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domingo, 25 de novembro de 2012

debaixo da ponte...



a água murmura lenta
vai e não volta mais
e a minha saudade aumenta
do que houve e não há jamais.
e de longe tudo avisto
ali a terra secou
como eu havia previsto
por morrer quem a tratou.

ouço a correria na estrada
e vozes da criançada
de pés nus,
afectos crus
mas reis de sonhos e sol
e o sangue quente e leve
esvoaçante do rouxinol.

são os filhos da aldeia
sem esperanças no amanhã
confundindo-se com o pó da estrada
companheiros de outrora
da minha aldeia amada.

e os meus olhos tão antigos
revêem tantos amigos
e depois da emoção passada
deixo o sol bater-me  no rosto
e recordo o que não é jamais,
enquanto a água murmura lenta
e a minha saudade aumenta,
p'lo que foi e não volta mais.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

desafio o silêncio...





nenhum rumor na casa quieta
até o relógio parou
o gato ronrona no borralho
e a chuva  amainou,
receio que este silêncio
me traga abatimento,
coisas que me doem,
algum desalento,
como as fagulhas da lareira
prestes a apagarem-se.

entrego-me à melancolia
são felizes estas horas?
Infelizes?
Sempre a mesma indagação
dia após dia
mas o coração
não se apavora,
arranca o desespero
e o rítmo parece restabelecido
e eu encaro o silêncio
e o desafio nele contido.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

terça-feira, 20 de novembro de 2012

horas maduras....






fui fortaleza cercada
e defendida
agora um pouco rendida
sem defesa, sobre destroços
repousada.
trago meu espírito livre
para a poesia,
a minha raiz de árvore seca
ainda a resistir dia após dia.

passaram por mim os dias
onde avultavam flores
e amores
silvas e amoras...
são agora as horas
maduras de melancolias.
assim vou matutando
entre alegria e tristeza
afugentando
a última com delicadeza.

deixo correr o pensamento
e o espírito se alheia,
é a saudade alimento
e a vida torna-se menos feia.

no coração da menina da aldeia?
a felicidade não corre perigo!
o sonho é o melhor amigo.

dentro das minhas muralhas
ainda há solidez
resisto aos caprichos do tempo
fico-me na pacatez,
e deixo-me levar
como floco de espuma
na correnteza... p'lo mar!

rosafogo
natalia nuno







domingo, 18 de novembro de 2012

a vida passa-nos à porta...




meus olhos estão tristes
e frios,
olhando imóveis o azul
cinzento escuro do céu.
meus dias sombrios,
sem alento,
neste mundo absurdo
sem esperanças nem ilusões,
mundo que tudo esqueceu,
e leva aos trambolhões.

tremem as flores nascidas
nas bermas,
sob o assalto do vento perseguidas
em solidão,
ermas,
algumas nuvens desgrenhadas,
parecendo brincar às guerras
e aos generais
sobre a terra curvadas,
prontas a desabar em tempestade,
no meu olhar triste a saudade,
de onde não sai jamais.

sobre a vidraça escorrem lágrimas,
na rua a lama substitui a poeira,
encheu-se a ribeira,
tudo é agora cinzento, a água e o céu.
os retratos continuam pendurados
nas paredes, sombrios
meus olhos continuam tristes e frios
fatigados,
os sonhos parados,
escrevo junto dum quebra luz
da mesinha de cabeceira,
onde a saudade é verdadeira,
e uma lágrima dolorosa,
cai ardente e orgulhosa...

natalia nuno
rosafogo
imagem da net









quinta-feira, 15 de novembro de 2012

flor pendida





como te afundas
coração de menina
em lembranças e luas
de amores e solidões só tuas.
lembranças que a memória espreita
leves, doces, ternas,
que só tu conheces, mais
ninguém suspeita...

a solidão se passeia por ti
deixa-te sonhos apenas,
e aí,
o sossego te invade
mas não te leva as penas,
deixa-te a viver da saudade...

serena te vês,
solitária te deitas
e de lua em lua
tua vida desvanece...flutua!
mais um dia feito
mais uma repetição
a mesma lassidão,
o mesmo nada
a mesma realidade
e o cansaço te adormece
e o sonho se tece!
as mesmas lembranças na mente
repetidas insistentemente,
pedaços de vida
com o odor da juventude
nunca esquecida...

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

terça-feira, 13 de novembro de 2012

só o sol me faz falta




árvores verdes, céu azul,
pássaros,
canticos melodiosos...
ecos da minha infância distante
sonhos, anseios, esperanças,
gorgeios nas minhas lembranças,
nesta tarde já quase parda
e a noite que aí não tarda...

tanta coisa que o coração recolhia
tudo lembrei, nesta tarde
que esfria...
tanto sonho,
neste céu distante,
tanta paz, tanta tempestade
que em mim incendeia e apaga,
que traz saudade...
a esta memória que já se alaga.

infinita esta saudade
neste sonho resignado,
neste silêncio dos campos
nesta moldura sombria...

do meu olhar marejado,
desaparece o dia!

e esta tristeza que tudo atravessa...
sentimentos de dor e prazer,

a vida é carta por escrever
que aguardo receber...

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

S. Pedro do Sul, 28/09/2012

domingo, 11 de novembro de 2012

carinho de girassol





Encontro a ti serra da insanidade
Tantos vieram quantos desistiram
Meus olhos atingem o infinito
Minhas asas não conseguirão

Avisto águas que escondem
Segredos e medos
Temor do mar e das cordilheiras
Imóvel assisto o interior de minha pálpebra

Desenhei notas de amor
Cantei o som da esperança
Fui tua confiança
Tentei fazer sorrir cada cravo e violeta ao redor

Nos versos de teu brilho
Encontro o sossego
E lanço-me em tua direção
Quem sabe teus braços estrelados me amparem

As asas chicoteiam o ar
Um som que já conheço
Nada diferente
Maravilhosa sensação de voejar

Voarei por toda madrugada
Aguardarei naquele farol
Onde farei por instantes minha pousada
Quando o dia chegar abraçarei na amizade uma flor de Girassol

Voo em versos o que sonho e o que me fascina
Do sussurro do anjo que me acompanha em cada esquina
Surge algo que não acredito ser magia
Apenas avidez de trazer à vida um toque de poesia




Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=234553#ixzz2BwzhSNTN
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do meu querido amigo Poeta Brasileiro  Correa,
esclareço que a rosafogo e o girassol no Luso são a mesma pessoa e este  poema me foi dedicado
por este poeta para quem vai a minha admiração por ser uma pessoa excelente, um ser com bons sentimentos.