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sábado, 25 de janeiro de 2014

Pensamento




A amizade é terreno arável de boa semeadura, cujos proventos alimentam a alma, é fonte de água fresca que não vacila em correr... a fazer-se ouvir, inundando de esperança quem necessita de chuva e luar....

natalia nuno

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Flor nua...



Olhei-me no rio
e o espelho das águas
deu-me uma imagem tão pura
que ao rosto veio lágrima magoada
senti por mim uma enorme ternura.
Meu corpo é bagagem triste
que carrego até à última morada,
vestido da dor que o tortura
e insiste, até que seja pó
e esteja em mim a morte ancorada.

Na madrugada senti-me flor nua
sem preconceito
flor bela e frágil
como um amor perfeito
e, este corpo que julguei
para sempre infinito
não o ouço nem o sinto!
Onde está? Onde o deixei?
Os movimentos reflectidos
na água do rio
fazem-me crer que estou viva,
mas meus sentidos
o que dirão entre si?
- Temo-la cativa!
Sinto nos ossos a morte,
talvez ela seja apenas um rio,
um espelho onde me olho
neste tempo velho
onde com sorte
as mãos do tempo segurem
ainda minhas raízes,
aqui onde estou, onde sou,
na esperança de dias felizes...

natalia nuno
rosafogo


Flor nua, num corpo que liberta vigor
Nada pesa nessa mente cheia de vida
Onde te passeias em avenidas de amor
Nesse teu eterno interior, de rapariga!

Trova deixada pelo amigo João a quem agradeço de coração.


sábado, 18 de janeiro de 2014

a braços com a saudade...



Lembro a aldraba da porta
lembro da candeia acesa
concentrada vou estranhando
não ver a família ceando
será que já está morta?
Essa é a cruel certeza!
Pelo postigo olho o firmamento
e no telhado em frente
ainda o velho cata-vento,
cheira a morno a madrugada
anjos habitam a capela mor
Esquecida? só minha memória!
Por cada lembrança arrancada
rezo à Srª. da Vitória,
de quem sou devota com amor.

Apanho o tempo encostada à porta
além o rio... mais ao longe
a aldeia engalanada,
a passar vai o cortejo;
lá vou mais viva que morta
pedir à Santa um desejo.
A banda enche a paisagem de sons
e as raparigas vaidosas porque é festa
vestem de mil tons
e os rostos antigos voltam à rua
sinto-os sonolentos, de voz sumida
alguma debilidade,
efémeros momentos de felicidade
agora tristeza... no coração a saudade!


Tantos anos...tantos passos!
Meus sentimentos estão baços
as paredes com bolor
fotografias na parede a envelhecer
descubro rostos pendurados
puxo a aldraba da porta
toda a sua gente morta
só ela não vai morrer,

tantos anos...tantos passos!
Meus sentimentos estão baços.

natalia nuno
rosafogo

domingo, 12 de janeiro de 2014

Cala-te ó vento...



Cala-te, cala-te ó vento
deixa-me neste pesadelo
que é meu destino
de Poeta
deixa-me o pensamento menino
e esta inquietação resignada
deixa-me neste frenesim
adoça a solidão que há em mim.
Cala-te, cala-te ó vento
leva contigo a ventania
deixa-me nesta esperança fria,
deixa-me apenas o silêncio
em melodia,
e o cheiro das ervas da madrugada
deixa-me, deixa-me
nesta inquietação resignada.

Quero sentir o eco dos meus passos
ainda que sonâmbula eu siga
sentir  o gozo da lembrança dos abraços
e a sedução que lembro da tua cantiga
cala-te, cala-te ó vento
não vês o meu sofrimento
e esta dor verdadeira
quando me olho aos espelhos
e outra me invento?

Quem dera enganar o destino
ser como era,
e esquecer como sou
deixa-me ó vento
deixa-me com meu pensamento
menino...
num sonho debruçado
mesmo que,
de coração apertado.

natalia nuno
rosafogo

NOTA: Este foi o poema que fiz e li durante a apresentação do Melodia do Tempo.

Tarde de Poesia...lançamento do «MELODIA DO TEMPO» 11/01/2014





Meu livro foi ontem apresentado no Hotel Palácio Real, foram lidos poemas que emocionaram os presentes, também tivemos o prazer de ouvir o amigo José Gonçalves um excelente tenor do S. Carlos, e outros amigos que cantam maravilhosamente, todos demonstrando carinho por mim, foi uma tarde inolvidável, os meus olhos foram um lago que extravasou mas de alegria e os olhos de Deus por certo estiveram comigo e com a minha poesia. Um agradecimento a todos!

sábado, 28 de dezembro de 2013

Que sei eu?



Que sei eu dos anos vazios
que sei do que podia ter feito
e não fiz?
Que sei eu do que deixei para trás
e não quis?
Olho o rosto que o tempo
vincou,
olho-me e não conheço
quem sou!
Lembro a dor que me doeu
olho meu corpo inteiro
e não sou eu!
Aguento, de olhar calado
só eu posso entender...
lembro pedaços do passado
bocadinhos de vida
que me vêm enternecer.

As minhas mãos
escrevem a SAUDADE
só ela no meu peito a caber,
traz-me ainda a felicidade
é sentimento forte, a prender
a vida que habita meu coração.
Minha memória é álbum
de momentos eternos
que folheio em repetição,
só aí me reconheço
só aí me encontro,
aí onde sou obscura aos outros
descubro-me e ao ver meu rosto
as palavras ficam mudas,
enquanto meu olhar navega
e a tristeza carrega.

natalia nuno
rosafogo








sábado, 21 de dezembro de 2013

fogem meus dias...




perdi a vontade de rir
gargalhadas deixei pelo caminho
e os sonhos escritos em pergaminho
que um dia hei-de reler
o meu peito ameaça transbordar
é terreno de lavanda a florescer
a pulsação bate-me na garganta
os sorrisos cansados como
pássaros assustados,
os lábios suplicantes
por afecto que não vem
atormentam-me as palavras
que não falo com ninguém

como asas de corvos através
da noite, fogem meus dias
e eu resmungo baixo, prestes
a explodir em choro e agitação
minhas asas engaioladas
em meu coração.
meu rosto alquebrado
cheio de sombras,
minha existência
a transformar-se num borrão

ah se eu fosse de novo um rouxinol
trinaria as minhas notas de amor
cantaria a mesma melodia de então
como quando era rapariguinha
comprometida com o amor e a vida.

natalia nuno
rosafogo