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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Árias do vento



tanto tempo vazio e mudo
nesta tarde formosa de estio,
árias dos ventos escuto
como se fossem meus dedos
a executa-las em cadência,
sonoridade de gotas de orvalho,
múrmurios de paz ao ouvido,
ecos de saudade
que fazem a vida ter sentido...

os sorrisos confundem-se com
as lágrimas
e a felicidade com raio de sol,
a tristeza com chuva matinal
e tudo vai na paz do Senhor,
enquanto não chega o final...

folhas levadas pela corrente,
flores de laranjeira lembrando
noivado...
e o céu um grande toldo azul,
bordado...
uvas maduras, longas parras,
meu olhar é de curiosidade!
só tu, saudade, me agarras
neste sonho de saudade!

e o vento canta notas que ninguém
lhe ensinou,
e diz tanta coisa ao coração,
tanto prazer ao ouvido,
ecos de saudade
que fazem a vida ter sentido.

nesta tarde distraída e fria
surge o negro no horizonte,
acabou o estio, o sonho, o dia
ficou minha esperança a monte,
meu coração, pássaro que tenta
voar,
ou bola de neve pronta a desfazer
à falta de amor que o possa suster.

o vento é companheiro vivo
da minha solidão,
e diz-me tanta coisa ao coração,
tanto prazer ao ouvido,
ecos de saudade
que fazem a vida ter sentido...

natalia nuno
rosafogo
imagem da net





segunda-feira, 29 de outubro de 2012

minha poesia á flor da pele




Minha poesia
é de louça fina,
divina,
de pura faiança
tem brilho, e trino de aves
notas suaves,
sonhos de criança,
e raios de sóis
alvores matinais
e doces  arrebóis
é como menina
que sorri e chora
é de louça fina
é luz da alvorada
que o mundo cora.

minha poesia tem o doce
do mel
encantos e prantos
à flor da pele,
nasce lacrimosa
murmura ou se cala,
tem o odor da rosa
o sonho a embala.

é mar bramindo
é um céu sereno,
a morte sacudindo
à vida faz aceno.

minha poesia é forte
como o vento,
é riso é festa
é o pensamento
de pessoa modesta,
às vezes estouvada
tem tudo tem nada,
tem lírios e rosas
e estrelas formosas,
encantos encerra
e fala da terra
e do branco luar
e histórias que tem pra contar
e vive cantando
«viver é amar»

minha poesia é faiança fina
tem ardor e paixão
e sinto-a aos pulos
no meu coração.
louca desatina,
é amante ardente,
e às vezes mais fria
um pouco demente
pura utopia...

e sem piedade
de mim não tem dó
deixa-me a saudade
para não estar só!

com ela cruzei por fim,
não me viu...ai não!
sempre a sonhei assim!
com imortal paixão.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net



domingo, 28 de outubro de 2012

A ARTE DE SUPORTAR




 Diz o Povo e com razão…

“ quem parte e reparte

e não fica com a maior parte

ou é burro…

ou não tem arte “!


Neste País que anda à nora,

há gente com muita arte,

ficando sempre e sem demora

com a maior parte.

Distribui uma pequena porção,

diz ser tudo o que tem à mão.

Gente de bom coração!

Sua bondade sabemo-la de cor

É grande e nobre!

Mas o Povo está cada dia mais pobre.


Sem esperança é barco sem marinheiro

Mas na arte de marear foi o primeiro

São estas palavras de Poeta… pertinentes,

dizendo o que vai na alma das nossas gentes.



Folhas caídas(pseudónimo)
2º poema escrito para o concurso da Dracca
em Palmela
natalia nuno
rosafogo


ARTE DE SER POETA



 Nenhum de nós é Deus!

Cada um tem atributos só seus.

Tacteamos à procura

da arte que Ele nos deu

com ternura.

 

O dom de escrever é como um talismã

que se traz no coração ao nascer…

E é tão grande a magia… que do Poeta,

nasce a poesia.

Quando chega a inspiração

é como lampadário que se acende,

o Poeta escreve o que só ele entende!

 

E a beleza da sua arte

Se espalha por toda a parte.


 

 

Folhas caídas...pseudónimo
com que concorri ao concurso Dracca de Palmela
1º POEMA, SOBRE A ARTE

natalia nuno
rosafogo

 

 

 

 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

nunca é tarde de mais...





