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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

olhando o dia triste


um raio de luz faiscou
a noite está de chuva
a solidão em mim penetrou
instala-se nos meus olhos
e me derruba.
estão as árvores ensopadas de
água,
o dia nasceu e morreu com uma luz baça
sobe e desce a minha mágoa
e o tempo passa...

a vida é sonho
que penso ter sonhado,
protejo-me das escorregadelas
tudo em mim são cautelas
nas palavras, nos pensamentos.
de todos os momentos.
o Senhor tem as cartas na mão
do futuro só ele sabe
do tempo perdi a noção.

os ramos agitam-se com o vento
suscitam-me a fantasia
agarro-me com as mãos,
suspendo-me por um braço
fico menina baloiçante o resto do dia
e assim o tempo passo...
prenhe de ilusões,
o pensamento caindo
como folhas mortas,
como fios de amarga chuva,
neste exaurir dos dias
e horas mortas.

e como num sonho
o amor sempre aparece
e como se atreve a tentar!

então deixo-me a sonhar...
sonhadoramente, de sonho
povôo a mente
até a vida acabar
até a morte chegar...

natalia nuno
rosafogo
imagem da net






quarta-feira, 28 de novembro de 2012

na quietude da hora




na quietude da hora
palavras arremesso 
ao papel, para não me sentir só,
meus desejos são um só
e de saudade padeço,
a impaciência em mim aflora

meu olhar aguça-se
brilhando como outrora
ah...mas não me iludo!
no coração o mesmo nó
e o papel fica mudo.

fico a ouvir o bater pausado
da chuva na vidraça,
o monótono som doído
do vento,
e o ruído
do meu coração parado
como se morresse na hora que
passa,
em desalento.

despeço-me das palavras,
vejo o dia a findar...
o medo às vezes me domina,
a força parece querer faltar,
nestes instantes talvez definitivos,
surge omedo de perder a vibração,
não chegue o som aos meus ouvidos
mas apesar do desalento
eu ordeno,
bate...coração!

meus pensamentos deliram
quais  ondas do mar,
que gemendo expiram.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

lâmpada acesa




aperto a minha mão entre as tuas
e nosso amor
é mais calar que falar...
nada nos perturba a felicidade
nos deixamos a sonhar
aqui e ali recordando
com saudade.

quero ver-te sem que me vejas,
encontrar-te onde não espero, sabendo
que me desejas
com esse amor que tanto quero.

nada se opõe aos sentimentos
obstáculos sempre suprimos
momentos vividos,
religiosamente guardados
no coração e na mente,sentimos
felicidade,boa e pura
e ternura tanta,
causadora desta minha saudade.

como o ofertar do pão de cada dia,
teu coração me protege
com uma couraça de valentia
fujo do alvoroço
do labirinto da vida
imerjo num profundo devaneio
desejo com ardor
e anseio
o amor que ainda me tira o juízo,
ainda me ruborizo
ainda me embaraço
finjo que não dou um passo
mas caio no teu abraço.

nos olhos trago a saudade
dos teus quando me olhas,
haverá felicidade
que não a de ser amado?
dizes o que eu sei em demasia
afortunada que sou...
amanhã teremos mais um dia,
há razões que a razão desconhece
e que nosso amor fortalece.

um número infinito de razões
nos unem para sempre
brota o amor em nossos corações.

rosafogo
natalia nuno




domingo, 25 de novembro de 2012

debaixo da ponte...



a água murmura lenta
vai e não volta mais
e a minha saudade aumenta
do que houve e não há jamais.
e de longe tudo avisto
ali a terra secou
como eu havia previsto
por morrer quem a tratou.

ouço a correria na estrada
e vozes da criançada
de pés nus,
afectos crus
mas reis de sonhos e sol
e o sangue quente e leve
esvoaçante do rouxinol.

são os filhos da aldeia
sem esperanças no amanhã
confundindo-se com o pó da estrada
companheiros de outrora
da minha aldeia amada.

e os meus olhos tão antigos
revêem tantos amigos
e depois da emoção passada
deixo o sol bater-me  no rosto
e recordo o que não é jamais,
enquanto a água murmura lenta
e a minha saudade aumenta,
p'lo que foi e não volta mais.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

desafio o silêncio...





nenhum rumor na casa quieta
até o relógio parou
o gato ronrona no borralho
e a chuva  amainou,
receio que este silêncio
me traga abatimento,
coisas que me doem,
algum desalento,
como as fagulhas da lareira
prestes a apagarem-se.

entrego-me à melancolia
são felizes estas horas?
Infelizes?
Sempre a mesma indagação
dia após dia
mas o coração
não se apavora,
arranca o desespero
e o rítmo parece restabelecido
e eu encaro o silêncio
e o desafio nele contido.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

terça-feira, 20 de novembro de 2012

horas maduras....






fui fortaleza cercada
e defendida
agora um pouco rendida
sem defesa, sobre destroços
repousada.
trago meu espírito livre
para a poesia,
a minha raiz de árvore seca
ainda a resistir dia após dia.

passaram por mim os dias
onde avultavam flores
e amores
silvas e amoras...
são agora as horas
maduras de melancolias.
assim vou matutando
entre alegria e tristeza
afugentando
a última com delicadeza.

deixo correr o pensamento
e o espírito se alheia,
é a saudade alimento
e a vida torna-se menos feia.

no coração da menina da aldeia?
a felicidade não corre perigo!
o sonho é o melhor amigo.

dentro das minhas muralhas
ainda há solidez
resisto aos caprichos do tempo
fico-me na pacatez,
e deixo-me levar
como floco de espuma
na correnteza... p'lo mar!

rosafogo
natalia nuno







domingo, 18 de novembro de 2012

a vida passa-nos à porta...




meus olhos estão tristes
e frios,
olhando imóveis o azul
cinzento escuro do céu.
meus dias sombrios,
sem alento,
neste mundo absurdo
sem esperanças nem ilusões,
mundo que tudo esqueceu,
e leva aos trambolhões.

tremem as flores nascidas
nas bermas,
sob o assalto do vento perseguidas
em solidão,
ermas,
algumas nuvens desgrenhadas,
parecendo brincar às guerras
e aos generais
sobre a terra curvadas,
prontas a desabar em tempestade,
no meu olhar triste a saudade,
de onde não sai jamais.

sobre a vidraça escorrem lágrimas,
na rua a lama substitui a poeira,
encheu-se a ribeira,
tudo é agora cinzento, a água e o céu.
os retratos continuam pendurados
nas paredes, sombrios
meus olhos continuam tristes e frios
fatigados,
os sonhos parados,
escrevo junto dum quebra luz
da mesinha de cabeceira,
onde a saudade é verdadeira,
e uma lágrima dolorosa,
cai ardente e orgulhosa...

natalia nuno
rosafogo
imagem da net