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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

a morte do actor...




Minhas senhoras e senhores
este é o terceiro acto,
vão entrar os actores,
depois, ao final
fecham-se as portas do teatro.
Este é o terceiro acto,
como verão é complicado
é a contagem para o fim
e ai de nós... de ti e de mim
se o amor sai mal soletrado.
Quem assiste vai aplaudindo
o actor move-se e não cessa
de tremer,
não pode adiar o fim da peça
nem o abraço à vida
que a morte não tarda a aparecer.

no palco dizem-se as últimas palavras
cada um ocupa o seu lugar
o público encantado a assistir
em silêncio para não perturbar.
O actor exausto quase, quase a cair
ergue ainda as asas mas já não voa,
inda agora era o alvoroço ao chegar,
já está pronto pra partir.

Ouvem-se os aplausos,
solta-se a língua ...bis...bis...
e o actor morre à míngua
já sem saber o que diz.
A vida é este teatro, é estender a asa
e não poder voar,
é o instante que passa
agora é bela, amanhã perde a graça.
Que sabemos nós do papel
deste teatro que é a vida?
Onde se ama, se morre, e se grita

que puta de vida!
Abre-se a porta da saída...
Um cortejo sepulcral
A peça foi muito aplaudida.
Mas a vida chegou ao final.

natalia nuno
rosafogo





sábado, 7 de dezembro de 2013

CONVITE

Aqui fica o convite

2º Livro de poesia

O tempo me ajudou a crescer, a amadurecer, e agora faz com que me ocorram as palavras no momento certo. Alheada do tempo, escrevo sem parar à luz coada da manhã ou ao empalidecer da tarde. A poesia empurra-me para fora do corpo e amacia-me o sentimento de solidão, e a terra que piso, foge-me para o céu com nuvens de algodão onde o cansaço se esfuma. Um mundo à parte sem dúvida. Assim surgiu mais este filho.

natalia nuno
rosafogo

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

recordação genuína



há uma recordação genuína
...meus caracóis de menina
cabelo longo e espesso
que a brisa fazia esvoaçar...
e a dor não diminui nem um bocadinho
ao vê-lo hoje fininho
como raios de luar
avalanche de recordações,
como se retrocedesse no tempo
daí a minha afeição genuína
por essa menina.

menina de sonhos
sempre a fazer uma
asneira qualquer
mas firme, determinada
e a mãe dizia:
esta é que vai ser!

cruzo o olhar comigo
me olho e envelheço
e fica em mim esta doença de pensar
procuro abrigo
e o brilho dos olhos embacia
com a lembrança do rosto
onde havia
aquele verde esperança no olhar.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Minha alma liberta-se



Menina de sorriso rasgado,
vestido de veludo rendado,
para quem o sonho era tudo
persistência em viver feliz,
doçura e inocência,
agilidade de perdiz
rosto sardento, cabelos a esvoaçar,
uns olhos abertos para a vida agarrar,
olhos verdes  côr da planura,
no coração amor
no peito ternura.

 Sorriso travesso,
a face pálidamente rosada,
fresca como  madrugada
que principia,
como água fresca da fonte
que não pára de correr noite e dia.
no sol da minha lembrança
deambulo na claridade
dum sonho bom,
onde me vejo eterna criança
brincando em liberdade.
e sonho…sonho que é verdade!
e o sonho me consente
que a vida seja menos pungente.
o tempo é erva ruim
que à solidão me condena
levou o melhor que havia em mim
e  já de longe me acena,
mas o sonho o contradiz
e eu sonho e sou feliz.

natalia nuno
rosafogo

Fuzeta  12/2012

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

deixa que te lembre das rosas


 
 
DEIXA QUE TE LEMBRE DAS ROSAS

 

Deixa que te fale da minha emoção

Que te lembre das rosas

do enamoramento

Das tuas mãos inquietas de paixão,

dos orgasmos soltos a cada momento.

Do despudor de para ti me desnudar

Deixa que a memória não nos deixe jamais

E  o amor ainda traga algo por desvendar

Que seja assim sem mais nem mais

Abrem-se sulcos no rosto

O tempo acumula-se amadurecido

O olhar tem o brilho sereno

do sol-posto,

vive de sonhos o coração,

e o tempo vangloria-se campeão.

Secaram dos olhos os mares

Andam lágrimas a esconder-se,

e o verde a perder-se

Tempo de mim esquecido

Labirinto onde vagueio

Deixa que o sonho ainda faça sentido

Que o doce escorre do meu peito cheio

Não deixes o silêncio criar raízes

Deixa que seja ainda tua rubra flor

Não me acordes, sejamos felizes

E assim sobrevivemos amor.

 

Gerês,  21/07/2012

sábado, 16 de novembro de 2013

estado de alma




toda a água que cabe num cântaro
não cabe nos meus olhos
é este o meu estado de alma
as nuvens se desfolham
geladas de amargura
jazem na terra dura,
e a dominam,
tal qual meus sonhos
me levam à loucura,
fico na sombra
sou fantasma de mim
sou a infância que me corre
nas veias
sou o vai vem entre o presente
e o passado
sou o vivido e o sonhado
sou o sonho e a quimera,
sou por quem o tempo
não espera...

sou a imensa solidão
o medo do vazio
a despedida do verão
sou agora... o inverno frio.

sou o fim da viagem
sou a que segue de mão estendida
a que se perdeu da imagem
sou lembrança duma vida.

natalia nuno
rosafogo
imag net