Agora sou folha de outono
prestes a ser levada p'lo vento
em dia aziago,
vai chegar o momento
flutuando sem rumo
na água dum lago,
como quem procura
água clara para beber
ou buscando a ternura
do teu olhar que me vem ver.

Agora sou folha de outono
levada pela correnteza
do rio do teu olhar
quando o vento não me cantar
vou amar-te de certeza
na orla do mar,
ou nas sombras dos pinhais
para quem tanto esperou
nunca é tarde de mais.

Agora sou folha de outono
quem pode saber para onde me
levou o vento?
para o recesso dos teus braços
para a loucura dos teus abraços
mostra-me que não há felicidade maior
que este amor!
dia a dia renovado,
que Deus nos tem ofertado.

Agora sou folha de outono
cega-me um forte clarão
nossos corpos submissos
escancarados
nosso olhar enfeitiçado
os corações amarrados
e um convite aliciante
fazer amor a todo o instante.

espero-te com a mesma ansiedade
das madrugadas deslumbrantes
e é sempre a mesma saudade
de nós jovens e amantes.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net




segunda-feira, 22 de outubro de 2012

um sonho apenas...




lá no alto
está pousado um pardal
atiro-lhe uma pedrinha
sem o intuito de acertar
fico assim em sobressalto
foi só vontade de atirar
sinto ganas de rebolar no chão
de dizer parvoíces, gritar...
meus gestos ficaram na criança
ainda por lá estão...

balouço as pernas pendentes
meus cabelos são chuva de verão
e meus olhos são como batentes
em tudo pousam com sofreguidão
vou buscar os brinquedos
à casa da avó...
trago-os em segredo
pra não me sentir só.

o cão preso à corrente
ao longe o uivo da locomotiva
e eu sinto-me gente
sinto-me viva!

o que me falta está ausente
meu pai e minha mãe
e minha avó também
corajosamente,
prossigo sozinha
levo sonhos
nas mãos nodosas
e a criança em mim adormece
sente falta das mãos carinhosas
deita a cabeça
sobre um pedaço de bolo

mas que sonho tão tolo!

atrás duma cortina
de cores desbotadas
me vejo menina
de faces coradas
faço o caminho de regresso,
sem interesse
ah...se eu pudesse lá ficar
se pudesse!
lá no alto continua
pousado o pardal
e a lua
e eu criança sei quando faço
algo mal,
prometo não atirar mais pedrinha
deixem-me ficar
por favor, nesta infância minha.

natalia nuno
rosafogo

bem estar me leva ao orgasmo




quando escrevo, há sonhos
que se concretizam,
desejos que se amenizam
e minha esperança é a janela
de onde avisto a saudade passada
e futura
é o tudo e o nada
e as palavras recaem sobre ela
com formas de ternura
e a voz duma vida inteira

quando escrevo dói-me a alma
e ao fim duma tarde de canseira
volto atrás, procuro no entardecer
a calma
faço-me gaivota de novo em vôo
ah...se pudesse voltar além!
se pudesse ir mais aquém!
da criatura que fui e sou...
mas é tarde e a escuridão
apaga em mim os passos
abafa o soluço vindo do coração
tolhe-me as mãos e os braços.

quando escrevo há segredos
nos meus dedos
iniciam a escrever em liberdade
letras de fogo de fé e saudade
tombam porém em chuvas de loucura
escrevem e dançam
uma dança de amargura
a tudo alheios
à hora, ao instante, menos às lembranças
que estão presentes em abastança
agora e sempre plenas de esperança

quando escrevo sou como a rosa rubra
que exala o odor
aguardo a palavra que espero
livre
autêntica, que vibre
com paixão e amor...

quando escrevo o passado
surge iluminado
e o céu, o meu céu aqui...
mesmo ao lado
e ainda que me perca no futuro
e veja tudo em mim escuro
não me amarguro
porque me sinto maior
que o tamanho dum sonho

quando escrevo há um mundo
de felicidade
um bem estar leva ao orgasmo,
me põe um brilho no olhar,
um sabor doce na boca
logo tristeza é coisa pouca!
e as lembranças são viagem
no labirinto do meu pensamento
num vai vem surgem agora,
pra logo irem embora,
na aurora me vou lavar
estendo o meu lençol de luar
e escrevo até cansar...

breve tomarei o meu rumo
para lá da curva obscura
onde da vida me sumo,
porque um dia há-de ser!
chegará a desventura
num louco entardecer...


rosafogo
natalia nuno