coisas desta vida
outros tantos a desaprender
o que nos fere e penetra no corpo
e de algumas jamais
nos conseguimos desfazer
agora trazemos nas mãos calosidades
e no coração saudades
o cabelo embranquece
o olhar toma um modo transcendente,
e quem se lembra da gente?
Mas há gente,
que a gente não esquece.

Tempos de namoricos e paixões
visões que nos marcam toda a vida
e na quietude da noite
no meio da serenidade
surge sempre a saudade
a lua ilumina lá em baixo o rio
há uma ténue neblina
e lá estou eu ainda menina.
Contemplo a aparição
meu rosto lívido,
aos pulos meu coração.
Tempo de aprender toda a ternura
do mundo
tempo de balouçar o corpo ao andar
e aquele sorriso que dizia
sem nada dizer
levamos séculos a aprender
hoje cravo o olhar no chão
e guardo, guardo a recordação.

natalia nuno
rosafogo

sábado, 25 de janeiro de 2014

Pensamento




A amizade é terreno arável de boa semeadura, cujos proventos alimentam a alma, é fonte de água fresca que não vacila em correr... a fazer-se ouvir, inundando de esperança quem necessita de chuva e luar....

natalia nuno