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sábado, 6 de outubro de 2012

amar-te é...




amar-te é ter-te na lembrança
é guardar teu cheiro a alecrim
abrir-te os braços...qual criança,
a que ainda habita em mim...

amar-te é música no coração
ouvir trinados da passarada
é ler um livro com paixão...!
sentir-me pela sorte premiada...

amar-te milagre que se anuncia
fornalha da esperança acesa
sair do vazio em que eu caía...

amar-te é seres a minha razão,
meu destino e minha fortaleza
amar-te é não calar o coração

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

espelho do nosso entendimento



Juventude...
É tão cruel ter desaparecido
quando tudo era tão perfeito,
dias bonitos, pensares felizes
o sonho cumprido,
num sonhar a eito.
Como viver agora?
O tempo que sobra e encurtou,
aquele que nos resta,
fará sentido?
Vazio que em mim deixou,
assusta-me a felicidade,
dou por mim a pensar quanto te  amo
e me dá saudade.
O medo de perder-te é meu segredo,
como se quisesse enganar a Deus
levando-O a deixar-te sempre comigo
ou partir e levar-te nos olhos meus.

Na cabeça a mente dá saltos
no ouvido o zumbido piora,
a minha alma chora...
pego-te na mão
por milhares de dias
de tristezas e alegrias,
agora, no fio da navalha,
ave voando sobre ela,
com força já pouca
e esperança tampouca.

Pequenas ondas de contentamento,
a água é agora o espelho
do nosso entendimento.
Neste tempo velho,
surge sempre mais um aceno
de ternura, e,
mais um dia é uma ventura!

natalia nuno
rosafogo
imagem retirada da net




quinta-feira, 27 de setembro de 2012

vou amar-te assim...




entra o sol pelas vidraças
sinto o calor quando me
abraças
o silêncio aumenta
à nossa volta
e o amor se solta
sinto teu coração bater
aos meus ouvidos
fecho os olhos
despertos tenho os sentidos
sinto o desejo a queimar-me
vejo que me olhas
de palpebras semi-cerradas
o tempo não conta para mim
e a luz do sol é mais forte
vais amar-me
vou amar-te assim
até à morte

sem amor
a vida não tem significado
volto ao ponto de partida
ou terei sonhado?
sinto que o sol me aquece
ele que entra pelas vidraças
ou o calor  será
porque me abraças?
ou serão imagens da minha
imaginação?
mas hoje o tempo não conta não!

rosafogo
natalia nuno
imagem  da net
27/09/2012 S. Pedro do Sul


domingo, 23 de setembro de 2012

ALGUÉM ME ABRIU OS BRAÇOS

H. Zabateri


Alguém me abriu os braços!
No umbral o vazio...
Me perturbam os passos,
nas minhas paredes o frio.
Afogo-me no tumulto que me invade,
solto a angustia de par em par,
visto-me de lembranças de saudade,
minhas asas prontas a quebrar.

Alguém me abriu os braços
Sonhos de regeneração sem par,
a buscar-me em noites longas de cansaços,
até que a aurora nos venha velar,
até que a manhã seja realidade,
deixando à tona de água a boiar,
o resto, do sonho e da saudade.

Abre-se a noite e a luz decai,
nada resta só lembranças,
passa o vento sobre as folhas lentamente,
revivo na memória o que não sai.
O coração agrilhoado dentro de si,
afadigado continuamente...
num vai vém a querer viver
aquilo que não vivi.

Alguém me abriu os braços,
de estranho mundo chegou,
para povoar minha solidão
com abraços...
Será sonho ou obsessão?

natalia nuno
rosafogo

poema de 2011
imagem da net

LABIRINTO



Um cão a latir
a uma rua daqui
a rasgar-me a tranquilidade
e a lua a surgir
brilhando de felicidade.
Abeira-se das casas
um bando de morcegos
guinchando, batendo as asas
enxotando meus sossegos,
e a noite acorda mil ecos
não se importa de me incomodar
as ruas desertas, as almas são becos
cuja presença é difícil ignorar.

Minhas mãos adormecidas,
arranco-as das garras do esquecimento,
ouço badaladas de despedidas
asas negras é o sentimento.
Martela-me no peito o coração,
a chuva desaba sobre os telhados,
meu olhar vago, em engelhada solidão.
Sonhos magoados...estropiados...
ruínas, onde não habita ninguém
nem lágrimas, nem gritos,
apenas ecos vindos do além.

rosafogo
natalia nuno
imagem da net

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

assim nos amamos...



Passa uma brisa de ar fresco,
sento-me nesta cadeira
desengonçada,
noite inteira...

Pego num jornal
como um ritual...

Perto da janela impestada
de mosquitos que dançam
à volta do candeeiro da rua
e minhas ideias avançam
na saudade prenhe,
de recordar,
o dia em que fui tua.

O único intruso aqui é o luar!

A iluminação do candeeiro
traz-me sonolência
e à lua faço confidência,
quero sonhar com teus lábios
humedecidos,
quero em ti navegar,
sentir o teu pulsar
ser de novo o teu desejo
e acabar o sonho
num beijo.

O sono aquiesceu ao meu pedido,
peço a Deus um sonho divertido
rico de fantasia,
como se fosse inda, outro distante dia,
na manhã seguinte há muito que
contar e tudo fica aclarado,
entre amor real e o amor sonhado.

rosafogo
natalia nuno
imagem da net

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

vincos de saudade




ao meu redor vejo gente
abafando o pranto,
decido olhar
e é grande o espanto,
mãos nervosas,
lágrimas nos rostos,
olhos enigmáticos
sem idade
e vincos de saudade,

levam a mão ao peito
em jeito
de oração
que aprenderam dos avós,
anos após,
ensinaram aos netos
meninos predilectos
de suas vidas
consolo de suas existências.

hoje entregues a si mesmos,
todo o dia
regressam de onde nunca saem,
lábios abertos sem alegria,
ele traz ainda uma gravata encarnada
e ela lembra pouco mais que nada

vejo-os agora afastando,
gesticulando...
E pensar que tanto se amaram!
Os meus receios não tardaram
partiram amando-se...

rosafogo
natalia nuno