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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

meus olhos espiando...



Mas que altivez descabida
mar de ideias inconsistentes
anda toda a gente envolvida
c'doutores mais loucos q' os pacientes

dominados por desarranjo mental
sem que tomem feição diferente
revestem-se de prestígio teatral
tentando convencer toda a gente

porque há uma eternidade historial
comportamentos serão analisados
com o andar dos tempos em Portugal.

contra doidos varridos nos prostrando
seguimos sem acção... desesperados!
o golpe de misericórdia para quando?

natalia nuno
rosafogo
não tenho jeito para este género de poesia, mas hoje surgiu-me este soneto, (soneto?) o pior é a métrica, é só mais um momento onde desabafo a minha tristeza por este natal de pobreza em todos os aspectos.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

sentimento escondido




Nas profundezas da mente
há sempre um sentimento escondido
que não desaparece
porque nunca se esquece
quem um dia nos amou
permanece ali comprimido
o sentimento por outro coração
que nos tocou.
e assim continua sem uma
beliscadura,
com alguma dose de ternura
ao recordar-se.
Ficam pétalas de rosa
espalhadas p'lo chão
e as lembranças espreitam
à porta do coração.
Uma velha mala de viagem
chama viva e inocente
lembranças de adolescente,
tudo tão distante como as gaivotas
que sobrevoam o mar
mas que eu lembro para me animar.
Sinto-me invadida
por um vislumbre de amor
e bem estar
ao mesmo tempo de dor.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

a morte do actor...




Minhas senhoras e senhores
este é o terceiro acto,
vão entrar os actores,
depois, ao final
fecham-se as portas do teatro.
Este é o terceiro acto,
como verão é complicado
é a contagem para o fim
e ai de nós... de ti e de mim
se o amor sai mal soletrado.
Quem assiste vai aplaudindo
o actor move-se e não cessa
de tremer,
não pode adiar o fim da peça
nem o abraço à vida
que a morte não tarda a aparecer.

no palco dizem-se as últimas palavras
cada um ocupa o seu lugar
o público encantado a assistir
em silêncio para não perturbar.
O actor exausto quase, quase a cair
ergue ainda as asas mas já não voa,
inda agora era o alvoroço ao chegar,
já está pronto pra partir.

Ouvem-se os aplausos,
solta-se a língua ...bis...bis...
e o actor morre à míngua
já sem saber o que diz.
A vida é este teatro, é estender a asa
e não poder voar,
é o instante que passa
agora é bela, amanhã perde a graça.
Que sabemos nós do papel
deste teatro que é a vida?
Onde se ama, se morre, e se grita

que puta de vida!
Abre-se a porta da saída...
Um cortejo sepulcral
A peça foi muito aplaudida.
Mas a vida chegou ao final.

natalia nuno
rosafogo





sábado, 7 de dezembro de 2013

CONVITE

Aqui fica o convite

2º Livro de poesia

O tempo me ajudou a crescer, a amadurecer, e agora faz com que me ocorram as palavras no momento certo. Alheada do tempo, escrevo sem parar à luz coada da manhã ou ao empalidecer da tarde. A poesia empurra-me para fora do corpo e amacia-me o sentimento de solidão, e a terra que piso, foge-me para o céu com nuvens de algodão onde o cansaço se esfuma. Um mundo à parte sem dúvida. Assim surgiu mais este filho.

natalia nuno
rosafogo

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

recordação genuína



há uma recordação genuína
...meus caracóis de menina
cabelo longo e espesso
que a brisa fazia esvoaçar...
e a dor não diminui nem um bocadinho
ao vê-lo hoje fininho
como raios de luar
avalanche de recordações,
como se retrocedesse no tempo
daí a minha afeição genuína
por essa menina.

menina de sonhos
sempre a fazer uma
asneira qualquer
mas firme, determinada
e a mãe dizia:
esta é que vai ser!

cruzo o olhar comigo
me olho e envelheço
e fica em mim esta doença de pensar
procuro abrigo
e o brilho dos olhos embacia
com a lembrança do rosto
onde havia
aquele verde esperança no olhar.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Minha alma liberta-se



Menina de sorriso rasgado,
vestido de veludo rendado,
para quem o sonho era tudo
persistência em viver feliz,
doçura e inocência,
agilidade de perdiz
rosto sardento, cabelos a esvoaçar,
uns olhos abertos para a vida agarrar,
olhos verdes  côr da planura,
no coração amor
no peito ternura.

 Sorriso travesso,
a face pálidamente rosada,
fresca como  madrugada
que principia,
como água fresca da fonte
que não pára de correr noite e dia.
no sol da minha lembrança
deambulo na claridade
dum sonho bom,
onde me vejo eterna criança
brincando em liberdade.
e sonho…sonho que é verdade!
e o sonho me consente
que a vida seja menos pungente.
o tempo é erva ruim
que à solidão me condena
levou o melhor que havia em mim
e  já de longe me acena,
mas o sonho o contradiz
e eu sonho e sou feliz.

natalia nuno
rosafogo

Fuzeta  12/2012