palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
a barca do sonho
hoje recolho-me com a lua
olho-me mais uma vez
no espelho das águas
e pergunto ao barqueiro
onde deixou minhas mágoas
e meu coração desgarrado,
volvendo assim olvidado...?
ah!...meu rosto não tem nada
de excepcional,
mas a saudade ao olhar-me,
faz-me mal,
há quem diga
que a face já foi beldade,
hoje resta a saudade,
da frescura e mel da minha boca,
do coração á flor do peito,
nardo a florescer...idade louca,
canteiro de amor perfeito
resta a saudade, até dos cardos
do caminho
do sol ardente,
da sombra dolente,
hoje sou o reflexo de alguém
na tarde que vai morrendo
e a noite aí vem...
hoje sou como a voz do sino
que ecoa peregrino
como se lhe sobejasse a dor,
ou serei sangue sem côr?
serei silêncio ou rumor?
trago a voz adormecida
depois de tão largo tempo
e minha carne que era florida
adormece sem lamento
Mas eu sei!
que já tive o que não mais terei,
aquieto o cansaço dos dedos
hoje me recolho com a lua
esqueço o sabor amargo
e os medos
e minha alma se apazigua.
natalia nuno
rosafogo
sei o que quero dizer...
palavras hesitantes
versos mal feitos
mãos sem entusiasmo
sempre a piorar,
agonia nestes instantes
o coração a querer tudo
impedindo-me de rir ou de chorar,
tudo acha justo e injusto,
o pensamento parado
e o tempo, sem parar...
além rio vejo a colina
e um carvalho centenário
relembro o tempo de menina
e viro a página ao calendário
o tempo é escasso
não quero acelerar o passo,
sei o que quero dizer,
mas não digo
para não enlouquecer,
pela tarde houve sol
agora surgiu o vento,
acalmei meu pensamento
e a desordem do coração,
trago na mão
o peso da hora...
a terra que amolece,
a noite que enlanguesce,
meus sonhos em fiapos e,
as esperanças em farrapos,
a um verão curto
um outono prolongado,
um mar agitado,
estrada escorregadia,
ah!...mas aguardo com ânsia
por um novo dia.
os pássaros entoam hinos de vida
e eu sou de novo riso e canto
extasiada olhando as águas
embevecida
com o encanto
embriagador
desta manhã de seda pura
onde o tempo me faz promessa
de amor,
neste dia que começa...
rosafogo
natalia nuno
imagem da net
S. Pedro do Sul 26/9/2012
sábado, 6 de outubro de 2012
amar-te é...
amar-te é ter-te na lembrança
é guardar teu cheiro a alecrim
abrir-te os braços...qual criança,
a que ainda habita em mim...
amar-te é música no coração
ouvir trinados da passarada
é ler um livro com paixão...!
sentir-me pela sorte premiada...
amar-te milagre que se anuncia
fornalha da esperança acesa
sair do vazio em que eu caía...
amar-te é seres a minha razão,
meu destino e minha fortaleza
amar-te é não calar o coração
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
espelho do nosso entendimento
Juventude...
É tão cruel ter desaparecido
quando tudo era tão perfeito,
dias bonitos, pensares felizes
o sonho cumprido,
num sonhar a eito.
Como viver agora?
O tempo que sobra e encurtou,
aquele que nos resta,
fará sentido?
Vazio que em mim deixou,
assusta-me a felicidade,
dou por mim a pensar quanto te amo
e me dá saudade.
O medo de perder-te é meu segredo,
como se quisesse enganar a Deus
levando-O a deixar-te sempre comigo
ou partir e levar-te nos olhos meus.
Na cabeça a mente dá saltos
no ouvido o zumbido piora,
a minha alma chora...
pego-te na mão
por milhares de dias
de tristezas e alegrias,
agora, no fio da navalha,
ave voando sobre ela,
com força já pouca
e esperança tampouca.
Pequenas ondas de contentamento,
a água é agora o espelho
do nosso entendimento.
Neste tempo velho,
surge sempre mais um aceno
de ternura, e,
mais um dia é uma ventura!
natalia nuno
rosafogo
imagem retirada da net
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
vou amar-te assim...
entra o sol pelas vidraças
sinto o calor quando me
abraças
o silêncio aumenta
à nossa volta
e o amor se solta
sinto teu coração bater
aos meus ouvidos
fecho os olhos
despertos tenho os sentidos
sinto o desejo a queimar-me
vejo que me olhas
de palpebras semi-cerradas
o tempo não conta para mim
e a luz do sol é mais forte
vais amar-me
vou amar-te assim
até à morte
sem amor
a vida não tem significado
volto ao ponto de partida
ou terei sonhado?
sinto que o sol me aquece
ele que entra pelas vidraças
ou o calor será
porque me abraças?
ou serão imagens da minha
imaginação?
mas hoje o tempo não conta não!
rosafogo
natalia nuno
imagem da net
27/09/2012 S. Pedro do Sul
domingo, 23 de setembro de 2012
ALGUÉM ME ABRIU OS BRAÇOS
Alguém me abriu os braços!
No umbral o vazio...
Me perturbam os passos,
nas minhas paredes o frio.
Afogo-me no tumulto que me invade,
solto a angustia de par em par,
visto-me de lembranças de saudade,
minhas asas prontas a quebrar.
Alguém me abriu os braços
Sonhos de regeneração sem par,
a buscar-me em noites longas de cansaços,
até que a aurora nos venha velar,
até que a manhã seja realidade,
deixando à tona de água a boiar,
o resto, do sonho e da saudade.
Abre-se a noite e a luz decai,
nada resta só lembranças,
passa o vento sobre as folhas lentamente,
revivo na memória o que não sai.
O coração agrilhoado dentro de si,
afadigado continuamente...
num vai vém a querer viver
aquilo que não vivi.
Alguém me abriu os braços,
de estranho mundo chegou,
para povoar minha solidão
com abraços...
Será sonho ou obsessão?
natalia nuno
rosafogo
poema de 2011
imagem da net
LABIRINTO
Um cão a latir
a uma rua daqui
a rasgar-me a tranquilidade
e a lua a surgir
brilhando de felicidade.
Abeira-se das casas
um bando de morcegos
guinchando, batendo as asas
enxotando meus sossegos,
e a noite acorda mil ecos
não se importa de me incomodar
as ruas desertas, as almas são becos
cuja presença é difícil ignorar.
Minhas mãos adormecidas,
arranco-as das garras do esquecimento,
ouço badaladas de despedidas
asas negras é o sentimento.
Martela-me no peito o coração,
a chuva desaba sobre os telhados,
meu olhar vago, em engelhada solidão.
Sonhos magoados...estropiados...
ruínas, onde não habita ninguém
nem lágrimas, nem gritos,
apenas ecos vindos do além.
rosafogo
natalia nuno
imagem da net
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